EUA financia grupos de extrema-direita na Europa para enfraquecer a UE

Os EUA estão financiando grupos de extrema-direita na Europa para enfraquecer a UE e ajudar empresas de tecnologia americanas a contornar a regulamentação digital, segundo especialistas. A iniciativa representa uma mudança estratégica na política externa dos EUA e visa influenciar a política europeia e a legislação digital.

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EUA financia organizações de extrema-direita na Europa

O governo dos Estados Unidos planeja apoiar financeiramente think tanks e organizações radicalmente de direita na Europa, de acordo com um relatório do Financial Times. Esta jogada estratégica é descrita por especialistas como um 'ataque direto' ao establishment político e ao quadro regulatório da União Europeia.

Mudança estratégica na política externa americana

Christopher Houtkamp, pesquisador sênior do departamento de Segurança do Instituto Clingendael, confirma a credibilidade desses relatos. 'O movimento MAGA também é ideologicamente hostil à UE,' afirma Houtkamp, referindo-se ao movimento político 'Make America Great Again' associado ao ex-presidente Donald Trump. Ele observa que isso representa uma mudança significativa em relação a governos americanos anteriores que normalmente apoiavam partidos políticos de centro na Europa.

O pesquisador explica que os ataques à Europa agora estão codificados na Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, com o objetivo explícito de influenciar 'profundamente' a política europeia. 'Os americanos têm uma razão ideológica muito clara para serem contra a União Europeia e também têm um cofre muito bem abastecido para realizar esse apoio, ao contrário de muitos outros países que também se intrometem em nossa sociedade,' acrescenta Houtkamp.

Interesses do Big Tech impulsionam a política

De acordo com Houtkamp, Washington tenta 'enfraquecer e dividir a União Europeia' para alcançar seus objetivos ideológicos e materiais. Um desses objetivos principais é pavimentar o caminho para as grandes empresas de tecnologia americanas. 'Um grande obstáculo nisso é a União Europeia com sua regulamentação digital na Lei de Serviços Digitais,' explica ele.

A Lei de Serviços Digitais (DSA), que entrou totalmente em vigor em fevereiro de 2024, representa uma legislação inovadora da UE que estabelece regras abrangentes para serviços digitais que operam na União Europeia. O regulamento cria um espaço digital mais seguro protegendo direitos fundamentais e combatendo conteúdo ilegal, com obrigações especiais para plataformas online muito grandes.

Foco em partidos políticos específicos

Os EUA estariam buscando parceiros políticos na Europa, incluindo a Alternativa para a Alemanha (AfD) e a Reunião Nacional da França. Houtkamp observa, no entanto, uma dinâmica interessante: 'Curiosamente, você vê que nem todos esses partidos aceitam esse apoio com muito prazer.'

Pesquisas de longo prazo do Instituto Clingendael mostram que as populações sempre rejeitam a interferência estrangeira de qualquer país. 'Se você aceitar esse apoio de Washington, também corre um grande risco de que sua organização ou seu partido se torne muito impopular entre a população,' adverte Houtkamp.

Potencial efeito bumerangue

O pesquisador aponta para o ganho eleitoral pouco claro da AfD e de sua líder Alice Weidel como um exemplo de como a interferência estrangeira pode voltar-se contra si. 'Assim, segundo o pesquisador, não está claro quão grande teria sido o ganho eleitoral da AfD e de Alice Weidel se Elon Musk não tivesse se envolvido tão explicitamente nessas eleições.'

Este desenvolvimento ocorre enquanto a AfD se torna cada vez mais abertamente extremista, com funcionários usando slogans nazistas e se autodenominando o 'lado amigável do nacional-socialismo', de acordo com relatórios da DW. O partido poderia assumir o poder regional nas eleições estaduais de 2026, especialmente nos estados do leste alemão, onde se tornou a força política mais forte.

Implicações mais amplas para a segurança europeia

Houtkamp descreve isso como um potencial 'risco bastante grande' para a União Europeia. A iniciativa de financiamento representa uma mudança significativa em como os EUA se envolvem com a sociedade civil europeia e o discurso político, potencialmente apoiando grupos que promovem agendas nacionalistas e populistas em todo o continente.

Esta jogada poderia ter implicações profundas para as relações transatlânticas e a dinâmica política europeia, pois envolve apoio direto do governo americano a organizações ideologicamente alinhadas que operam dentro de países europeus. O desenvolvimento levanta preocupações sobre influência estrangeira na política europeia e o impacto potencial nos próximos debates legislativos digitais dentro da União Europeia.

Fontes

Relatório do Financial Times sobre financiamento dos EUA a think tanks europeus

Regulamento da Lei de Serviços Digitais da UE

Relatório da DW sobre a ascensão política da AfD

Pesquisa do Instituto Clingendael sobre relações transatlânticas

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