Doutrina Donroe: EUA Remodelam Américas 2026

O Eurasia Group classifica a Doutrina Donroe como um dos 3 principais riscos globais para 2026. Esta análise cobre ataques militares, sanções, resgate da Argentina, aliança com El Salvador e pressão no Canal do Panamá.

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O relatório Top Risks 2026 do Eurasia Group, publicado em janeiro de 2026, identifica a 'Doutrina Donroe' como o terceiro risco global mais significativo do ano. Este termo descreve a agressiva revitalização do unilateralismo da era Monroe pela administração Trump no Hemisfério Ocidental — uma estratégia que combina ataques militares, coerção econômica e alianças seletivas para reafirmar a primazia dos EUA na América Latina, ao mesmo tempo em que se retira de compromissos globais de segurança. Da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro a um resgate de US$ 20 bilhões para a Argentina e laços mais estreitos com El Salvador de Nayib Bukele, a Doutrina Donroe está remodelando o cenário geopolítico das Américas.

O Que É a Doutrina Donroe?

A Doutrina Donroe — uma combinação de 'Donald' e 'Monroe' — refere-se à reinterpretação da Doutrina Monroe de 1823 pela administração Trump, que originalmente alertava potências europeias contra colonização nas Américas. Diferentemente de sua antecessora, a Doutrina Donroe afirma ativamente o domínio dos EUA por meio de poder militar. A Estratégia de Segurança Nacional de 2025 delineia um 'Corolário Trump à Doutrina Monroe', enfatizando a preeminência dos EUA no Hemisfério Ocidental por meio de operações antidrogas, controle migratório e alianças expandidas. A análise de risco do Eurasia Group alerta que essa postura aumenta os riscos de excesso e consequências não intencionais em 2026.

Pressão Militar: Ataques, Bloqueios e a Captura de Maduro

A manifestação mais dramática da Doutrina Donroe ocorreu em 3 de janeiro de 2026, quando forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em Caracas. A operação, parte de uma intervenção mais ampla que resultou em pelo menos 80 mortes, foi acompanhada por operações aéreas e militares. Maduro foi levado a Nova York para enfrentar acusações federais, marcando uma ação militar direta sem precedentes contra um chefe de Estado nas Américas.

Bloqueio Naval e Apreensões de Petróleo

Em dezembro de 2025, os EUA lançaram a Operação Southern Spear, um bloqueio naval total de petroleiros venezuelanos sancionados. Em 10 de dezembro, forças dos EUA apreenderam o petroleiro Skipper com 1,8 milhão de barris de petróleo bruto venezuelano. Apreensões adicionais em janeiro de 2026 incluíram o Marinera de bandeira russa perto da Islândia e o M Sophia de bandeira panamenha no Caribe. O governo venezuelano condenou as ações como 'pirataria internacional'. O bloqueio de petróleo dos EUA à Venezuela intensificou a pressão econômica sobre os sucessores do regime de Maduro.

Ataques a Cartéis e Ameaças ao México

Além da Venezuela, os militares dos EUA realizaram 35 ataques conhecidos a barcos de drogas no Caribe e Pacífico Oriental, matando 115 pessoas. Em janeiro de 2026, Trump sugeriu que os militares poderiam lançar ataques terrestres contra cartéis de drogas no México. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum rejeitou firmemente a ideia, afirmando: 'Cooperação, sim; subordinação e intervenção, não.' Os EUA também designaram o Clã do Golfo da Colômbia como Organização Terrorista Estrangeira e classificaram o fentanil como 'arma de destruição em massa'.

Coerção Econômica e Alianças Seletivas

A Doutrina Donroe não se baseia apenas em força militar. Ferramentas econômicas — punitivas e recompensadoras — são centrais.

Resgate da Argentina

Em outubro de 2025, a administração Trump forneceu uma linha de crédito de US$ 20 bilhões à Argentina, liderada pelo presidente Javier Milei, aliado ideológico próximo. O resgate incluiu um acordo de swap cambial e compras diretas de pesos argentinos pelo Tesouro dos EUA. Críticos chamaram de movimento politicamente motivado, mas em janeiro de 2026 a Argentina já havia reembolsado integralmente os fundos. O acordo financeiro EUA-Argentina fortaleceu a posição de Milei antes das eleições de meio de mandato.

Laços Aprofundados com El Salvador

Em 29 de janeiro de 2026, EUA e El Salvador assinaram um acordo comercial recíproco concedendo às empresas americanas acesso preferencial à cadeia de suprimentos de minerais críticos de El Salvador, além de promover investimentos em tecnologias limpas e defesa. A cooperação de segurança se intensificou com compartilhamento de inteligência e deportações coordenadas. No entanto, grupos de direitos humanos levantaram preocupações sobre as condições nas prisões salvadorenhas. A parceria de segurança EUA-El Salvador destaca a tensão entre pragmatismo geopolítico e princípios democráticos.

Pressão no Canal do Panamá

O Canal do Panamá ressurgiu como ponto de conflito geopolítico. O tribunal superior do Panamá anulou a licença de uma subsidiária da CK Hutchison, sediada em Hong Kong, que operava dois terminais na via aquática, por onde passam 40% do tráfego de contêineres dos EUA anualmente. A decisão foi vista como uma vitória para a Casa Branca, que prioriza bloquear a influência chinesa. A China retaliou ordenando que empresas estatais interrompessem novos projetos no Panamá. O presidente panamenho José Raúl Mulino descartou as ameaças, afirmando a independência judicial.

Impacto na Ordem Internacional

A Doutrina Donroe representa uma mudança fundamental na política externa dos EUA. Enquanto a administração Trump afirma agressivamente o domínio no Hemisfério Ocidental, reduziu simultaneamente compromissos na Europa, Ásia e Oriente Médio. Este recuo das obrigações globais de segurança — combinado com ações militares unilaterais na América Latina — alarmou aliados tradicionais e encorajou rivais. As implicações globais da Doutrina Donroe são profundas: a China expande laços econômicos com o Brasil e outros países sul-americanos, enquanto a Rússia condenou a intervenção venezuelana como violação do direito internacional.

Perspectivas de Especialistas

Ian Bremmer, presidente do Eurasia Group, observa que a Doutrina Donroe 'aumenta o risco de excesso e consequências não intencionais. Os EUA estão assumindo compromissos significativos em seu próprio quintal enquanto alienam aliados no exterior.' Analistas do Council on Foreign Relations advertem que a estratégia pode sair pela culatra se as nações latino-americanas resistirem à pressão dos EUA ou se a China se posicionar como contrapeso.

Perguntas Frequentes

O que é a Doutrina Donroe?

É a revitalização e expansão da Doutrina Monroe pela administração Trump, afirmando a primazia dos EUA no Hemisfério Ocidental por meio de força militar, coerção econômica e alianças seletivas.

Por que é um risco principal para 2026?

O Eurasia Group a classifica como o #3 risco global devido ao potencial de excesso, escalada militar não intencional e danos às relações dos EUA com vizinhos regionais e aliados globais.

Quais ações foram tomadas sob a Doutrina Donroe?

Incluem a captura do presidente da Venezuela, bloqueio naval do petróleo venezuelano, ataques a barcos de drogas, ameaças de ataques terrestres no México, resgate de US$ 20 bilhões para a Argentina, acordo comercial com El Salvador e pressão sobre o Canal do Panamá.

Como a América Latina respondeu?

As respostas variam: Argentina e El Salvador abraçaram laços mais próximos; México e Venezuela resistiram; Panamá cumpriu a pressão dos EUA sobre a China, mas afirmou independência judicial.

O que isso significa para as alianças globais?

A Doutrina Donroe sinaliza uma mudança em direção ao unilateralismo hemisférico e afastamento de compromissos multilaterais globais, potencialmente enfraquecendo alianças tradicionais e criando espaço para China e Rússia expandirem influência na região.

Conclusão

A Doutrina Donroe está remodelando as Américas em 2026 por meio de uma combinação de poder militar, alavancagem econômica e parcerias estratégicas. Embora a estratégia tenha alcançado vitórias táticas de curto prazo — da captura de Maduro ao reembolso da Argentina — as consequências de longo prazo permanecem incertas. Enquanto os EUA aprofundam seu domínio hemisférico, o risco de excesso, reação regional e instabilidade global se avoluma.

Fontes

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