O que é o BRICS Bridge e como funciona?
O BRICS Bridge é uma plataforma de liquidação transfronteiriça em moedas digitais de bancos centrais (CBDC) que deve reformular as finanças globais em 2026. Construída sobre o mBridge — ledger distribuído pilotado pelo BIS e bancos centrais asiáticos —, já processa mais de US$ 55 bilhões, liquidando negócios em yuan digital, rupias e outras moedas nacionais quase em tempo real. Conforme a documentação do BIS, o mBridge permite pagamentos peer-to-peer com CBDCs de atacado: a liquidação cai de dias para segundos e o custo, de 6-8% para quase zero. O BIS deixou o projeto em 2024 por receio de sanções, mas os bancos centrais participantes seguem ampliando o sistema como alternativa pagamentos transfronteiriços com CBDC ao SWIFT.
Por que a fatia do dólar nas reservas importa
Dados do COFER do FMI mostram a fatia do dólar nas reservas cambiais globais em 56,77% no quarto trimestre de 2025 — menor nível desde 1995, ante mais de 71% em 2000 —, o oitavo recuo trimestral consecutivo, segundo dados do FMI. Isso não é colapso imediato, mas sinaliza um declínio estrutural da fatia do dólar nas reservas enquanto bancos centrais diversificam para ouro e infraestrutura digital.
Erosão do petrodólar: yuan e rupias
A Arábia Saudita não renovou seu pacto de preços do petróleo exclusivamente em dólar em junho de 2024 e já liquidou sua primeira venda de petróleo à China em yuan digital. Em dezembro de 2025, o Banco Popular da China e a autoridade monetária saudita assinaram swap de 69 bilhões de yuans (US$ 10 bilhões), permitindo à Aramco aceitar yuan em até 15% das vendas a refinarias chinesas. Os Emirados sinalizaram que podem migrar para o yuan. A história do sistema petrodólar está sendo reescrita.
Corrida do ouro
Bancos centrais compraram mais de 1.100 toneladas de ouro em 2025, terceiro ano seguido acima de 1.000 toneladas; o World Gold Council registrou 863 toneladas oficiais, mas o total real pode ser maior. O BRICS+ detém 17,4% das reservas globais de ouro, ante 11,2% em 2019 — uma diversificação de reservas em ouro que dá piso estrutural ao metal.
Impacto no comércio global e na dominância do dólar
O avanço do BRICS Bridge e de sistemas paralelos (CIPS, SPFS) não encerra a dominância do dólar, mas aponta para uma arquitetura multipolar em que blocos regionais coexistem com o sistema tradicional.
| Critério | SWIFT tradicional | BRICS Bridge (CBDC) |
|---|---|---|
| Liquidação | 1-5 dias úteis | Segundos a minutos |
| Custo | 6-8% do valor | Quase zero |
| Moedas | Centrado no dólar | Múltiplas CBDCs nacionais |
| Sanções | Exposição alta | Reduzida, não imune |
A saída do BIS expõe tensões geopolíticas, mas as plataformas alternativas ao SWIFT tendem a coexistir com as rotas atuais.
Perspectivas de especialistas
A desdolarização acelerada pode elevar os custos de captação dos EUA, os rendimentos reais e a inflação, advertiram estrategistas do J.P. Morgan em nota de 2026. Um ex-dirigente do FMI observou: O dólar seguirá dominante, mas sua fatia continuará caindo conforme a liquidação digital reduz a intermediação em dólar. É a ordem monetária multipolar em formação.
Perguntas frequentes
O que é o BRICS Bridge?
Plataforma proposta de liquidação transfronteiriça em CBDCs para o BRICS+, baseada no mBridge, com pagamentos em tempo real sem SWIFT.
Como difere do SWIFT?
O SWIFT usa bancos correspondentes e contas em dólar; o BRICS Bridge liquida direto em CBDCs, cortando tempo e custo.
O dólar perderá o status de moeda de reserva?
Não se espera colapso imediato, mas a fatia caiu abaixo de 57% e a tendência é de transição multipolar gradual.
Quais países liquidam petróleo em yuan ou rupias?
A Arábia Saudita liquidou petróleo com a China em yuan digital; os Emirados podem migrar; a Índia promove corredores em rupias.
Conclusão: um futuro monetário multipolar
O piloto do BRICS Bridge deve entrar em operação em meados de 2026, quando a fatia do dólar nas reservas cai abaixo de 57% e exportadores de energia pioneiram a liquidação sem dólar. Políticos, investidores e equipes de compliance devem planejar a fragmentação, não a substituição do dólar.
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