Quadro Global de Biodiversidade Inicia Fase Crítica de Implementação
O ambicioso Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (KMGBF) entrou em uma fase crucial de implementação, com governos em todo o mundo começando a ativar seus compromissos nacionais por meio de novos mecanismos de financiamento e sistemas de monitoramento. Após o acordo histórico alcançado em fevereiro de 2025 na COP16.2 em Roma, os países agora estão traduzindo promessas internacionais em planos de ação concretos, com o apoio de uma meta de financiamento anual de US$ 200 bilhões até 2030.
Janela de Financiamento Abre para Áreas Protegidas
O recém-criado Fundo do Quadro Global de Biodiversidade (GBFF) ganhou impulso significativo, com oito governos comprometendo um adicional de US$ 163 milhões durante a COP16, elevando o número total de contribuintes para 12. 'Isso representa um ponto de virada em como financiamos a conservação da natureza globalmente,' disse um funcionário da ONU envolvido nas negociações. 'Pela primeira vez, temos uma arquitetura financeira dedicada que corresponde à escala da crise da biodiversidade.'
A estratégia de financiamento visa preencher a lacuna anual estimada de US$ 700 bilhões em financiamento para biodiversidade por meio de múltiplos canais: aumentar os fluxos financeiros relacionados à biodiversidade para países em desenvolvimento para pelo menos US$ 20 bilhões anualmente até 2025 e US$ 30 bilhões até 2030; mobilizar US$ 200 bilhões anualmente de todas as fontes até 2030; e eliminar ou reformar pelo menos US$ 500 bilhões em subsídios prejudiciais anualmente até 2030.
Sistemas de Monitoramento e Governança Ativados
Central para a implementação está a revisão estratégica do Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas (PoWPA), que está sendo alinhado com a Meta 3 do KMGBF - a ambiciosa meta '30x30' de conservar 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) conduziu consultas de outubro a dezembro de 2025 para atualizar o quadro de 2004, com foco em quatro elementos-chave: estabelecimento e gestão de áreas; governança, participação e equidade; quadro político de apoio; e normas, avaliação e monitoramento.
'Os sistemas de monitoramento que estamos implementando serão transformadores,' explicou um especialista em políticas de biodiversidade. 'Pela primeira vez, teremos um rastreamento padronizado da eficácia das áreas protegidas entre fronteiras, permitindo-nos medir resultados reais de conservação, e não apenas hectares protegidos.'
Compromissos Nacionais e Planos de Implementação
Os países agora devem enviar Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade (NBSAPs) revisados por meio da Ferramenta de Relatórios Online da CDB. O secretariado da CDB organizou diálogos regionais globalmente para apoiar os países no desenvolvimento de seus quadros de implementação, com eventos na Moldávia, Bruxelas, Tajiquistão, Omã, Peru, Quênia, Guiana, Fiji, Japão, Jordânia e Filipinas.
A Ferramenta de Relatórios de Dados para AMEAs (DaRT) e a Ferramenta Bioland fornecem suporte técnico para países independentemente de limitações de capacidade. 'O que é diferente desta vez é a integração de ferramentas digitais que tornam a elaboração de relatórios e o monitoramento acessíveis a todos os países,' observou um consultor técnico que trabalha com países em desenvolvimento. 'Estamos passando de compromissos baseados em papel para o rastreamento digital em tempo real do progresso da conservação.'
Fundo Cali e Participação Indígena
Uma inovação importante na arquitetura de financiamento é o Fundo Cali, estabelecido para receber contribuições de empresas que utilizam recursos genéticos e informações de sequência digital. O fundo alocará pelo menos 50% de seus recursos para povos indígenas e comunidades locais, reconhecendo seu papel crucial como administradores da biodiversidade.
'Isso representa uma mudança de paradigma na repartição de benefícios,' disse um defensor dos direitos indígenas. 'Por décadas, os recursos genéticos de nossos territórios foram comercializados sem compensação adequada. O Fundo Cali começa a abordar essa injustiça histórica, ao mesmo tempo que apoia a conservação liderada pela comunidade.'
Envolvimento do Setor Privado e Instituições Financeiras
A estratégia de implementação convoca explicitamente o envolvimento do setor privado, com o financiamento privado sendo mencionado 19 vezes no acordo final da COP16. Espera-se que as instituições financeiras fortaleçam salvaguardas ambientais e sociais com métodos padrão de rastreamento e relatórios, ampliem os investimentos em biodiversidade por meio de fundos de impacto e finanças combinadas, e melhorem a transparência por meio de quadros de divulgação relacionados à natureza.
'O setor financeiro está acordando para os riscos e oportunidades da biodiversidade,' observou um analista financeiro sustentável. 'Vemos um alinhamento sem precedentes entre metas de conservação e estratégias de investimento, com métricas claras surgindo para investimentos positivos para a natureza.'
Desafios e Próximos Passos
Apesar do progresso, desafios significativos permanecem. A revisão estratégica da governança de áreas protegidas deve abordar questões de equidade e garantir a participação significativa das comunidades locais. Os compromissos de financiamento, embora substanciais, ainda ficam aquém das necessidades estimadas, e a capacidade de implementação varia muito entre os países.
Os próximos meses serão cruciais, pois os países enviam seus NBSAPs e começam a acessar o GBFF. Os sistemas de monitoramento precisarão demonstrar sucessos iniciais para manter o impulso político e o apoio público para o que continua sendo um dos acordos ambientais mais ambiciosos da história.
Como um cientista da conservação colocou: 'Isso não é apenas sobre proteger a natureza - é sobre redesenhar nossa relação com o mundo natural. A fase de implementação mostrará se estamos sérios sobre essa transformação.'
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