Casa Branca culpa funcionário por post controverso no Truth Social
O presidente Donald Trump removeu um vídeo racista de sua conta no Truth Social que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A remoção seguiu-se a uma ampla condenação bipartidária. O vídeo, que ficou online por cerca de 12 horas, mostrava os rostos dos Obama em corpos de macacos de desenho animado com a música The Lion Sleeps Tonight ao fundo.
Primeiro defesa, depois remoção
A Casa Branca inicialmente defendeu a postagem, com a porta-voz Karoline Leavitt descartando as críticas como 'falsa indignação' e descrevendo-a como um meme da internet que mostra Trump como 'Rei da Selva' com democratas como personagens do filme da Disney O Rei Leão. Após pressão crescente de ambos os partidos, a narrativa mudou: um funcionário teria postado o vídeo 'acidentalmente' sem o conhecimento de Trump.
'Parem com a falsa indignação e relatem algo que realmente importa para o público americano,' disse Leavitt a repórteres durante a primeira defesa.
Condenação Bipartidária
O vídeo causou indignação imediata. O senador republicano Tim Scott, o único republicano negro no Senado e aliado de Trump, chamou-o de 'a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca.' Ele exigiu a remoção, uma rara repreensão pública de dentro do próprio partido de Trump.
Líderes democratas foram igualmente claros. O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, condenou o que chamou de 'intolerância repugnante' de Trump, enquanto o senador Chuck Schumer chamou as imagens de 'desprezíveis e inaceitáveis'. A ex-secretária de Estado Hillary Clinton tuitou que o vídeo 'evoca os piores estereótipos racistas da história americana.'
Contexto Histórico e Momento
O incidente ocorreu durante o Mês da História Negra, ampliando a controvérsia. A representação de pessoas negras como primatas tem raízes históricas profundas na eugenia e desumanização da era Jim Crow, historicamente usada para justificar segregação e violência contra afro-americanos.
O vídeo fazia parte de um filme mais longo sobre teorias da conspiração envolvendo alegações não comprovadas de fraude eleitoral nas eleições de 2020, que Trump perdeu para Joe Biden. Essa combinação de desinformação eleitoral com imagens racistas criou o que organizações de direitos civis chamaram de 'tempestade perfeita de ódio'.
Papel do Truth Social
O vídeo foi compartilhado no Truth Social, a plataforma de mídia social do Trump Media & Technology Group. Lançada em 2022 como uma 'alternativa de liberdade de expressão' para as principais plataformas após Trump ser banido do Twitter e do Facebook após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, o Truth Social tem sido criticado por moderação de conteúdo inconsistente e desinformação. A plataforma tem cerca de 6,3 milhões de usuários ativos mensais, significativamente menos do que as grandes redes sociais.
Implicações Políticas
Analistas políticos sugerem que o incidente pode influenciar as próximas eleições de meio de mandato. Derrick Johnson, presidente da NAACP, disse: 'Vamos lembrar disso em novembro. Isso não é apenas um meme—é puro ódio durante o Mês da História Negra.' A controvérsia surge enquanto Trump enfrenta múltiplos desafios legais e se prepara para uma possível campanha presidencial em 2028.
A Casa Branca não anunciou medidas disciplinares contra o funcionário supostamente responsável pela postagem, nem Trump respondeu pessoalmente ao incidente além de remover o vídeo.
Fontes
USA Today: Trump racistische Obama-meme uitgelegdCNBC: Trump Obama post Witte Huis
NBC News: Trump deelt racistische video met Obama's als apen
Wikipedia: Truth Social
Politico: Donald Trump Obama aap video
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