A liberdade de imprensa no Egito sofreu novo golpe esta semana: Lina Attalah, editora-chefe do site independente Mada Masr, foi libertada em 27 de outubro de 2026 após pagar multa de cerca de 50 mil euros (3 milhões de libras egípcias, aproximadamente 53.400 dólares). Um tribunal de contravenções do Novo Cairo a condenou por operar um site sem licença e ordenou o fechamento do veículo, com confisco de equipamentos, provocando condenação imediata de organizações de direitos humanos.
Quem é Lina Attalah e o que é o Mada Masr?
Attalah é jornalista premiada e cofundadora do Mada Masr, lançado em 2013 e visto como o último bastião do jornalismo crítico no país. A revista Time a incluiu entre as 100 pessoas mais influentes em 2020, ano em que recebeu o Prêmio Knight de Jornalismo Internacional. O site publica em inglês e árabe sobre temas politicamente sensíveis e está bloqueado no Egito desde 2017, embora siga acessível no exterior e via VPN.
O caso integra um amplo cerco à mídia no Egito que há anos atinge veículos independentes. O Mada Masr afirma ter pedido licença em 2018 e 2020 sem obter resposta, enquanto uma recusa de 2022 nunca foi explicada, segundo a Anistia Internacional.
O que aconteceu no tribunal?
Attalah foi detida na sala imediatamente após a sentença. A audiência foi acelerada e realizada a portas fechadas; segundo relato do próprio Mada Masr, o juiz esvaziou a sala, rejeitou todas as questões processuais da defesa — inclusive pedidos de apresentar provas e ouvir testemunhas — e substituiu sua advogada contra a sua vontade. O tribunal a condenou com base no Artigo 105 da lei de regulação de mídia de 2018, aplicando a multa máxima e ordenando o fechamento do site.
O pesquisador Bassam Khawaja, da Human Rights Watch, chamou a condenação de uma completa farsa judicial e acusou o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi de tentar eliminar a mídia independente. Yasmine Ahmed, da Anistia Internacional, classificou o veredicto como um golpe devastador à liberdade de imprensa.
A crise da liberdade de imprensa no Egito em 2026
O Egito ocupa o 169º lugar entre 180 países no índice de liberdade de imprensa de 2026 dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com nota de apenas 24,92. Ao menos 18 jornalistas estavam detidos no último relatório da RSF, e a maioria dos veículos mantém laços estreitos com o Estado. O veredicto contra Attalah segue a detenção, no mês passado, de seis jornalistas de uma plataforma de investigação, evidenciando como a liberdade de imprensa no Egito em 2026 continua a se deteriorar.
Attalah também soube que fora condenada à revelia em 2024 a um ano de prisão por acusações separadas, com novo julgamento marcado para 11 de novembro de 2026. Sua equipe jurídica e colegas prometeram continuar reportando apesar da ordem de fechamento, e o Sindicato dos Jornalistas afirmou que recorrerá.
O que o veredicto significa para o jornalismo independente
O fechamento do Mada Masr elimina uma das últimas vozes independentes dentro do Egito e cria um precedente perigoso para a liberdade de mídia na região. Diferentemente do jornalismo independente sob regimes autoritários em alguns países vizinhos, a lei de licenciamento egípcia tem sido usada para silenciar a dissidência, não para regular a mídia. Grupos internacionais de defesa da imprensa pedem que governos ocidentais condenem a repressão e pressionem o Cairo a anular a decisão.
Perguntas frequentes
Por que Lina Attalah foi presa?
Ela foi condenada por operar o Mada Masr sem licença e detida no tribunal até pagar a multa de 50 mil euros; foi libertada após o pagamento.
Qual foi o valor da multa?
O tribunal aplicou a multa máxima de 3 milhões de libras egípcias, cerca de 50 mil euros ou 53.400 dólares.
O Mada Masr continua online?
O site segue acessível fora do Egito e via VPN, mas a corte ordenou seu fechamento e o confisco dos equipamentos.
Qual é a posição do Egito no ranking de liberdade de imprensa?
O país ocupa o 169º lugar entre 180 nações no índice de 2026 da RSF.
O que acontece agora?
Attalah enfrenta novo julgamento em 11 de novembro de 2026, referente a uma pena de um ano à revelia de 2024, e o Mada Masr planeja recorrer.
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