EUA e Reino Unido retiram tropas de base crucial no Oriente Médio

EUA e Reino Unido retiram pessoal da base aérea de Al Udeid, no Qatar, após ameaças do Irã de atacar bases americanas se os EUA intervierem nos protestos internos iranianos, que já causaram mais de 2500 mortes. A crise interna do Irã, a pior em décadas, levou a uma escalada militar e a advertências regionais, com o presidente Trump ameaçando 'medidas poderosas'.

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EUA e Reino Unido retiram tropas de base crucial no Oriente Médio

Os Estados Unidos iniciaram a retirada de pessoal da base aérea estrategicamente crucial de Al Udeid, no Qatar, a maior instalação militar americana no Oriente Médio, enquanto as tensões com o Irã atingem um ponto de ebulição. Esta medida de precaução segue advertências explícitas de Teerã de que atacará bases americanas na região se Washington intervir militarmente nos protestos internos do Irã. De acordo com Reuters, funcionários e diplomatas americanos confirmaram que o pessoal foi aconselhado a deixar a base até a noite de terça-feira.

Base estratégica sob ameaça

A base aérea de Al Udeid, localizada a sudoeste de Doha, Qatar, é um centro crucial para as operações americanas no Oriente Médio. Serve como quartel-general avançado do Comando Central dos EUA e abriga cerca de 10.000 tropas americanas, juntamente com pessoal da Força Aérea Real Britânica. A base já foi atacada anteriormente—em junho de 2025, o Irã lançou ataques de mísseis contra Al Udeid em retaliação a ataques americanos a instalações nucleares iranianas. 'Esta é uma mudança de postura, não uma evacuação ordenada,' disse um funcionário americano ao Gulf News, enfatizando o caráter preventivo da retirada.

Crise interna do Irã se intensifica

O gatilho imediato para o reposicionamento militar é a pior agitação interna no Irã em décadas. O que começou como protestos contra dificuldades econômicas evoluiu para um desafio nacional ao regime teocrático do Líder Supremo Aiatolá Khamenei. Organizações de direitos humanos relatam que o número de mortos ultrapassou 2.500, com algumas estimativas chegando a quase 3.500. O grupo norueguês Iran Human Rights, usando dados das autoridades iranianas, sugere que pelo menos 10.000 pessoas foram presas.

O Irã impôs um apagão quase total da internet, dificultando a verificação independente. 'Estamos vendo o desafio mais ousado ao regime desde o movimento Mulher, Vida, Liberdade de 2022,' observou um analista regional. A repressão brutal do regime provocou condenação internacional e ameaças de intervenção militar do presidente americano Donald Trump.

Ameaças de Trump e advertências regionais

O presidente Trump advertiu repetidamente o Irã contra a execução de manifestantes presos, ameaçando com 'medidas muito poderosas' se tais ações continuarem. Em sua plataforma Truth Social, Trump disse aos 'patriotas' iranianos que 'AJUDA ESTÁ A CAMINHO,' embora tenha se recusado a especificar que forma essa ajuda assumiria. Funcionários europeus que falaram com a Reuters sugeriram que uma intervenção militar americana 'parece provável' e poderia ocorrer dentro de 24 horas.

Em resposta, o Irã advertiu países vizinhos que abrigam tropas americanas—incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia—que seu território seria atacado se os EUA atacassem o Irã a partir de bases localizadas lá. Teerã pediu a esses países que impeçam um ataque americano.

Reação internacional e solidariedade

O Reino Unido juntou-se aos EUA na retirada de pessoal de Al Udeid e fechou temporariamente sua embaixada em Teerã. Vários países europeus emitiram alertas de viagem ou começaram a evacuar cidadãos do Irã. Protestos de solidariedade surgiram globalmente, incluindo uma marcha em Amsterdã onde centenas se reuniram para apoiar manifestantes iranianos.

A situação permanece fluida, com canais diplomáticos tensos e posturas militares mudando diariamente. Como observou um especialista em Oriente Médio: 'Estamos testemunhando uma escalada perigosa onde um erro de cálculo de qualquer lado poderia desencadear um conflito regional mais amplo.' O mundo observa com atenção enquanto a crise interna do Irã ameaça transbordar suas fronteiras, testando os limites da diplomacia internacional e da dissuasão militar.

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