Irã exige milhares de euros por corpos de manifestantes mortos

Autoridades iranianas estão exigindo milhares de euros das famílias para liberar os corpos de manifestantes mortos durante protestos, adicionando extorsão financeira ao luto em meio a uma grave crise econômica.

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Autoridades iranianas acusadas de extorquir familiares de vítimas de protestos

Em um desenvolvimento chocante nos protestos contínuos no Irã, famílias de manifestantes mortos estão sendo forçadas a pagar milhares de euros para recuperar os corpos de seus entes queridos, de acordo com uma investigação da BBC. O regime iraniano está exigindo, segundo relatos, quantias exorbitantes de famílias enlutadas que desejam enterrar parentes mortos durante os protestos nacionais.

Extorsão financeira durante crise econômica

As exigências ocorrem enquanto o Irã enfrenta sua pior crise econômica em décadas, com inflação de 42,2% e preços dos alimentos subindo 72%. 'Tivemos que pagar o equivalente a mais de 4.200 euros para recuperar o corpo do meu irmão,' disse um familiar de Rasht, no norte do Irã, que falou anonimamente com a BBC Persian. 'Eles disseram que se não pudéssemos pagar, manteriam o corpo indefinidamente.'

A outra família em Teerã foi cobrada quase 6.000 euros pelo corpo de um trabalhador da construção civil morto durante os protestos. Quando não conseguiram arcar com o valor, foram mandados para casa de mãos vazias. De acordo com uma investigação do Iran International, as autoridades chegam a exigir que as famílias paguem pelas balas usadas para matar seus parentes - com custos variando de US$ 480 a US$ 1.720 por bala, um valor impossível para a maioria dos iranianos, cuja renda mensal média fica abaixo de US$ 100.

Táticas sistemáticas de repressão

A prática parece fazer parte de uma tentativa sistemática de suprir a dissidência e controlar a narrativa em torno dos protestos. A Anistia Internacional relata que as forças de segurança cometeram assassinatos ilegais em massa em uma escala sem precedentes, com um número de mortos de pelo menos 2.000, segundo admissões oficiais. A organização documentou evidências de que as forças de segurança atiraram em manifestantes desarmados com rifles e espingardas carregadas com pellets de metal, muitas vezes mirando na cabeça e no torso.

'Eles nos ofereceram um acordo,' explicou um pai que perdeu o filho nos protestos. 'Se disséssemos que nosso filho foi morto por manifestantes e não pelas forças de segurança, e se participássemos de uma manifestação pró-governo, eles reduziriam o valor. Recusamos ambas as condições.'

Reação internacional e protestos contínuos

Os protestos, que começaram devido a queixas econômicas, evoluíram para um movimento mais amplo contra a República Islâmica. De acordo com a Wikipedia, os protestos são descritos como a maior revolta desde a Revolução Islâmica de 1979, com milhões de pessoas tomando as ruas em todas as 31 províncias. A repressão tem sido brutal, com forças de segurança supostamente atirando contra multidões e impondo um apagão nacional da internet para evitar a documentação da violência.

O presidente americano Donald Trump ameaçou intervir se o Irã continuar matando manifestantes, enquanto a Casa Branca afirmou que o regime, sob pressão, suspendeu 800 execuções. No entanto, essas alegações são difíceis de verificar devido ao apagão midiático e às restrições a jornalistas no Irã.

A situação permanece volátil, com famílias presas entre o luto e a ruína financeira enquanto navegam pelas exigências do regime. Como disse um ativista de direitos humanos à BBC: 'Isso não é apenas sobre dinheiro - é sobre humilhação, controle e evitar que o luto público se torne um foco para mais protestos.'

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