O Supremo Tribunal da Rússia excluiu o partido Yabloko das eleições parlamentares de setembro, eliminando a última força política registada que se opõe à guerra na Ucrânia. A decisão de 10 de agosto intensifica a repressão à dissidência russa antes da votação para a Duma de 18-20 de setembro.
Por que o Yabloko foi excluído?
O caso foi movido pelo partido nacionalista Rodina, que acusou o Yabloko de violar regras eleitorais, incluindo direitos autorais ao citar letras soviéticas e apoiar uma organização extremista (referência ao movimento LGBT proibido em 2023). O Rosfinmonitoring alegou financiamento ilícito de 16.900 rublos via intermediários nos EUA e na Alemanha.
Nikolai Rybakov, presidente do Yabloko, chamou o caso de 'histórico', pois partidos registados nunca haviam sido desqualificados após admissão. O partido, cujo nome significa 'maçã', entrou na votação em julho com apoio crescente; sondagens indicavam que poderia superar os 5% e eleger deputados pela primeira vez desde 2003.
Um padrão de repressão pré-eleitoral
A desqualificação é mais uma manobra para suprimir vozes antiguerra na Rússia antes das eleições. Dezenas de candidatos do Yabloko já haviam sido excluídos e membros enfrentam prisão, como Alexei Kruglov, deputado municipal de Moscou, condenado a sete anos por 'informações falsas' ao pedir investigação sobre Bucha.
Kirill Rumyantsev, candidato e vice-chefe do Yabloko em Saratov, publicou um vídeo no Telegram antes do veredicto, relatando ameaças de morte desde 6 de agosto. Afirmou levar uma vida normal e não ter razões para morte súbita, alertando apoiantes.
Reação internacional e da oposição
Centenas de apoiantes reuniram-se em frente ao tribunal, gritando 'Vergonha!'. A cena mostrou o apetite pelo pluralismo, apesar do desmantelo da oposição democrática russa.
Yulia Navalnaya, viúva de Navalny, reagiu: 'O Kremlin tem medo. O Yabloko fala por milhões que querem paz e liberdade.' O partido recorrerá, mas especialistas preveem fracasso devido ao controle do judiciário.
Significado para as eleições de setembro
Sem o Yabloko, todos os partidos no boletim apoiam a invasão ou não a criticam. O Rússia Unida deverá manter sua maioria de 314 assentos. As eleições de três dias terão votação eletrónica em metade das regiões, criticada por sua vulnerabilidade.
Analistas veem a exclusão como resposta à queda na aprovação e ao cansaço da guerra. Excluir o Yabloko reduz a participação, tática para vitória confortável. As eleições legislativas russas de 2026 serão uma coroação, não uma disputa.
Perguntas Frequentes
O que é o partido Yabloko?
Partido social-liberal fundado em 1993, representado na Duma até 2003, único a criticar abertamente o autoritarismo e a guerra na Ucrânia.
Por que foi banido?
O tribunal citou violação de direitos autorais, apoio a organização extremista e financiamento estrangeiro.
Poderá recorrer?
Sim, mas a anulação é improvável devido ao controle do Kremlin sobre o judiciário.
Reação internacional?
Organizações de direitos humanos e governos ocidentais condenaram, esperando-se declarações da UE e dos EUA.
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