Ebola na RD Congo: OMS eleva risco para 'muito alto'

OMS eleva risco de Ebola na RD Congo para 'muito alto' com a rara cepa Bundibugyo. 177 mortes suspeitas, 82 casos confirmados. Oxford acelera desenvolvimento de vacina.

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OMS eleva risco de Ebola para 'muito alto' na RD Congo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do surto de Ebola em curso na República Democrática do Congo (RDC) de 'alto' para 'muito alto' em nível nacional. A decisão, anunciada em 22 de maio de 2026, reflete a rápida propagação da rara cepa do ebolavírus Bundibugyo, que não possui vacina aprovada ou tratamento específico. A OMS continua avaliando o risco regional como 'alto' e o risco global como 'baixo'.

Segundo o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, há 82 casos confirmados e 177 mortes suspeitas na RDC, com dois casos confirmados e uma morte na vizinha Uganda. O surto foi declarado Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional na semana passada. "Estamos atrasados em relação a este surto para realmente controlá-lo", disse Anne Ancia, representante da OMS na RDC.

O que é a cepa Bundibugyo do Ebola?

O ebolavírus Bundibugyo é uma das seis espécies conhecidas de ebolavírus e foi identificado pela primeira vez em Uganda em 2007. Ao contrário do ebolavírus Zaire, mais comum — para o qual existem vacinas e tratamentos —, o Bundibugyo não possui vacina licenciada ou terapia antiviral. Sua taxa de letalidade varia de 25% a mais de 40%, representando uma ameaça significativa à saúde pública.

A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados ou materiais contaminados. Práticas funerárias tradicionais, que envolvem lavar os mortos, têm sido associadas a muitas novas infecções. A variante do ebola Bundibugyo é particularmente preocupante porque as vacinas existentes contra o Ebola não a protegem.

Medidas de emergência: proibição de enterros e desafios de segurança

Em resposta à crise crescente, as autoridades da província de Ituri — epicentro do surto — proibiram reuniões fúnebres e limitaram as assembleias públicas a 50 pessoas. Apenas equipes médicas treinadas podem transportar corpos de suspeitas de vítimas de Ebola. As medidas ocorrem após um incidente violento em Rwampara, onde parentes de uma suposta vítima incendiaram um centro de tratamento de Ebola ao tentar recuperar o corpo.

A segurança continua sendo um grande obstáculo. Grandes partes do leste da RDC estão sob controle de grupos armados rebeldes, incluindo o M23, apoiado por Ruanda. "A violência e a insegurança estão prejudicando a resposta", escreveu o Dr. Tedros no X. O deslocamento de centenas de milhares de pessoas aumenta o risco de maior propagação. A crise humanitária na RD Congo agravou as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde.

Universidade de Oxford corre para desenvolver vacina

Cientistas da Universidade de Oxford estão desenvolvendo urgentemente uma vacina direcionada à cepa Bundibugyo. Usando a mesma tecnologia de vetor viral ChAdOx1 que fundamentou a vacina Oxford-AstraZeneca contra a COVID-19, o candidato — chamado ChAdOx1 BDBV — está passando por testes em animais nas instalações de biofabricação clínica de Oxford. O Instituto Serum da Índia foi escalado para produção em massa.

Segundo a BBC, a vacina pode estar pronta para ensaios clínicos em dois a três meses. No entanto, ainda não há dados de eficácia em animais. Outra vacina experimental contra o Bundibugyo está em desenvolvimento, mas não deve ser testada por seis a nove meses. O desenvolvimento da vacina contra Ebola em Oxford é visto como um passo crítico para preencher a lacuna na preparação global para surtos.

Impacto e implicações

O surto ocorre em meio a uma grave crise humanitária no leste da RDC, onde milhões já enfrentam insegurança alimentar e deslocamento. A OMS alertou que o número real de casos provavelmente é maior do que o relatado, já que a vigilância é limitada em zonas de conflito. Países vizinhos, incluindo Ruanda, Burundi e Sudão do Sul, estão em alerta máximo.

O impacto econômico também é significativo. As operações de mineração na região — fonte importante de cobalto e coltan — podem ser interrompidas com as medidas de quarentena. Restrições comerciais e avisos de viagem podem sobrecarregar ainda mais a economia local.

Perguntas Frequentes

O que é Ebola?

A doença do vírus Ebola (EVD) é uma doença grave, muitas vezes fatal em humanos. Os sintomas incluem febre, forte dor de cabeça, dores musculares, vômitos, diarreia e, em alguns casos, sangramento interno e externo. O vírus se espalha pelo contato direto com fluidos corporais.

Como a cepa Bundibugyo é diferente?

Bundibugyo é uma espécie distinta de ebolavírus com uma taxa de letalidade de 25–40%. Ao contrário da cepa Zaire, não há vacina licenciada ou tratamento específico para Bundibugyo.

Há risco de propagação global?

A OMS avalia o risco global como baixo. No entanto, o risco regional é alto e a transmissão transfronteiriça continua sendo uma preocupação.

O que está sendo feito para parar o surto?

As autoridades implementaram proibição de enterros, rastreamento de contatos e medidas de isolamento. A Universidade de Oxford está acelerando o desenvolvimento de uma vacina, e a OMS enviou equipes de emergência para as áreas afetadas.

As vacinas existentes contra o Ebola funcionam?

Não. As vacinas existentes têm como alvo o ebolavírus Zaire e não são eficazes contra o Bundibugyo. Uma nova vacina é urgentemente necessária.

Fontes

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