Nestlé sabia há semanas de toxina em leite para bebês
A gigante alimentícia Nestlé já estava ciente, desde o final de novembro de 2025, de uma contaminação perigosa por toxina cereulide em leite em pó para bebês, mas esperou pelo menos dez dias antes de informar as autoridades e iniciar o recolhimento dos produtos, conforme revela uma investigação do Le Monde. A empresa descobriu a contaminação no final de novembro em sua fábrica na Holanda, mas só informou a Autoridade Holandesa de Segurança Alimentar e de Produtos de Consumo (NVWA) em 9 de dezembro.
Atraso crítico levanta questões de segurança
A contaminação envolvia cereulide, uma toxina termoestável produzida pela bactéria Bacillus cereus, que pode causar graves problemas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e dores abdominais. Para bebês com menos de seis meses, a toxina representa riscos adicionais de desidratação e complicações de saúde graves.
De acordo com a investigação, os sistemas internos de controle da Nestlé identificaram a contaminação no final de novembro, mas a empresa esperou até 9 de dezembro para informar as autoridades holandesas. Outros países europeus, incluindo a França, só foram informados em 10 de dezembro, com os primeiros recolhimentos começando em 11 de dezembro.
'Precisávamos primeiro avaliar os riscos antes de informar as autoridades,' declarou a Nestlé ao Le Monde em defesa do atraso. Críticos, no entanto, argumentam que os riscos à saúde da cereulide já são bem documentados pelas autoridades de segurança alimentar.
Fonte da contaminação rastreada até fornecedor chinês
A fonte da contaminação foi finalmente rastreada até o óleo de ácido araquidônico (ARA), um ingrediente fornecido por uma empresa chinesa. Embora a Nestlé afirme ter identificado oficialmente a fonte apenas em 23 de dezembro, fontes do Le Monde indicam que a empresa já sabia do ingrediente contaminado em 10 de dezembro.
O ingrediente contaminado afetou vários fabricantes, incluindo as empresas francesas Lactalis e Vitagermine, levando ao que as autoridades austríacas chamaram de 'o maior recolhimento na história da Nestlé', envolvendo mais de 800 produtos em mais de 60 países.
Ação legal e indignação dos consumidores
A organização de consumidores Foodwatch apresentou uma queixa criminal contra a Nestlé, Lactalis e Vitagermine, juntamente com oito famílias cujos filhos adoeceram após consumir o leite em pó contaminado. 'Este atraso é inaceitável quando a saúde dos bebês está em jogo,' disse um porta-voz da Foodwatch.
A queixa acusa as empresas de várias violações, incluindo colocar em perigo a saúde dos bebês, enganar os consumidores e não realizar os recolhimentos em tempo hábil. Autoridades francesas também estão investigando duas mortes de bebês possivelmente ligadas aos produtos contaminados.
Em resposta, a Nestlé Holanda afirmou que a Foodwatch divulgou 'mentiras flagrantes' sobre a linha do tempo do recolhimento e que a empresa agiu 'de forma rápida, proativa e adequada'.
Controle regulatório se intensifica
O incidente levantou sérias questões sobre os protocolos de segurança alimentar e a supervisão regulatória na indústria de leite para bebês. Embora não exista um limite legal para cereulide em produtos alimentícios, as regras da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) proíbem a comercialização de produtos que coloquem em risco a saúde das crianças.
O caso destaca preocupações persistentes sobre a transparência na cadeia de suprimentos e a velocidade das respostas corporativas a incidentes de contaminação, especialmente quando grupos vulneráveis, como bebês, são afetados.
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