A campanha de desdolarização do BRICS+ tornou-se uma mudança mensurável em 2026. O bloco ampliado reúne cerca de 48% da população mundial e mais de 40% do PIB global (PPC). Cerca de 67% do comércio intrabloco já é liquidado em moedas locais, e a participação do dólar nas reservas globais caiu para 56,3%, a menor desde 1995, segundo dados do FMI citados por Informed Clearly.
O Que É o BRICS+ e Por Que 2026 é um Ponto de Inflexão?
Criado como acrônimo do Goldman Sachs em 2001, o BRICS é hoje um bloco formal rival do G7. Em 2026, avança de cúpulas para infraestrutura operacional de pagamentos. O Novo Banco de Desenvolvimento expandiu o crédito em moedas locais, e o Acordo Contingente de Reservas do BRICS oferece liquidez paralela. O congelamento de US$ 300 bilhões em reservas russas em 2022 foi o gatilho que convenceu emergentes de que o dólar pode ser usado como arma.
O Progresso Real: BRICS Pay, mBridge e Liquidação em Moedas Locais
Três sistemas lideram a ofensiva: o BRICS Pay, alternativa blockchain ao SWIFT, será lançado na Cúpula de Nova Délhi (setembro/2026), integrando Pix, SPFS, CIPS e UPI; o BRICS Bridge, baseado no mBridge, usa o token UNIT (40% ouro, 60% cesta de moedas) para liquidar energia e commodities; e o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China conecta 1.500 instituições em 117 países, com RMB 175,49 trilhões em 2024 (+42,6%).
Dados de Liquidação e Acumulação de Ouro
Cerca de 67% do comércio intra-BRICS é liquidado fora do dólar. A Arábia Saudita elevou as exportações de petróleo em yuan para a China a 22% e aderiu ao mBridge. Bancos centrais compraram 1.237 toneladas de ouro em 2025, terceiro ano acima de 1.000 toneladas.
Por Que o Dólar Não Está em Colapso
O dólar ainda responde por 88% do câmbio global e metade do faturamento comercial; o Tesouro dos EUA segue como porto seguro único. Washington ameaça tarifas de 100% sobre as nações do BRICS se houver moeda comum, e a UE acelera o euro digital. Especialistas da Fletcher School e do MIT veem a postura americana como paliativo que pode acelerar a fragmentação.
Impacto no Comércio, Fluxos de Capital e Estabilidade Financeira
A fragmentação dos pagamentos reduz a eficiência dos fluxos de capital, eleva custos e cria riscos de interoperabilidade. Emergentes ganham menos exposição a sanções, mas enfrentam mercados mais segmentados, com crises potencialmente mais rápidas. O sistema do petrodólar perde força com a diversificação dos países do Golfo, segundo Economic Lens.
Perspectivas de Especialistas
'O domínio do dólar erode nas margens, mas nenhum rival substitui sua liquidez', diz um alto funcionário do BIS. 'É uma fragmentação administrada, não uma ruptura.' Mihaela Papa, da Fletcher School, alerta que a coerção de Washington 'pode sair pela culatra e acelerar a infraestrutura própria do BRICS'.
FAQ: Desdolarização do BRICS+ em 2026
O que é desdolarização?
É a redução da dependência do dólar em comércio, reservas e pagamentos, por meio de moedas locais, ouro ou trilhos alternativos.
O BRICS está criando uma moeda única?
Não. O token UNIT é um piloto de liquidação, não uma moeda de banco central.
Quanto do comércio do BRICS é liquidado em moedas locais?
Cerca de 67% do comércio intrabloco já é liquidado fora do dólar.
O dólar americano vai colapsar?
Não. Ele ainda responde por 88% do câmbio global; o cenário é uma mudança multipolar gradual.
O que é o BRICS Pay?
É um sistema blockchain de pagamentos transfronteiriços que integra Pix, SPFS, CIPS e UPI, lançado na cúpula de setembro de 2026.
Conclusão e Perspectivas para 2026
A desdolarização em 2026 é real, mas parcial. A infraestrutura existe, os dados mostram mudança de reservas e a vontade política endureceu. O dólar, porém, mantém liquidez única e mercados de capital profundos. O provável desfecho é uma ordem monetária multipolar e fragmentada, não o fim da moeda americana.
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