O consumo global de eletricidade dos data centers deve ultrapassar 1.000 TWh até 2026, impulsionado pela inteligência artificial. Ainda assim, até 50% dos projetos planejados enfrentam atrasos devido à escassez de capacidade da rede e prazos de transformadores que chegam a três a cinco anos. As grandes tecnológicas respondem com nuclear, geração atrás do medidor e gás natural — remodelando a competitividade nacional e o ritmo da IA.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), os data centers consumiram 460 TWh em 2022 e podem atingir entre 650 e 1.050 TWh em 2026. O Goldman Sachs prevê que a demanda nos EUA suba de 31 GW em 2025 para 66 GW em 2027. A capacidade da rede — e não os chips — tornou-se a restrição vinculativa ao crescimento da IA.
Por que a rede é o gargalo
O problema combina infraestrutura envelhecida e escassez na cadeia de suprimentos. Os prazos de grandes transformadores chegam a 128 semanas, e as filas de interligação nos EUA exigem de quatro a sete anos. Os desenvolvedores correm para implantar racks Nvidia Blackwell de 120–130 kW — contra 40 kW de uma geração atrás.
O Goldman Sachs alerta que apenas 72% dos projetos agendados entram em operação no prazo; após escassez de mão de obra, espera '~60% da capacidade do próximo ano, caindo para ~50% em dois anos'. Mais de 36 projetos, no valor de 162 mil milhões de dólares, foram adiados por gargalos de interligação e transformadores.
Resposta das Big Techs: nuclear, atrás do medidor e gás
Diante de uma rede incapaz de acompanhar, as hyperscalers saem da rede. A Microsoft assinou um acordo de 16 mil milhões de dólares para reiniciar o reator de 835 MW de Three Mile Island até 2027; a Google comprometeu-se com reatores modulares da Kairos Power; e a Amazon investiu 700 milhões na X-energy. No total, foram comprometidos cerca de 9,8 GW nucleares.
Como os prazos nucleares são longos, a geração atrás do medidor tornou-se a solução imediata. A Bloom Energy garantiu 7,65 mil milhões em células de combustível implantáveis em 55–90 dias, enquanto centrais a gás no local contornam a rede em 18 meses. Uma decisão da FERC em 2024 rejeitou o plano da Amazon na central de Susquehanna, mas o modelo persiste em Ohio, Texas e Virgínia.
Impacto na fiabilidade e na competitividade
O Goldman Sachs aponta as regiões Mid-Atlantic, Mid-Continent e Noroeste dos EUA como as de maior risco de fiabilidade da rede, enquanto Texas e Geórgia são mais estáveis. O leilão da PJM de dezembro de 2025 atingiu o teto de 333,44 dólares por MW-dia, somando cerca de 21 mil milhões em custos que recairão sobre os consumidores.
O crescimento da infraestrutura de IA depende cada vez mais da capacidade de um país fornecer eletricidade, não apenas semicondutores. Países com licenciamento mais rápido e fabrico doméstico de transformadores — China e partes do Oriente Médio — podem ganhar vantagem.
O que vem a seguir
2026 será o ano em que a energia, e não os chips, define o ritmo da IA. Esperam-se mais centrais a gás e células de combustível, licenciamento acelerado de reatores modulares e investimento em tecnologias que reforçam a rede. A eficiência ajuda, mas não elimina a necessidade de nova geração.
Perguntas frequentes
Quanta eletricidade os data centers usarão em 2026?
Entre 650 e 1.050 TWh globalmente, contra 460 TWh em 2022, segundo a AIE.
Por que os prazos dos transformadores são tão longos?
Faltam aço elétrico de grão orientado, mão de obra qualificada e capacidade fabril; os prazos chegam a 128 semanas ou mais.
O que é geração atrás do medidor?
São centrais no local — turbinas a gás ou células de combustível — que alimentam o data center diretamente, evitando a rede pública e os atrasos de interligação.
Quais regiões dos EUA enfrentam maior risco?
Mid-Atlantic, Mid-Continent e Noroeste, segundo o Goldman Sachs; Texas e Geórgia são mais estáveis.
Os acordos nucleares resolvem o gargalo?
Oferecem energia limpa a longo prazo, mas a maioria dos reatores só entra em operação em 2030 ou depois. O alívio imediato vem do gás, das células de combustível e da eficiência.
Follow Discussion