Principais Descobertas da Pesquisa de 2026
A pesquisa, realizada entre fevereiro e maio de 2026, constatou que 89% dos gestores de reservas esperam que as reservas globais de ouro dos bancos centrais aumentem nos próximos 12 meses. Nenhum dos entrevistados indicou planos de reduzir suas reservas. Os bancos centrais de mercados emergentes continuam liderando, mas o interesse está se ampliando: 18% dos bancos centrais de economias avançadas também planejam adicionar ouro.
As principais motivações para manter ouro incluem: diversificação de reservas (citado por 91% dos bancos compradores), desempenho do ouro durante crises (recorde de 90%), hedge contra inflação (78%) e preocupações com economias de moedas de reserva (65%). A pesquisa também revelou que 73% dos entrevistados esperam que a participação do dólar americano nas reservas globais decline nos próximos cinco anos, com ouro e outras moedas preenchendo a lacuna.
Principais Compradores de Bancos Centrais em 2025-2026
Os bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro anualmente por três anos consecutivos (2022-2024). Em 2025, as compras líquidas totalizaram 863 toneladas, ainda bem acima da média anual de 473 toneladas de 2010-2021. As compras de ouro do Banco Nacional da Polônia lideraram, com 102 toneladas adicionadas para atingir 550 toneladas totais, com meta de 700 toneladas. Outros grandes compradores incluem: Banco Nacional do Cazaquistão (+57 t), Banco Central do Brasil (+43 t, reentrando após 2021), Banco Popular da China (+27 t, total de 2.307 t), Banco Central da Turquia (+26 t) e SOFAZ do Azerbaijão (+38 t). Compras não reportadas representaram 57% do total anual, sugerindo acumulação real maior.
Aumento do Preço do Ouro e Impacto no Mercado
Os preços do ouro dispararam para níveis recordes, impulsionados por compras sustentadas de bancos centrais e demanda de porto seguro. Em 2025, o ouro ganhou 64% — seu maior aumento anual desde 1979 — e subiu acima de US$ 5.100 por onça troy no início de 2026. Em meados de 2026, o ouro à vista é negociado em torno de US$ 4.800, com analistas do Goldman Sachs, ICBC Standard Bank e MKS PAMP prevendo preços entre US$ 4.900 e US$ 7.150. O rali foi alimentado por múltiplos fatores: compras de bancos centrais bem acima das médias de longo prazo, enfraquecimento do dólar, tensões geopolíticas e fluxos recordes para ETFs. A demanda de investimento aumentou 84% ano a ano em 2025, enquanto os ETFs de ouro chineses tiveram entradas trimestrais recordes.
Fatores Geopolíticos e Desdolarização
A pesquisa destaca uma mudança estratégica na gestão de reservas. Os bancos centrais estão cada vez mais armazenando ouro domesticamente — agora 9% das reservas versus 5% um ano antes — e distribuindo reservas por múltiplos locais para mitigação de riscos. Fatores políticos, incluindo sanções e pontos críticos geopolíticos, desempenham um papel determinante. A tendência de desdolarização entre bancos centrais está se acelerando, com 73% dos entrevistados esperando uma menor participação do dólar em cinco anos.
"Os bancos centrais estão reavaliando suas estratégias de reservas diante da incerteza geopolítica e da mudança do cenário monetário global", disse um porta-voz do WGC. "O desempenho do ouro durante crises e seu papel como diversificador de portfólio o tornam um ativo cada vez mais atraente."
O impacto das sanções nas reservas de ouro russas também reformulou o pensamento dos bancos centrais. A Rússia começou a vender ouro físico de seu Fundo Nacional de Bem-Estar no final de 2025, enquanto outras nações aceleraram as compras.
Perspectivas para o Ouro e Demanda dos Bancos Centrais
Olhando para o futuro, a persistente incerteza econômica e geopolítica deve sustentar a demanda dos bancos centrais por ouro até 2027. O WGC observa que a ampliação do interesse dos compradores — de mercados emergentes para economias avançadas — sugere uma mudança estrutural, e não cíclica. Os principais riscos incluem uma possível reversão no comportamento de compra dos bancos centrais, que poderia remover o suporte fundamental de preços, e o impacto dos altos preços na demanda de joias no varejo. No entanto, com o ouro ultrapassando recentemente os títulos do Tesouro dos EUA como o maior ativo de reserva do mundo em algumas métricas, e com um número recorde de bancos centrais planejando expandir suas reservas de ouro, o ímpeto parece firmemente consolidado.
Perguntas Frequentes
O que é a Pesquisa de Bancos Centrais do World Gold Council?
A Pesquisa de Reservas de Ouro de Bancos Centrais do WGC é uma pesquisa anual com gestores de reservas de bancos centrais que acompanha suas participações em ouro, intenções de compra e visões sobre o ouro como ativo de reserva. A pesquisa de 2026 obteve um recorde de 76 respostas.
Por que os bancos centrais estão comprando tanto ouro?
Os bancos centrais estão comprando ouro principalmente para diversificação de reservas, proteção durante crises, hedge contra inflação e como proteção contra o declínio do dólar. Tensões geopolíticas e sanções também aceleraram a tendência.
Quanto ouro os bancos centrais compraram em 2025?
Os bancos centrais compraram 863 toneladas de ouro em 2025, abaixo de mais de 1.000 toneladas em cada um dos três anos anteriores, mas ainda bem acima da média histórica de 473 toneladas.
Qual é o preço atual do ouro?
Em meados de 2026, o ouro é negociado em torno de US$ 4.800 a US$ 5.100 por onça troy, subindo de aproximadamente US$ 2.000 no início de 2024. O preço mais que dobrou em três anos.
Quais países detêm as maiores reservas de ouro?
Os Estados Unidos detêm as maiores reservas de ouro (mais de 8.100 toneladas), seguidos pela Alemanha (3.355 t), FMI (2.814 t), Itália (2.452 t), França (2.436 t), China (2.307 t) e Rússia (2.333 t).
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