Promotores sul-coreanos pedem pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk-yeol por declarar estado de sítio em 2024. Especialistas esperam prisão perpétua, já que a Coreia do Sul não executa ninguém desde 1997.
Passo jurídico histórico na crise política sul-coreana
Em uma escalada dramática da contínua agitação política na Coreia do Sul, promotores pediram a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk-yeol. Esta ação jurídica é inédita na história democrática do país. O tribunal em Seul confirmou que os promotores estão solicitando a pena capital para o líder deposto, que está sendo julgado por acusações de rebelião relacionadas à sua controversa declaração de estado de sítio em dezembro de 2024.
A crise do estado de emergência
O caso gira em torno da decisão de Yoon de declarar estado de sítio em 3 de dezembro de 2024 - a primeira vez desde o regime militar de Chun Doo-hwan em 1980. Em um discurso televisionado, Yoon dissolveu o parlamento e alegou que membros da oposição simpatizavam com a Coreia do Norte. A ação mergulhou o país em horas de caos enquanto tropas armadas cercaram o prédio do parlamento em Seul.
'Esta foi uma tentativa pacífica de chamar atenção para o perigo do parlamento controlado pela oposição,' Yoon insiste no julgamento, de acordo com documentos judiciais.
Precedentes jurídicos e realidade
Embora os promotores tenham feito o pedido extraordinário de pena de morte, especialistas jurídicos esperam que o tribunal provavelmente condene Yoon à prisão perpétua. A Coreia do Sul mantém um moratório informal sobre execuções desde 1998, com as últimas execuções ocorrendo em dezembro de 1997, quando 23 pessoas foram executadas. O país é agora categorizado pela Anistia Internacional como 'abolicionista na prática'.
'A probabilidade de esta sentença ser realmente aplicada não é muito alta,' observou a correspondente Gabi Verberg. 'A última vez que a Coreia do Sul executou a pena de morte foi há quase trinta anos.'
Múltiplas batalhas jurídicas
Este pedido de pena de morte representa o desenvolvimento mais grave em uma série de ações judiciais contra Yoon. Em dezembro de 2024, os promotores inicialmente pediram 10 anos de prisão por acusações que incluíam obstrução de tentativas de prisão. O ex-presidente está sendo julgado em oito processos separados sobre várias acusações criminais de seu tumultuado mandato.
Os problemas jurídicos de Yoon começaram imediatamente após sua declaração de estado de sítio, que anulou o parlamento em cenas dramáticas noturnas. Ele foi deposto e suspenso em dezembro de 2024, tornando-se em janeiro de 2025 o primeiro presidente em exercício na história sul-coreana a ser preso. O Tribunal Constitucional encerrou oficialmente sua presidência em abril de 2025.
Contexto político e opinião pública
O caso ocorre em um contexto de intensa polarização política na Coreia do Sul. Yoon, ex-procurador-chefe que desempenhou um papel fundamental na condenação das ex-presidentes Park Geun-hye e Lee Myung-bak, serviu como o 13º presidente do país de 2022 até sua deposição. Seu mandato foi marcado por baixos índices de aprovação e acusações de retrocesso democrático.
A opinião pública sobre a pena de morte permanece dividida na Coreia do Sul. Embora alguns cidadãos defendam a abolição, pesquisas recentes mostram apoio significativo à manutenção da pena de morte. Um projeto de lei de 2015 para abolir a pena de morte não foi aprovado.
O que vem a seguir
Espera-se que o tribunal de Seul emita um veredicto em fevereiro de 2026. Independentemente do resultado, o caso representa um marco na luta contínua da Coreia do Sul para equilibrar justiça, responsabilidade política e normas democráticas.
Yoon permanece preso, após ter sido recolocado em custódia em julho de 2025, depois de inicialmente aguardar seu julgamento em liberdade. Os promotores alegaram que ele destruiria evidências se fosse solto. O ex-presidente continua a negar todas as acusações e insiste que agiu dentro de sua autoridade presidencial para declarar estado de sítio durante o que ele considerava uma crise nacional.
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