Khamenei adverte EUA: ataque pode levar a guerra regional

O líder supremo do Irã alerta que um ataque dos EUA causaria uma guerra regional, enquanto o acúmulo militar no Estreito de Ormuz e conversas diplomáticas continuam.

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Líder supremo do Irã alerta EUA sobre acúmulo militar

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, alertou que um ataque militar americano ao Irã levará a uma guerra regional no Oriente Médio. O líder de 86 anos fez essas declarações durante um discurso no aniversário da Revolução Iraniana de 1979, enquanto as tensões aumentam com o presidente Donald Trump, que ameaça ataques devido à repressão do Irã aos protestos nacionais e seu programa nuclear.

'Os americanos devem saber que se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional,' disse Khamenei através da mídia iraniana. 'Não queremos atacar nenhum país, mas a nação iraniana dará um golpe forte em quem a atacar.'

Acúmulo militar no Estreito de Ormuz

O alerta surge enquanto os EUA expandiram significativamente sua presença militar na região, com o grupo de porta-aviões USS Abraham Lincoln agora estacionado no Mar da Arábia e cerca de dez navios de guerra próximos ao Irã. O acúmulo naval americano segue ameaças do presidente Trump de atacar se o Irã não parar de matar manifestantes e não encerrar seu programa nuclear.

Enquanto isso, o Irã havia anunciado exercícios navais de tiro real no estrategicamente vital Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente diariamente. Em um desenvolvimento confuso, autoridades iranianas posteriormente negaram que esses exercícios estavam planejados, com um porta-voz dizendo à Reuters: 'Não há plano da Guarda Revolucionária para realizar exercícios militares naquele local, e isso também não foi anunciado oficialmente. A mídia que relatou isso cometeu um erro.'

Sinais diplomáticos durante tensões crescentes

Apesar da retórica acalorada, houve sinais de possível desescalada. O presidente Trump disse a repórteres que o Irã 'estava conversando seriamente' com negociadores americanos. 'Espero que eles cheguem a um acordo, e que surja um acordo que satisfaça a todos. SEM armas nucleares.'

As manobras diplomáticas ocorrem no contexto de uma pressão internacional significativa sobre o Irã. Na semana passada, a União Europeia colocou oficialmente a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em sua lista de terroristas, após passos semelhantes pelos Estados Unidos em 2019. A decisão da UE referiu-se ao papel da Guarda Revolucionária na repressão aos protestos que começaram em dezembro, com organizações de direitos humanos relatando milhares de mortes durante a repressão dura.

O Irã respondeu designando exércitos europeus como grupos terroristas, com o presidente do parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf anunciando a medida retaliatória sob a legislação de contra-medidas do Irã.

Importância estratégica do Estreito

O Estreito de Ormuz continua sendo um dos gargalos marítimos mais críticos do mundo. No ponto mais estreito, o estreito tem apenas 33 quilômetros de largura, com cerca de cem navios comerciais passando diariamente. A importância estratégica não pode ser superestimada - qualquer interrupção poderia elevar os preços globais de energia e causar consequências econômicas mundiais.

Enquanto as tensões continuam a ferver, analistas regionais alertam que erros de cálculo podem levar a uma escalada não intencional. 'Estamos vendo um jogo perigoso de blefe,' disse a especialista em segurança do Oriente Médio, Dra. Sara Johansson. 'Ambas as partes testam limites enquanto mantêm comunicação por canais secundários. O risco de conflito acidental é maior do que em anos.'

A situação permanece fluida, com parlamentares iranianos usando hoje uniformes da Guarda Revolucionária para mostrar apoio à milícia, enquanto cantavam 'Morte à América' durante sessões parlamentares. Enquanto o mundo observa, o delicado equilíbrio entre demonstração de força militar e engajamento diplomático determinará se a região desliza para um conflito mais amplo ou encontra um caminho para a desescalada.

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