Os controles de exportação da China sobre terras-raras, tungstênio e antimônio causaram aumentos de preço de até seis vezes e expuseram a fragilidade das cadeias de suprimento ocidentais. Com Pequim controlando 90% do processamento global de terras-raras e as aprovações de licenças europeias caindo abaixo de 25%, o setor de defesa e a transição energética enfrentam uma janela estratégica estreita. A China suspendeu temporariamente os controles até 10 de novembro de 2026, dando ao Ocidente uma janela crítica de 12 a 18 meses para construir alternativas.
Domínio Chinês e a Arma da Oferta
O domínio chinês em minerais críticos resulta de décadas de investimento estratégico. O país controla cerca de 90% do processamento global de terras-raras, 80% da refinação de tungstênio e 60% da produção de antimônio. No final de 2025 e início de 2026, Pequim intensificou os controles, provocando disparadas de preços: o antimônio saltou de US$ 1.400 para US$ 51.500 por tonelada métrica, e os preços das terras-raras subiram seis vezes. A UE depende da China para 98-99% de seu fornecimento de terras-raras, e mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias chinesas. A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE designou 47 Projetos Estratégicos, mas as taxas de aprovação de licenças caíram abaixo de 25%.
A Aliança FORGE: Um Contra-Esforço de US$ 30 Bilhões
Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram a FORGE (Fórum de Engajamento Geostratégico de Recursos) em Washington, reunindo 54 nações. Presidida pela Coreia do Sul, a FORGE mobiliza mais de US$ 30 bilhões em financiamento, incluindo o Projeto Vault do Export-Import Bank — uma parceria público-privada de US$ 10-12 bilhões para a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA. Onze novos acordos bilaterais foram assinados, totalizando 21. A sucessora da Parceria de Segurança Mineral representa o esforço ocidental mais coordenado desde a Guerra Fria.
Projeto Vault e Processamento Doméstico
Os EUA comprometeram mais de US$ 7,3 bilhões, incluindo US$ 400 milhões em participação na MP Materials com preço mínimo de US$ 110/kg para neodímio-praseodímio. No entanto, analistas alertam que reconstruir a capacidade de processamento ocidental levaria de 20 a 30 anos.
A Virada do Golfo: Arábia Saudita e EAU Entram na Corrida
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos emergem como atores-chave. A Arábia Saudita, sob Visão 2030, estima sua riqueza mineral em US$ 2,5 trilhões e busca mobilizar US$ 100 bilhões em investimentos até 2035. A Manara Minerals, joint venture do PIF com a Ma'aden, visa aquisições globais. Os EAU, por meio dos fundos ADQ e Mubadala, comprometeram mais de US$ 3 bilhões em consórcios. O consórcio Orion de US$ 1,8 bilhão, apoiado pela DFC dos EUA, exemplifica a estratégia do Golfo. No entanto, esses estados precisam equilibrar laços com a China. A estratégia de minerais críticos do Golfo pode remodelar a dinâmica global.
Defesa e Transição Energética em Risco
Cada caça F-35 requer cerca de 418 kg de terras-raras para ímãs, sistemas de radar e revestimentos furtivos. A Lockheed Martin usa aproximadamente 22,6 kg de samário por aeronave. A atualização do F-35 Block 4 foi adiada para 2031, com orçamento estourado em US$ 6 bilhões, em parte devido a vulnerabilidades na cadeia. A dependência de terras-raras do F-35 ilustra uma vulnerabilidade mais ampla.
Perspectivas de Especialistas
“A China está armando o controle — não a escassez — usando restrições temporárias e reversíveis para manter poder de precificação e extrair concessões”, observa uma análise multi-institucional de 2026. “A suspensão até novembro de 2026 é uma pausa regulatória calibrada, não uma reversão estrutural.” Analistas do CSIS concluem que “a verdadeira resiliência da cadeia exige produção doméstica sustentada e cadeias diversificadas fora da China.”
FAQ
O que são os controles de exportação de minerais críticos da China?
A China impôs controles sobre terras-raras, tungstênio e antimônio desde 2025, exigindo licenças. Em abril de 2026, suspendeu temporariamente até 10 de novembro, mas a estrutura regulatória permanece.
Por que as terras-raras são importantes para a defesa?
Elas são essenciais para ímãs permanentes em sistemas de mísseis, radar e motores elétricos. O F-35 requer cerca de 418 kg por aeronave.
O que é a Aliança FORGE?
O Fórum de Engajamento Geostratégico de Recursos, liderado pelos EUA, reúne 54 nações e mobiliza mais de US$ 30 bilhões para projetos de mineração e processamento fora da China.
O Ocidente pode construir cadeias independentes rapidamente?
Analistas estimam de 20 a 30 anos para reconstruir a capacidade de processamento. A janela de 12 a 18 meses é crítica para investimentos estratégicos.
Como os estados do Golfo estão envolvidos?
Arábia Saudita e EAU investem pesadamente em minerais críticos, visando tornar-se fornecedores alternativos para mercados ocidentais.
Conclusão: Uma Janela Estreitando
A suspensão temporária até novembro de 2026 oferece uma trégua, mas não uma solução. O Ocidente enfrenta uma escolha estratégica: investir pesadamente em capacidade doméstica e aliada dentro de uma janela de 12 a 18 meses, ou aceitar a dependência administrada. A FORGE, investimentos do Golfo e projetos europeus representam o início de uma resposta, mas o investimento necessário — estimado em US$ 400 bilhões até 2035 — supera os compromissos atuais.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA — Reunião Ministerial de Minerais Críticos de 2026
- CSIS — Restrições de Exportação de Terras-Raras Um Ano Depois
- Parlamento Europeu — Restrições de Exportação de Terras-Raras da China
- Comissão Europeia — Projetos Estratégicos sob a CRMA
- Rare Earth Exchanges — Controles de Exportação da China em 2026
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