Lei do Acelerador Industrial: aposta da UE contra a China

A Lei do Acelerador Industrial da UE fixa meta de 20% do PIB até 2035 com regras Made in EU. China ameaça retaliação contra o défice de 360 mil milhões de euros

Lei do Acelerador Industrial: aposta da UE contra a China
Partilhar
Partilhar este artigo Escolha uma rede ou aplicação no seu dispositivo.
E-mail

Edicao: PT

Bruxelas. Em 4 de março de 2026, a Comissão Europeia propôs a Lei do Acelerador Industrial (LAI), um pacote de 200 mil milhões de euros para elevar a indústria a 20% do PIB da UE até 2035. A proposta visa o excesso de capacidade da China em baterias, veículos elétricos, fotovoltaico e matérias-primas críticas. Em 24 de abril, Pequim ameaçou retaliação, chamando-a de “discriminação sistémica”.

O que é a Lei do Acelerador Industrial?

A LAI assenta em três pilares: rastreio do investimento direto estrangeiro (IDE) acima de 100 milhões de euros em sete setores; preferências Made in EU na contratação pública; e transferência de tecnologia ou joint ventures. O capital estrangeiro é limitado a 49% para empresas de países com mais de 40% da capacidade mundial — essencialmente a China. O pacote complementa o Pacto Ecológico Europeu e a legislação de 2024 sobre indústria de impacto zero.

Por que a China fala em “discriminação sistémica”

Pequim afirma que a lei viola as regras da OMC. “A China não terá alternativa senão tomar contramedidas se as ações europeias lesarem os direitos legítimos das empresas chinesas”, advertiu o ministério. Analistas apontam ironia: Pequim contesta os mesmos mecanismos de conteúdo local e limites de capital que usou contra europeus, ecoando as exigências de conteúdo local chinesas.

Da redução de riscos à confrontação: défice de €360 mil milhões

A LAI sinaliza o abandono do modelo de redução de riscos sem desacoplamento. O défice comercial da UE com a China atingiu quase €360 mil milhões em 2025; o excedente chinês foi recorde de $148 mil milhões no início de 2026. A indústria europeia caiu de 14,3% do PIB em 2024 e a China domina 80% das baterias de iões de lítio. O Conselho Europeu decide a posição final em junho.

O que a LAI significa para os setores-chave

Quatro cadeias de valor são prioritárias. Eis as medidas:

SetorMedidasDomínio chinês
Baterias70% de componentes UE em VEs; saída em 3 anos~80% da produção
Veículos elétricosPreferência Made in EUImportações recorde
FotovoltaicoQuotas locais e baixo carbono~80% dos módulos
Matérias-primas críticasTransferência de tecnologia e joint venturesLiderança no refino

Baterias e veículos elétricos

Os fabricantes terão de obter 70% de componentes europeus para aceder a contratos públicos. A LAI impõe ainda a eliminação progressiva de insumos extra-UE em três anos.

Fotovoltaico e matérias-primas críticas

O solar favorece módulos fabricados na UE e conteúdo local. Já as matérias-primas críticas envolvem transferência tecnológica, atingindo as cadeias de fornecimento de matérias-primas críticas.

O que vem a seguir: impacto e perspetivas

O Parlamento Europeu prepara relatório para setembro. Estados-membros divergem: Alemanha e França querem linha dura; outros temem retaliação. Se aprovada, a LAI pode reconfigurar o mercado de veículos elétricos da UE e forçar a produção chinesa para a Europa.

FAQ

O que é a LAI? Proposta de 2026 para elevar a indústria a 20% do PIB da UE até 2035, com rastreio de IDE, Made in EU e transferência de tecnologia.

Por que a China ameaça contramedidas? Considera a lei “discriminação sistémica” e violação das regras da OMC.

Que setores abrange? Baterias, veículos elétricos, fotovoltaico, matérias-primas críticas, aço, alumínio e cimento.

Quando será finalizada? O Conselho Europeu define posição em junho; o relatório do Parlamento sai em setembro de 2026.

Diferença para a redução de riscos? A LAI avança para desacoplamento seletivo com restrições de conteúdo local e de capital.

Estreitamente relacionado