A China está a aprofundar a cooperação militar com a Coreia do Norte, no que o CSIS chama de 'estreia sem precedentes'. A mudança surge após a visita de Xi Jinping a Pyongyang em junho de 2026, a primeira em sete anos, onde ele e Kim Jong-un prometeram elevar os laços bilaterais. O movimento recalibra a relação de Pequim com o vizinho isolado, com implicações para a segurança regional e a dissuasão dos EUA na Ásia Oriental.
Contexto: A Cimeira de Pyongyang de Junho de 2026
Xi Jinping chegou a Pyongyang a 8 de junho de 2026 para uma visita de Estado de dois dias—a primeira viagem ao exterior do ano—coincidindo com o 65.º aniversário do tratado de defesa mútua China-RPDC. A visita foi precedida por meses de diplomacia discreta e resultou no compromisso explícito de expandir laços militares—um afastamento da cautela histórica. O tratado de defesa mútua sino-norte-coreano de 1961 permaneceu adormecido desde a Guerra da Coreia.
A Dimensão Militar: Uma 'Estreia Sem Precedentes'
Na declaração conjunta, Xi e Kim comprometeram-se a fortalecer a comunicação estratégica e cooperação na defesa. O CSIS notou que os dois lados concordaram em aprofundar intercâmbios militares, um passo sem precedentes. Historicamente, a China evitou colaboração militar. A nova fase prevê exercícios conjuntos, partilha de informações e possíveis vendas de armas. Isto ocorre enquanto a cooperação de defesa EUA-Japão se aprofunda, levando Pequim a procurar contrapesos.
Porquê Agora? O Cálculo Estratégico de Pequim
Os analistas do CSIS apontam a necessidade de diluir a influência russa sobre Pyongyang. Em 2024, Moscovo e Pyongyang assinaram uma parceria estratégica abrangente, com a Coreia do Norte a fornecer munições à Rússia. As trocas de alto nível entre Rússia e Coreia do Norte ultrapassaram as sino-norte-coreanas. Pequim pretende reconquistar terreno e evitar a dependência de Pyongyang de Moscovo.
Proteção contra Washington e Tóquio
Pequim também se protege contra os EUA e o rearmamento japonês. Ao fortalecer laços com Pyongyang, a China lembra a Washington que qualquer acordo requer o seu envolvimento. O pacto de segurança UE-Japão de 2025 incentivou Pequim a solidificar alianças.
A Contingência de Taiwan
A contingência de Taiwan é um fator crítico. Uma crise na Coreia sobrecarregaria os recursos dos EUA, reduzindo a capacidade de resposta em Taiwan. O CSIS alerta que a China pode ajudar a Coreia do Norte a expandir as suas forças para aumentar a ameaça aos EUA numa emergência dupla.
China Aceita Tacitamente o Estatuto Nuclear da Coreia do Norte
Durante a visita de Xi, a frase 'desnuclearização da Península Coreana' esteve ausente, sugerindo aceitação tácita do estatuto nuclear de Pyongyang. Embora Pequim não o reconheça formalmente, o silêncio remove um obstáculo diplomático, à semelhança do colapso do acordo nuclear com o Irão.
FAQ
Porque é que a China procura cooperação militar com a Coreia do Norte agora?
Para reduzir a influência russa, contrabalançar a pressão dos EUA e do Japão, e fortalecer a posição sobre Taiwan. Também sinaliza a Washington que qualquer acordo requer o envolvimento chinês.
O que acordaram Xi e Kim em junho de 2026?
Expandir a cooperação em comércio, agricultura, ciência, saúde, cultura e, pela primeira vez, assuntos militares, com ênfase na comunicação estratégica.
A China aceitou a Coreia do Norte como potência nuclear?
Pequim abandonou o apelo à desnuclearização, indicando aceitação tácita. Não reconheceu formalmente, mas a omissão é vista como mudança de política.
Como isto afeta os EUA e aliados?
Um eixo militar sino-norte-coreano mais forte complica a dissuasão dos EUA, aumenta o risco de crise de duas frentes e pressiona Japão e Coreia do Sul a aprofundarem a defesa.
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