Dólar em reservas abaixo de 57%: Desdolarização 2026

Queda do dólar para 56,77% das reservas globais em 2025, mínima de 30 anos. Bancos centrais compraram 863 toneladas de ouro. BRICS Pay lança em 2026. Entenda o impacto da desdolarização.

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A participação do dólar americano nas reservas cambiais globais caiu abaixo de 57% pela primeira vez desde 1995, segundo dados do COFER do FMI do final de 2025. Simultaneamente, as reservas de ouro dos bancos centrais superaram as detenções de títulos do Tesouro dos EUA no início de 2026, marcando uma mudança histórica na ordem monetária global. Este artigo analisa os impulsionadores estruturais da desdolarização — incluindo sistemas de pagamento alternativos do BRICS, acordos comerciais bilaterais liderados pela China em moedas locais e as consequências geopolíticas do congelamento das reservas russas — e avalia o que uma paisagem de moedas de reserva multipolar significa para a estabilidade financeira global, a dinâmica da inflação e os custos de endividamento dos EUA.

Os Dados: Mínimo de Décadas para o Dólar

O conjunto de dados COFER do FMI mostra que a participação do dólar foi de 56,77% no quarto trimestre de 2025, uma queda de 9,5 pontos percentuais desde 2015 e de 71% em 2000. O euro permanece estável em cerca de 20%, enquanto o yuan chinês estagnou perto de 2%. A categoria 'outras' moedas subiu para aproximadamente 10%. Enquanto isso, o Conselho Mundial do Ouro relata que a demanda global por ouro ultrapassou 5.000 toneladas em 2025, com compras de bancos centrais de 863 toneladas. O Banco Nacional da Polônia foi o maior comprador pelo segundo ano consecutivo, adicionando 102 toneladas. China, Índia e Turquia representaram cerca de 42% das compras totais. As nações do BRICS+ agora detêm 17,4% das reservas globais de ouro, ante 11,2% em 2019. Essa mudança estrutural começou em 2022 após o congelamento das reservas russas, acelerando