Mudança Estratégica na Estrutura de Comando da OTAN
Os Estados Unidos estão transferindo o comando de dois quartéis-generais operacionais cruciais da OTAN para oficiais europeus, o que representa uma mudança estratégica significativa na liderança militar da aliança. O quartel-general em Nápoles, Itália, responsável pelo flanco sul da área da OTAN, e o quartel-general em Norfolk, Virgínia, que monitora a área do Atlântico Norte, verão ambos almirantes americanos substituídos por comandantes europeus.
Partilha de Encargos e Pressão de Trump
Este passo ocorre em meio a uma pressão contínua do presidente Donald Trump sobre os aliados europeus da OTAN para que assumam mais responsabilidade por sua própria defesa. De acordo com a Reuters, a transferência de comando está diretamente ligada às exigências de Trump por uma maior partilha de encargos europeus dentro da aliança. 'Isto representa uma redistribuição fundamental de responsabilidades dentro da OTAN,' disse um funcionário de defesa europeu que pediu anonimato. 'Os aliados europeus estão a levar a sério a sua responsabilidade pela segurança.'
Detalhes da Troca de Comando
Em troca de ceder estes dois quartéis-generais operacionais, os EUA assumirão o comando do comando marítimo da OTAN (MARCOM) em Londres, que atualmente está sob comando britânico. Os quartéis-generais operacionais são considerados um pouco mais altos na hierarquia da OTAN do que os comandos abrangentes, como o MARCOM. O quartel-general de Norfolk, oficialmente conhecido como Joint Force Command Norfolk (JFC-NF), foi estabelecido em 2018 e atingiu capacidade operacional total em 2021, com foco em proteger as rotas marítimas do Atlântico contra ameaças russas crescentes.
Contexto Mais Ampla da Retirada Americana
Este desenvolvimento segue-se a notícias recentes de que os EUA estão a retirar pessoal de dois centros de conhecimento militar na Holanda - os Centros de Excelência em Utrecht e Haia. Estes centros focam-se, respetivamente, em perícia de comando e cooperação civil-militar. Embora não façam oficialmente parte da OTAN, são geridos por países da OTAN que valorizam as suas contribuições.
O momento é particularmente notável porque os ministros da Defesa da OTAN se preparam para se reunir em Bruxelas na quinta-feira. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, será representado por um subordinado, sinalizando a prioridade reduzida de Washington para a aliança. 'A ausência americana fala por si,' observou um analista da OTAN sediado em Bruxelas. 'Isto não é apenas sobre mudanças de comando - é sobre mudanças fundamentais na relação transatlântica.'
Reações Europeias e Implicações Futuras
Os membros europeus da OTAN, segundo relatos, respiraram de alívio depois de Trump, durante o recente Fórum Económico Mundial em Davos, ter retirado a sua ameaça de adquirir a Gronelândia, evitando uma possível crise. No entanto, as transferências de comando apontam para mudanças estruturais mais profundas que estão em curso.
De acordo com a Vanguard, espera-se que a Itália assuma o comando de Nápoles, enquanto o Reino Unido assumirá o controlo de Norfolk. A implementação desenrolar-se-á ao longo de vários meses e incluirá a retirada de cerca de 200 membros do pessoal americano das estruturas da OTAN.
Os países europeus comprometeram-se a aumentar as despesas de defesa, com algumas discussões a elevar os objetivos de 2% para 5% do PIB. 'Estamos a testemunhar a europeização dos comandos regionais da OTAN,' disse um alto diplomata da OTAN. 'Isto poderia levar a reduções adicionais de tropas americanas na Europa, enquanto Washington desloca o foco para os desafios do Indo-Pacífico, particularmente a China.'
Fontes
Reuters: EUA transferem dois comandos da OTAN para europeus
Comando Conjunto da Força da OTAN Norfolk
Comando Conjunto da Força Aliada Nápoles
Vanguard: EUA cedem dois comandos da OTAN à Europa
ROIC: EUA transferem comandos-chave da OTAN
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