Irã inicia exercício com munição real em rota marítima crucial
O Irã iniciou um grande exercício marítimo com munição real no estrategicamente vital Estreito de Ormuz, uma das rotas de navegação mais importantes do mundo, alimentando temores de uma escalada militar com os Estados Unidos. Os exercícios, planejados para domingo e segunda-feira, ocorrem em um momento de tensões elevadas após ameaças do presidente americano Donald Trump de ataques militares ao Irã devido à repressão violenta a protestos e ao programa nuclear do país.
Os Estados Unidos responderam com advertências severas, com o Comando Central dos EUA afirmando que 'comportamento inseguro e não profissional' perto de navios de guerra ou embarcações comerciais americanas pode aumentar o risco de escalada. O grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln está atualmente no Mar da Arábia, não muito longe da área do exercício.
Fornecimento global de energia em risco
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita de 33 quilômetros de largura entre o Irã e Omã que serve como uma artéria crucial para o comércio global de energia. Aproximadamente um quinto do petróleo mundial passa diariamente por esse canal, principalmente destinado aos mercados asiáticos. Qualquer interrupção pode enviar ondas de choque pelos mercados globais de energia, com impactos diretos nos preços do petróleo em todo o mundo.
De acordo com a página da Wikipedia sobre o Estreito de Ormuz, a hidrovia processa aproximadamente 20% do gás natural liquefeito global e 25% do comércio de petróleo marítimo anualmente. O estreito nunca foi fechado durante conflitos no Oriente Médio, embora o Irã tenha ameaçado repetidamente fazê-lo.
Xadrez geopolítico
Analistas veem o momento desses exercícios como particularmente provocativo. 'O Irã está operando à beira do abismo e escolhendo conscientemente a dissuasão controlada,' diz Sayed Ghoneim, um general aposentado e presidente do Instituto para Assuntos de Segurança e Defesa Global em Abu Dhabi, em entrevista à NOS.
Ghoneim explica que 'os Estados Unidos querem manter isso puramente militar, mas o Irã preferiria transformá-lo em um conflito político, de segurança e econômico. Quando você precisa fechar o Estreito de Ormuz, isso significa uma mistura de pressão militar, de segurança e econômica. Isso perturbará a economia internacional e a segurança internacional.'
Os exercícios coincidem com relatos de que Trump pode ordenar um ataque ao Irã já neste fim de semana, de acordo com a mídia americana. Altos funcionários militares americanos teriam informado um importante aliado no Oriente Médio que um ataque é 'possível em um futuro próximo'.
Diplomacia regional e postura militar
Funcionários iranianos alertaram que qualquer ataque será respondido imediatamente. O vice-presidente Mohammad Reza Aref declarou que o Irã está em 'preparação para a guerra', enquanto um porta-voz do exército falou sobre uma resposta direta a qualquer 'erro de cálculo' por parte de inimigos.
Ao mesmo tempo, Teerã busca apoio diplomático na região. O presidente iraniano Pezeshkian conversou recentemente com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, enquanto Catar, Turquia e Egito pressionam nos bastidores por moderação.
Os exercícios também coincidem com manobras mais amplas envolvendo Irã, Rússia e China no Golfo de Omã e no Oceano Índico. Embora descritas como exercícios anuais de rotina, analistas as veem como um sinal geopolítico de que esses países podem agir em conjunto em uma área onde a marinha americana é tradicionalmente dominante.
Risco de erro de cálculo
A situação permanece perigosamente volátil. De acordo com a reportagem da Canadian Broadcasting Corporation, a Guarda Revolucionária Iraniana, que opera barcos de patrulha rápidos no estreito, provavelmente está envolvida nos exercícios, o que gera preocupações sobre uma possível escalada neste corredor vital de navegação global.
Diariamente, cerca de cem navios comerciais passam pela estreita hidrovia, navegando por um sistema de separação de tráfego de duas faixas para evitar colisões. O Irã alertou os navios que o exercício com munição real pode se sobrepor parcialmente aos corredores oficiais de navegação, criando riscos adicionais para o tráfego marítimo internacional.
Enquanto as tensões continuam a aumentar, o mundo observa nervosamente, ciente de que um único erro de cálculo nessas águas movimentadas poderia desencadear um conflito regional mais amplo com consequências econômicas globais.
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