A Europa Ocidental teve o junho-julho mais quente de sempre, com média de 21,62 °C, 2,79 °C acima do normal. O recorde supera 2022, num verão de ondas de calor, seca e impactos severos.
Um verão de calor implacável
O recorde não surpreendeu, após junho de 2026 ser o mais quente. A onda de calor europeia de junho de 2026 quebrou recordes em França, Inglaterra, Irlanda e Bélgica, com Paris a 40,9 °C. O calor acumulado manteve temperaturas elevadas em toda a região.
Seca e rios em mínimos históricos
A precipitação escassa deixou a maioria dos rios europeus com caudais muito abaixo da média. O Reno em Kaub desceu a 23 cm, reduzindo cargas em 80%. O Danúbio em Budapeste caiu para 10 cm, batendo 2018, e a central nuclear de Paks operou a 10%. Na Roménia, recorreu-se a explosivos para desviar água para reatores. A seca que afeta os rios europeus perturbou abastecimento, energia e irrigação, com perdas agrícolas de milhares de milhões de euros e centrais a carvão encerradas.
Incêndios florestais sem precedentes
O sul da Europa tornou-se um barril de pólvora. França ardeu mais de 116.000 hectares, recorde absoluto, e Espanha teve incêndios que queimaram 6.000 ha e deslocaram 63.000 pessoas. Mais de 300.000 evacuados na maior operação francesa desde a guerra. As ondas de calor causaram milhares de mortes, com um estudo a apontar 20.390 vítimas na semana de 22–28 de junho.
Oceanos e o fator El Niño
O calor estendeu-se ao mar. A temperatura média da superfície fora dos polos atingiu 20,96 °C em julho, recorde. O Mediterrâneo, em onda de calor marinha quase contínua, teve 80% da bacia sob condições extremas. O Mar do Norte também bateu marcas. O padrão climático El Niño acrescenta calor, podendo elevar as temperaturas globais para recordes em 2026/2027.
Perguntas frequentes
Porque é que junho-julho de 2026 foi tão quente?
Uma cúpula de calor persistente desde maio, combinada com solos secos e o aquecimento de fundo das alterações climáticas, resultou no período mais quente, com desvio de 2,79 °C, segundo o Copernicus.
Como se compara com outras vagas de calor europeias?
O recorde anterior de 2022 foi superado de forma significativa. O World Weather Attribution concluiu que a vaga de calor de junho de 2026 seria virtualmente impossível sem as alterações climáticas.
Quais os impactos económicos da seca?
Rios baixos perturbaram o transporte, aumentaram custos de frete e forçaram centrais a reduzir produção. Perdas agrícolas na ordem dos milhares de milhões e custos de combate a incêndios elevam o impacto para dezenas de milhares de milhões de euros.
As alterações climáticas estão a tornar os verões europeus permanentemente mais quentes?
A Europa aquece ao dobro da média global. Os cinco verões mais quentes desde 1500 ocorreram no século XXI. Medidas de adaptação, como ar condicionado e cidades mais verdes, são urgentes.
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