Israel Demole Sede da UNRWA em Jerusalém Oriental Ocupada
Autoridades israelenses demoliram a sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental ocupada, em uma ação descrita por funcionários da ONU como um 'ataque sem precedentes' à organização internacional. A demolição ocorreu em 20 de janeiro de 2026, quando tropas israelenses cercaram o terreno no bairro de Sheikh Jarrah e usaram escavadeiras para destruir os edifícios.
Violando o Direito Internacional
O chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, condenou a ação como uma grave violação do direito internacional e dos privilégios da ONU. 'Isto representa um ataque sem precedentes às Nações Unidas e suas agências,' declarou Lazzarini em um comunicado oficial. 'As tropas israelenses ignoraram deliberadamente o direito internacional e a inviolabilidade dos terrenos da ONU.'
Os edifícios haviam sido desocupados no ano anterior, após Israel ordenar que a UNRWA deixasse o complexo, mas, segundo funcionários da organização, o local ainda era usado para armazenar bens humanitários destinados a Gaza e à Cisjordânia. As tropas israelenses também confiscaram equipamentos de guardas e os expulsaram do terreno.
Contexto Político e Marco Legal
A demolição segue a legislação israelense de 2024 que proibiu a UNRWA de operar no país após alegações de que a organização havia sido infiltrada pelo Hamas. O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou que a demolição estava de acordo com esta nova lei, alegando que a terra em território ocupado é considerada território israelense.
O ministro israelense de Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, esteve presente durante a demolição e a chamou de 'dia histórico.' Enquanto isso, o secretário-geral da ONU, António Guterres, havia alertado Israel no início deste mês de que poderia encaminhar o país ao Tribunal Internacional de Justiça (ICJ) se não revogasse a legislação contra a agência de ajuda.
Consequências Humanitárias
A UNRWA é uma das principais agências de ajuda aos palestinos, funcionando como uma linha de vida humanitária para milhões de pessoas. A organização tem cerca de 30.000 funcionários e fornece serviços essenciais, incluindo educação, saúde e ajuda de emergência a refugiados palestinos na região. De acordo com relatórios da ONU, este incidente representa uma escalada acentuada das tensões e segue outros ataques a instalações da UNRWA, incluindo o fechamento de um centro de saúde em 14 de janeiro.
A lei anti-UNRWA foi alterada em dezembro de 2025 para proibir água e eletricidade para instalações da UNRWA, e escritórios da UNRWA em Jerusalém Oriental foram apreendidos no mesmo mês. Conforme relatado pela Al Jazeera, esta escalada ocorre no contexto da abordagem mais ampla de Israel contra organizações humanitárias, que resultou na revogação de licenças para 37 grupos de ajuda, incluindo Médicos Sem Fronteiras e o Conselho Norueguês para Refugiados.
Reação Internacional e Implicações Futuras
A comunidade internacional expressou crescente preocupação com as consequências humanitárias das ações de Israel. Em uma carta enviada ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em 8 de janeiro, Guterres enfatizou que a ONU não pode mais ficar em silêncio sobre essas ações, que, segundo ele, violam o direito internacional e devem ser revertidas imediatamente. O secretário-geral também exigiu que Israel devolvesse as propriedades da UNRWA.
Este incidente ocorre no contexto de uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça em outubro de 2025, que determinou que 'Israel não fundamentou suas alegações de que uma parte significativa dos funcionários da UNRWA é membro do Hamas ou de outras facções terroristas,' de acordo com informações da Wikipedia sobre a história e controvérsias da organização.
A demolição da sede da UNRWA representa não apenas uma destruição física da infraestrutura humanitária, mas também um ataque simbólico às instituições internacionais que tentam fornecer ajuda em um dos conflitos mais duradouros do mundo.
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