Controles de Terras Raras: Choque de Oferta de 2026

Controles de exportação de terras raras da China em 2026 elevaram preços seis vezes e expuseram 90% de dependência do processamento chinês. Saiba mais.

Controles de Terras Raras: Choque de Oferta de 2026
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Edicao: PT

Os controles de exportação de terras raras da China transformaram uma disputa comercial latente em uma crise da cadeia de suprimentos em 2026. Pequim controla cerca de 90% do processamento global de terras raras, 80% do refino de tungstênio e 60% da produção de antimônio. As restrições elevaram alguns preços seis vezes, enquanto as aprovações de licenças europeias caíram abaixo de 25%. A resposta dos EUA — uma aliança FORGE de 54 nações, com US$ 30 bilhões e uma reserva de US$ 12 bilhões sob o Projeto Vault — é a desvinculação de minerais críticos mais ambiciosa desde a Guerra Fria.

O que são os controles de exportação chineses de 2026?

Os controles começaram em abril de 2025 com sete terras raras pesadas, expandiram-se em outubro de 2025 para incluir mais cinco elementos e tecnologia de processamento, e escalaram novamente em abril de 2026. O licenciamento não automático cria um embargo rotativo: cada embarque exige aprovação, com revisões de 45 dias que costumam se estender indefinidamente. Diferentemente das tarifas, os controles são reversíveis e seletivos — Pequim poupa deliberadamente as terras raras leves enquanto sufoca as pesadas usadas em ímãs de defesa. Isso espelha o embargo de terras raras de 2010 ao Japão, mas com escopo muito maior.

A resposta ocidental: FORGE e o Projeto Vault

Em 4 de fevereiro de 2026, o secretário de Estado Marco Rubio sediou a Reunião Ministerial de Minerais Críticos em Washington, com delegações de 54 países. O centro do encontro foi o lançamento do FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos), sucessor da Parceria de Segurança de Minerais, presidido pela Coreia do Sul até junho. O FORGE prevê pisos de preços coordenados, tarifas ajustáveis e 11 novos acordos-quadro bilaterais. Os EUA mobilizaram mais de US$ 30 bilhões, incluindo o empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM que, somado a US$ 2 bilhões de capital privado, cria uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões em neodímio, disprósio e lítio — inspirada na reserva estratégica de petróleo.

Quais indústrias estão mais expostas?

Defesa e aeroespacial

Terras raras pesadas são críticas para radares do F-35, orientação de mísseis SM-6 e interceptores Patriot. Os preços do gálio subiram 123%, para cerca de US$ 2.100 por quilo. As exportações de antimônio da China caíram 97%, gerando um contrato de US$ 245 milhões com a Agência de Logística de Defesa dos EUA. Empreiteiras como Lockheed, RTX e Northrop reconhecem riscos, mas não divulgam quantidades.

Veículos elétricos e semicondutores

Fabricantes de veículos elétricos enfrentam cerca de US$ 500 em custos adicionais por veículo. Os preços do germânio dispararam 203%, atingindo fibras ópticas usadas em data centers de IA. A Lei Europeia de Matérias-Primas Críticas aprovou 60 projetos estratégicos com metas de 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem até 2030, mas a independência total ainda está a 5–7 anos, com custos de 2 a 4 vezes maiores.

O Ocidente pode se desvincular antes que a janela se feche?

Especialistas em segurança da cadeia de suprimentos de defesa dizem que o Ocidente tem apenas 12 a 18 meses para construir capacidade independente antes que a dependência se consolide. Reconstruir cadeias completas pode levar 20 a 30 anos, e os estoques da OTAN cobrem 6 a 9 meses de conflito. Como resumiu um analista da OCDE, a China transformou o controle em arma, e não a escassez — o objetivo é extrair concessões, não interromper o comércio. O Plano de Ação EUA-UE de 24 de abril de 2026 sinaliza uma mudança para a desvinculação gerenciada, mas a janela é estreita.

Perguntas frequentes

O que são terras raras? São 17 metais quimicamente semelhantes usados em ímãs, baterias e eletrônicos. A China domina o processamento, não necessariamente a mineração.

Por que a China impôs controles? Pequim usa os controles como alavanca geopolítica, atingindo defesa e alta tecnologia sem perder poder de precificação.

O que é o Projeto Vault? Uma reserva estratégica de minerais dos EUA de US$ 12 bilhões — US$ 10 bilhões em empréstimo do EXIM mais US$ 2 bilhões privados — para estocar minerais críticos a preços fixos.

Quanto os preços subiram? Fora da China, o óxido de neodímio-praseodímio saltou de cerca de US$ 80/kg em 2024 para mais de US$ 480/kg no início de 2026, com alguns materiais até seis vezes mais caros.

O Ocidente pode substituir a oferta chinesa? Sim, mas levará 5 a 7 anos para capacidade relevante e 20 a 30 anos para independência total, com custos de 2 a 4 vezes maiores.

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