Khamenei reconhece milhares de mortes em protestos no Irã

O Líder Supremo do Irã, Khamenei, reconhece milhares de mortes em protestos, acusando interferência estrangeira, enquanto organizações de direitos humanos estimam mais de 3.000 mortos na maior revolta desde 1979.

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Líder Supremo quebra silêncio sobre mortes em protestos

Em um raro reconhecimento, o Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, admitiu que 'milhares' morreram durante os recentes protestos nacionais, marcando a primeira vez que a mais alta autoridade do país discute publicamente o número alarmante de mortos. A declaração foi feita durante um discurso televisionado no qual Khamenei culpou o que chamou de 'tumultuadores armados' e interferência estrangeira pela violência que tem abalado o Irã há semanas.

Reconhecimento sem precedentes sob pressão crescente

Organizações de direitos humanos documentam o número crescente de mortes desde o início dos protestos em 28 de dezembro de 2025, com estimativas agora superando 3.000 mortos, de acordo com grupos como a Reuters. Os protestos, que começaram como manifestações contra problemas econômicos e inflação crescente, evoluíram rapidamente para movimentos mais amplos contra o governo, exigindo mudança de regime.

'Alguns manifestantes foram mortos de forma brutal e desumana,' declarou Khamenei em seu discurso, enquanto simultaneamente transferia a culpa para o que descreveu como sabotadores apoiados por potências estrangeiras. Ele acusou especificamente o ex-presidente americano Donald Trump de envolvimento direto, alegando que 'o próprio presidente americano faz parte da rebelião.'

Dimensão internacional e apoio externo

Os protestos ganharam atenção internacional, com comunidades da diáspora iraniana organizando demonstrações de solidariedade em toda a Europa e América do Norte. Em cidades como Zurique, Londres e Haia, manifestantes foram vistos com bandeiras iranianas pré-revolucionárias e expressando apoio a Reza Pahlavi, o filho exilado do último xá do Irã.

De acordo com a documentação da Wikipedia, esta representa a maior revolta desde a Revolução Islâmica de 1979, espalhada por 512 locais em todas as 31 províncias. A resposta do governo incluiu cortes generalizados de internet, prisões em massa e o uso de munição real contra manifestantes.

Raízes econômicas e evolução política

Os protestos inicialmente eclodiram devido a queixas econômicas, incluindo inflação recorde, aumento dos preços dos alimentos e depreciação da moeda agravada por sanções internacionais. Mas, como observado pela análise da CBC News, o movimento rapidamente se transformou em oposição política ao establishment clerical iraniano, com slogans como 'morte ao ditador' se tornando comuns.

Khamenei, de 86 anos, que atua como Líder Supremo desde 1989 após a morte do aiatolá Khomeini, enfrenta um dos desafios mais significativos ao seu governo. Seu reconhecimento de milhares de mortes representa uma mudança estratégica em relação às negações anteriores e ocorre em meio a relatos de que a atividade de protesto diminuiu nos últimos dias, embora o monitoramento permaneça difícil devido às restrições à internet.

Implicações regionais e globais

A situação tem implicações mais amplas para a estabilidade do Oriente Médio, com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação aconselhando companhias aéreas a evitarem o espaço aéreo iraniano. Enquanto isso, Reza Pahlavi se posiciona ativamente como uma possível figura de transição, embora suas alegações de apoio dentro do aparato de segurança iraniano permaneçam não confirmadas, de acordo com The National.

Enquanto a comunidade internacional observa atentamente, o reconhecimento da mais alta autoridade do Irã sugere que o regime reconhece a gravidade da crise enquanto tenta controlar a narrativa sobre suas causas e consequências.

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