Lei de Uso da Força Policial na França: Protestos

Milhares protestaram na França em 20 de setembro de 2026 contra o projeto de lei de uso da força policial, chamado de licença para matar. Entenda a votação.

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Edicao: PT

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em toda a França em 20 de setembro de 2026 para protestar contra um polêmico projeto de lei sobre uso da força policial, que críticos dizem conceder aos agentes uma 'licença para matar'. Cerca de 100 manifestações ocorreram em cidades como Paris, Marselha, Lyon, Lille e Toulouse, enquanto os opositores tentavam impedir que o Senado francês aprovasse a legislação já aprovada pela Assembleia Nacional em julho.

O que é o projeto de lei francês sobre uso da força?

O texto daria a policiais e gendarmes uma presunção legal de legítima defesa sempre que usarem a força, inclusive armas de fogo. Na prática, um agente que dispara seria presumido ter agido legalmente, a menos que provas indiquem o contrário, transferindo o ônus da prova para longe da polícia durante as investigações. Defensores afirmam que a medida protege agentes de serem tratados automaticamente como suspeitos após cada intervenção. O debate sobre a reforma policial francesa se intensificou desde julho de 2026, e o Senado deve votar nas próximas semanas.

Por que os críticos falam em 'licença para matar'?

Organizações de direitos humanos, políticos de esquerda e sindicatos de magistrados argumentam que o projeto enfraquece a responsabilização e pode tornar quase impossível processar abusos policiais. 'A proposta foi desenhada para inverter o ônus da prova', disse Amal Bentousi, presente à manifestação em Paris. Seu irmão foi baleado nas costas por um policial em 2012, durante um assalto em Seine-Saint-Denis.

Um integrante da Anistia Internacional declarou ao Le Monde durante a marcha em Marselha: 'Tememos que a violência policial aumente ainda mais por causa desta lei. Num país onde a má conduta policial está entre os problemas mais comuns, ela ameaça piorar a situação.'

Mathilde Panot, do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), disse à multidão em Paris: 'A polícia já mata.' Ela pediu que os senadores rejeitem o texto.

Qual foi o tamanho das manifestações?

Organizadores relataram cerca de 100 concentrações pelo país, com dezenas de milhares de participantes. Estimativas policiais apontam 4.500 pessoas em Lyon e 3.700 em Toulouse, além de milhares em Paris. Uma petição online contra o projeto reuniu cerca de 730 mil assinaturas, embora uma comissão parlamentar a tenha rejeitado em julho.

Os protestos por responsabilização policial na França ficaram violentos em Rennes, onde cerca de 2.000 manifestantes se reuniram. Três policiais ficaram feridos após o lançamento de projéteis e oito pessoas foram detidas. O ministro do Interior, Nuñez, havia pedido vigilância às forças de segurança.

O que acontece agora no Senado?

O projeto enfrenta uma votação decisiva no Senado francês. Se aprovado, virará lei apesar da oposição generalizada da sociedade civil, incluindo a Liga dos Direitos Humanos. Separadamente, uma investigação judicial foi aberta na semana passada sobre um agente em Carcassonne que empurrou violentamente um homem ao chão no fim de junho; a vítima morreu depois.

Opositores dizem que o momento da votação no Senado sobre a força policial pode inflamar ainda mais as tensões, sobretudo em bairros populares. 'Não à licença para matar, não à impunidade', disse um dos fundadores da associação Stop aux violences d'État, citando nomes de jovens mortos por disparos policiais.

Perguntas frequentes

O que o projeto muda?

Cria a presunção de que policiais e gendarmes agiram em legítima defesa ao usar a força, transferindo o ônus da prova.

Por que é chamado de 'licença para matar'?

Críticos dizem que a presunção dificulta investigar e processar a violência policial, gerando impunidade.

Quando o Senado vota?

A votação é esperada nas próximas semanas, após a aprovação pela Assembleia Nacional em julho de 2026.

Quantas pessoas protestaram?

Dezenas de milhares participaram de cerca de 100 manifestações, com estimativas de 4.500 em Lyon e 3.700 em Toulouse.

Houve confrontos?

Sim, em Rennes três policiais ficaram feridos após projéteis serem lançados e oito pessoas foram detidas.

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