Greve de fome histórica encerrada após demanda atendida
Três ativistas pró-Palestina no Reino Unido encerraram sua greve de fome de 73 dias, marcando um dos protestos mais longos desse tipo na história britânica desde os anos 80. Kamran Ahmed, Heba Muraisi e Lewie Chiaramello suspenderam sua ação após o governo britânico decidir não conceder um contrato de defesa de 2 bilhões de libras (2,3 bilhões de euros) à fabricante de armas israelense Elbit Systems, uma de suas principais demandas.
A luta e as exigências dos ativistas
Os ativistas, que já estão há mais de um ano em prisão preventiva, iniciaram sua greve de fome em 2 de novembro em protesto contra sua detenção prolongada e o que descrevem como perseguição política. De acordo com a organização Prisoners for Palestine, alguns ativistas enfrentaram riscos de saúde com risco de vida durante o protesto. 'Esta foi a greve de fome mais longa no Reino Unido desde os anos 80, e alguns correram risco de morte,' declarou a organização.
O grupo foi preso por supostamente ter invadido a sede da Elbit Systems em Bristol em 2024 e invadido uma base da RAF em Oxfordshire no ano passado. Eles acusam o governo britânico de apoiar Israel durante a guerra em Gaza por meio de contratos militares com empresas como a Elbit Systems.
Elbit Systems: Um contratante de defesa controverso
A Elbit Systems Ltd. é uma empresa internacional de tecnologia militar e contratante de defesa sediada em Israel que enfrenta protestos crescentes globalmente devido ao seu papel no fornecimento de equipamentos para o exército israelense. De acordo com a Wikipedia, a empresa é o principal fornecedor de equipamentos terrestres e veículos aéreos não tripulados para o exército israelense, com subsidiárias em todo o mundo, incluindo no Reino Unido e nos EUA.
As exigências dos ativistas iam além do cancelamento do contrato. Eles pediam fiança imediata, um julgamento justo, o fechamento de todas as instalações da Elbit Systems no Reino Unido e a revogação da proibição da Palestine Action - o grupo de ação ao qual estão ligados.
Palestine Action: De grupo de protesto a organização terrorista
A Palestine Action, fundada em 2020, está no centro da controvérsia desde julho de 2025, após ser banida e colocada em uma lista de terrorismo pelo governo britânico. De acordo com a BBC News, parlamentares votaram esmagadoramente (385 a 26) para proibir o grupo sob a Lei do Terrorismo de 2000, tornando o apoio à organização punível com até 14 anos de prisão.
O escritório de direitos humanos das Nações Unidas condenou a proibição como um 'uso preocupante da legislação antiterrorismo' que poderia suprimir atividades legítimas de protesto. Organizações de direitos humanos criticam a abordagem do governo, argumentando que ela mina direitos fundamentais, incluindo liberdade de expressão e reunião.
Contexto legal e prisão preventiva
A detenção prolongada dos ativistas destaca preocupações sobre o sistema britânico de prisão preventiva. De acordo com a lei britânica, suspeitos podem ser mantidos em prisão preventiva por até seis meses (182 dias) para crimes processáveis apenas por acusação, conforme as diretrizes do Ministério Público. O julgamento dos ativistas só é esperado para junho, o que significa que eles teriam passado mais de 18 meses em detenção antes de seu caso ser ouvido.
Quatro outros ativistas detidos já haviam encerrado suas greves de fome anteriormente, enquanto um oitavo ativista retomou o jejum no fim de semana, indicando tensões contínuas dentro do movimento de protesto.
Implicações mais amplas e protestos futuros
O fim desta greve de fome histórica representa uma vitória significativa para os ativistas, mas também levanta questões sobre a abordagem britânica ao protesto político e a relação com contratantes de defesa israelenses. Como declarou um representante ativista: 'Embora esses prisioneiros encerrem sua greve de fome, a resistência apenas começa.'
O caso continua a atrair atenção internacional para a interseção entre direitos humanos, protesto político e relações indústria-militar em democracias ocidentais.
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