Magnata da mídia condenado a vinte anos de prisão em Hong Kong
Em uma decisão histórica que provocou condenação internacional, o Tribunal Superior de Hong Kong condenou o magnata da mídia Jimmy Lai, de 78 anos, a 20 anos de prisão por conspiração com potências estrangeiras e publicação de material sedicioso. O fundador do extinto jornal pró-democracia Apple Daily recebeu o que muitos observadores consideram uma sentença de prisão perpétua, dada sua idade avançada e saúde debilitada.
O processo e as acusações
Lai, cidadão britânico, foi condenado sob a Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, imposta por Pequim ao território em 2020. Os promotores alegaram que Lai usou seu império midiático para incitar ódio contra as autoridades chinesas e colaborou com políticos estrangeiros para minar a estabilidade de Hong Kong. 'Esta é uma perseguição política, não jurídica,' declarou Lai durante seu julgamento, mantendo sua inocência.
O caso centrou-se no conteúdo editorial do Apple Daily, que frequentemente criticava tanto as autoridades chinesas quanto as de Hong Kong. O jornal foi forçado a encerrar suas operações em 2021 depois que as autoridades congelaram seus ativos e prenderam vários executivos. Seis ex-colegas do Apple Daily também receberam sentenças que variam de 6 anos e 9 meses a 10 anos em casos relacionados.
Preocupações com a saúde e reação internacional
A família de Lai expressou sérias preocupações com sua saúde em deterioração. O septuagenário sofre de arritmia cardíaca, hipertensão e diabetes, condições pelas quais seus advogados pediram clemência. O tribunal, no entanto, rejeitou esses argumentos, afirmando que sua condição médica não justificava uma pena reduzida.
Organizações internacionais de direitos humanos condenaram a sentença. 'Esta pena draconiana representa um golpe devastador para a liberdade de imprensa em Hong Kong,' disse um porta-voz da Repórteres Sem Fronteiras. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia emitiram declarações expressando preocupação com a erosão das liberdades civis em Hong Kong.
Contexto histórico
A jornada de Jimmy Lai, de empresário de sucesso a preso político, reflete a dramática transformação de Hong Kong desde os protestos pró-democracia de 2019. Nascido em 1947, Lai fundou tanto a rede de varejo de roupas Giordano quanto a empresa de mídia Next Digital antes de lançar o Apple Daily em 1995. O jornal ficou conhecido por sua cobertura crítica de Pequim e apoio a reformas democráticas.
A Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, implementada em junho de 2020, alterou fundamentalmente o cenário jurídico do território. A lei criminaliza atos de secessão, subversão, terrorismo e conspiração com potências estrangeiras, com penas de até prisão perpétua. Desde sua implementação, Hong Kong caiu do 73º para o 140º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras.
Procedimentos legais e recursos futuros
Lai já cumpria uma sentença de 5 anos e 9 meses por fraude e participação em reuniões não autorizadas quando recebeu esta pena adicional de 20 anos. Seus advogados indicaram que recorrerão da sentença, embora não tenham fornecido detalhes específicos sobre sua estratégia legal.
O caso tornou-se um ponto de discórdia diplomática entre a China e os países ocidentais. O ex-presidente americano Donald Trump havia prometido anteriormente libertar Lai se fosse reeleito, o que poderia tornar o destino do magnata da mídia um tema de negociações internacionais.
Fontes
AP News: Jimmy Lai condenado a 20 anos
New York Times: Magnata da mídia de Hong Kong condenado
CNN: Jimmy Lai recebe pena de 20 anos
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