Os Países Baixos condenaram as últimas sanções dos Estados Unidos contra dois altos funcionários do Tribunal Penal Internacional (TPI), alertando que as medidas minam a capacidade do tribunal sediado em Haia de investigar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. O Ministro das Relações Exteriores neerlandês, Tom Berendsen, disse em 19 de agosto de 2026 que os Países Baixos "naturalmente desaprovam" as sanções que visam a presidente do TPI, Tomoko Akane, e o advogado sênior de julgamento Abdoulaye Seye.
O que são as novas sanções dos EUA contra o TPI?
Washington anunciou as designações em 18 de agosto de 2026, congelando os ativos dos dois funcionários nos EUA e proibindo-os de usar o sistema financeiro e de entrar no país. O Secretário de Estado Marco Rubio disse que Akane e Seye estavam "diretamente envolvidos" nos esforços do TPI para investigar ou processar funcionários de países que não consentiram com a jurisdição do tribunal. Rubio já chamou o TPI de "farsa" e alertou que poderia ser desmontado "pedra por pedra".
As últimas medidas seguem uma campanha dos EUA contra o Tribunal Penal Internacional que começou depois que o tribunal emitiu mandados de prisão em 2024 para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por supostos crimes de guerra em Gaza. Os EUA nunca ratificaram o Estatuto de Roma que criou o TPI.
Como os Países Baixos responderam como país anfitrião?
Como país anfitrião, os Países Baixos afirmam ter responsabilidade especial de proteger o TPI. Berendsen revelou que Haia trabalha nos bastidores "há meses" para amenizar o impacto das sanções e que levantou a questão pessoalmente com Rubio semanas atrás. "Infelizmente, isso ainda não foi eficaz", disse.
Berendsen também convidou a presidente Akane para discutir o apoio neerlandês. Nas redes sociais, escreveu que os Países Baixos "desaprovam" as sanções e que tribunais internacionais devem poder cumprir livremente seus mandatos. Descreveu a linguagem dos EUA como "muito dura", mas disse que responderiam diplomaticamente. "É nosso trabalho condenar diplomaticamente, mas também fazer tudo para permitir que o tribunal trabalhe", afirmou.
Essa postura está alinhada com o apoio neerlandês à justiça internacional e segue condenações de outros Estados partes do Estatuto de Roma.
Japão e outros Estados reagem
O Japão, maior contribuinte financeiro do TPI, chamou as sanções de "muito lamentáveis". Tóquio disse que sempre apoiou o TPI nos esforços para processar crimes graves. Não está claro se tomará contramedidas, pois é muito dependente dos EUA militarmente e raramente critica Washington.
Impacto sobre o TPI e a justiça internacional
O TPI chamou as designações de "ataque flagrante à independência de um tribunal internacional imparcial". Nove dos dezoito juízes, ambos os promotores adjuntos, o ex-procurador-chefe Karim Khan e um funcionário foram alvo de sanções. O tribunal alertou que ameaçar atores judiciais põe em perigo a ordem jurídica internacional e o acesso das vítimas à justiça.
As medidas complicam as operações diárias porque os sancionados não podem usar o sistema financeiro dos EUA. Grupos de direitos humanos veem as sanções como tentativa de proteger autoridades dos EUA e de Israel da responsabilização. A disputa se intensificou após os mandados de prisão do TPI contra líderes israelenses levarem Netanyahu a chamar o tribunal de "tribunal canguru".
FAQ: Sanções dos EUA contra o TPI explicadas
Por que os EUA sancionaram funcionários do TPI?
A administração Trump afirma que o TPI excede seu mandato ao investigar ou processar funcionários de países como Israel e EUA, que não são partes do Estatuto de Roma.
Quem são Tomoko Akane e Abdoulaye Seye?
Tomoko Akane é juíza japonesa e presidente do TPI. Abdoulaye Seye é advogado sênior senegalês no Gabinete do Procurador que ajudou a redigir mandados contra líderes israelenses.
Quantos funcionários do TPI foram sancionados?
Nove dos dezoito juízes, ambos os promotores adjuntos, o ex-procurador-chefe e um funcionário foram alvos, segundo o TPI.
O que os Países Baixos estão fazendo para ajudar o TPI?
Como país anfitrião, trabalham nos bastidores há meses para mitigar o impacto e convidaram a presidente Akane para conversas.
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