Segurança Energética 2026: Hormuz e Minérios Críticos

Segurança energética 2026: Estreito de Ormuz e corrida por minerais críticos dominam a agenda e obrigam Japão, Grécia e Ucrânia a rever suas estratégias.

Segurança Energética 2026: Hormuz e Minérios Críticos
Partilhar
Partilhar este artigo Escolha uma rede ou aplicação no seu dispositivo.
E-mail

Edicao: PT

A agenda global de energia de 2026 mudou da acessibilidade para a geopolítica. Segundo o Atlantic Council, cerca de metade dos entrevistados vê o conflito como maior causa de disrupção energética, superando o custo. A crise do Estreito de Ormuz e a corrida por minerais críticos transformaram a política energética em linha de frente da disputa entre potências, forçando Japão, Grécia e Ucrânia a rever suas estratégias.

Por que o conflito superou o custo como principal risco energético

Antes do fechamento de Ormuz em fevereiro de 2026, o Atlantic Council já apontava o conflito como principal risco energético até 2030, com rivalidade geopolítica e subinvestimento em infraestrutura. A Enverus também vê pressão crescente sobre sistemas elétricos. Guerra no Irã, intervenção na Venezuela e redes frágeis tornaram a segurança energética parte da segurança nacional.

Estreito de Ormuz: um gargalo que virou ponto crítico

Em 28 de fevereiro de 2026, a IRGC fechou o Estreito de Ormuz após ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo do Irã. A via de 34 km transporta cerca de 20 milhões de barris por dia — 20% do petróleo e do GNL globais. O tráfego caiu mais de 90%, o petróleo saltou de US$ 71 para US$ 126 e 150 navios ficaram retidos. A segurança energética voltou ao topo da agenda, disse o Fórum Global de Energia do Atlantic Council. O Japão, que importa 94,7% do petróleo do Oriente Médio, passou a apoiar oleodutos alternativos ao de Ormuz e a acelerar o nuclear.

Minerais críticos: a nova alavanca estratégica

Em paralelo, o controle de lítio, cobalto, terras raras e cobre virou arma. A China domina mais de 90% do processamento de terras raras e mais de 60% do refino de lítio/cobalto. Restrições de exportação em 2025-2026 elevaram os preços seis vezes fora da China. Os EUA lançaram a coalizão FORGE e a reserva Project Vault, de US$ 10 bilhões; a UE mira 10% de extração e 40% de processamento local até 2030. Analistas falam de uma janela de 12 a 18 meses antes que dependências se consolidem, com demanda por lítio crescendo 353% até 2040.

Do Japão à Grécia e Ucrânia: reestruturando estratégias

O choque força mudanças concretas. O Japão apoiará oleodutos que contornem Ormuz e ampliará nuclear e renováveis. A Ucrânia, que perdeu 70% da geração pré-guerra, fechou com a Grécia um corredor de GNL para receber gás dos EUA via Alexandrópolis, Bulgária e Romênia no inverno 2025-2026. A Grécia torna-se hub regional; a Ucrânia busca 14,6 bcm de estocagem, ante mínimo de 13,2 bcm. O subinvestimento em resiliência da infraestrutura de rede segue como vulnerabilidade comum.

Impacto: expansão nuclear e pesquisa em fusão

A crise acelerou investimentos em nuclear e fusão. A agenda 2026 do Atlantic Council inclui ensaios sobre fusão e energia nuclear; o Japão prioriza a fonte; a UE pressiona por 2.450 MW de importação para a Ucrânia. A segurança energética deixou de ser combustível barato e tornou-se independência energética estratégica em era de interdependência armada.

Perguntas Frequentes: Segurança Energética em 2026

O que é o Estreito de Ormuz e por que importa?

É um gargalo de 34 km que transporta cerca de 20% do petróleo e do GNL globais. Seu fechamento em fevereiro de 2026 causou a maior disrupção desde os anos 1970.

Como o conflito superou o custo como principal risco?

Pesquisa do Atlantic Council de 2025 mostrou cerca de metade dos entrevistados citando conflito. A guerra no Irã e a intervenção na Venezuela confirmaram a mudança em 2026.

Quais minerais críticos são mais estratégicos?

Lítio, cobalto, terras raras e cobre; a China domina seu processamento.

Como Japão e Ucrânia respondem à crise?

O Japão busca rotas alternativas e amplia a nuclear. A Ucrânia recebe GNL americano via Grécia, mas enfrenta déficit de 6,3 GW.

Qual o papel da pesquisa em fusão?

A fusão oferece energia quase ilimitada e neutra; EUA e outros aumentam verbas como proteção contra gargalos e dependências.

Estreitamente relacionado