Trump ameaça Irã com frota enorme por acordo nuclear

Trump ameaça o Irã com uma enorme frota liderada pelo USS Abraham Lincoln e exige um acordo nuclear. O Irã se recusa a negociar sob ameaça e alerta para retaliação sem precedentes.

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EUA enviam porta-aviões em meio a tensões crescentes

O presidente Donald Trump deu um ultimato ao Irã e alertou que uma 'enorme armada' liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln está a caminho do Golfo Pérsico e pronta para 'ação rápida e violenta' se Teerã não negociar um acordo nuclear. Em uma longa postagem no Truth Social, Trump declarou: 'Uma enorme frota está a caminho do Irã. Ela navega rapidamente, com grande força, entusiasmo e determinação.' Ele enfatizou que o tempo está se esgotando para o Irã sentar à mesa para o que ele chamou de um 'acordo justo e equitativo' com 'SEM ARMAS NUCLEARES.'

Acúmulo militar e ultimato nuclear

O USS Abraham Lincoln, um porta-aviões da classe Nimitz que serve como carro-chefe do Grupo de Ataque de Porta-Aviões 3, chegou à região no início desta semana, acompanhado por destróieres como o USS O'Kane, USS Spruance e USS Frank E. Petersen Jr. Este desdobramento marca uma escalada significativa no conflito contínuo entre Washington e Teerã. Trump se referiu à 'Operação Midnight Hammer' – a operação liderada pelos EUA em junho de 2025 que destruiu importantes instalações nucleares iranianas – e alertou que o próximo ataque seria 'muito pior' se o Irã não cooperasse.

De acordo com The Guardian, a Casa Branca mudou a razão para o envio do grupo de ataque de porta-aviões da indignação com as mortes em protestos para um foco no programa de armas nucleares do Irã. Esta é a primeira vez que Trump vinculou explicitamente o grande desdobramento naval americano às negociações nucleares estagnadas.

Resposta desafiante do Irã

Autoridades iranianas reagiram de forma desafiante. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que seu país não retomaria as negociações sob a ameaça de um ataque. 'Nossa posição é clara: negociações não combinam com ameaças, e conversas só podem ocorrer quando não houver mais ameaças e demandas excessivas,' disse Araghchi à mídia estatal. Ele enfatizou que não houve contato recente com o enviado americano Steve Witkoff e nenhum pedido de negociações do lado iraniano.

A missão iraniana na ONU declarou estar aberta ao diálogo com base no respeito mútuo, mas alertou que se defenderia 'como nunca antes' se fosse atacada, de acordo com The Independent. Autoridades iranianas alertaram que qualquer ação militar americana seria considerada 'o início de uma guerra' e provocaria uma resposta imediata e abrangente.

Contexto: Protestos e preocupações com direitos humanos

As tensões atuais decorrem de agitação contínua no Irã, onde forças de segurança reprimiram protestos com violência no início deste mês. De acordo com Al Jazeera, o Irã rejeitou uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que condenava a repressão violenta que levou a milhares de mortes. Enquanto o Irã afirma que 3.117 pessoas morreram durante a agitação, com 2.427 supostamente mortas por 'terroristas', relatórios independentes sugerem números de mortos muito mais altos. A relatora especial da ONU, Mai Sato, estima com base em relatórios de médicos no Irã até 20.000 mortes.

Posicionamento militar regional

Tanto Teerã quanto a Força Aérea dos EUA anunciaram exercícios militares perto do estratégico Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A Guarda Revolucionária Iraniana alertou que países vizinhos seriam considerados 'hostis' se seu território fosse usado pelos EUA durante um ataque. As tensões já estão afetando os mercados globais, com os preços do petróleo subindo e os mercados de ações caindo devido à incerteza geopolítica.

Diplomatas europeus observaram nervosismo israelense sobre possíveis retaliações iranianas, enquanto estados do Golfo e a Turquia tentam mediar entre as duas partes. À medida que a situação continua a escalar, o mundo observa com apreensão se a diplomacia ou o confronto militar prevalecerão neste impasse nuclear de alto risco.

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