O boom global da inteligência artificial está impulsionando um aumento sem precedentes na demanda por eletricidade, com data centers de IA projetados para consumir mais de 1.000 terawatts-hora (TWh) em 2026 — mais do que o consumo anual total da maioria dos países, incluindo França ou Reino Unido. Esse déficit estrutural de energia está remodelando os mercados globais de eletricidade, forçando um realinhamento histórico da estratégia energética, enquanto as grandes empresas de tecnologia assinam acordos marcantes de reinicialização nuclear e parcerias geotérmicas para garantir energia confiável e ininterrupta para sua infraestrutura de IA em expansão.
A Escala do Apetite Energético da IA
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o fornecimento global de eletricidade para data centers deve crescer de 460 TWh em 2024 para mais de 1.000 TWh até 2030, com os cenários mais agressivos atingindo esse limite já em 2026. O relatório Electricity 2026 da AIE, publicado em fevereiro de 2026, destaca que a demanda de energia dos data centers está acelerando mais rápido do que o previsto, impulsionada pela rápida implantação de cargas de trabalho de treinamento e inferência de IA. Nos Estados Unidos, espera-se que os data centers consumam entre 6,7% e 12% da eletricidade total até 2028, acima dos 4,4% em 2023.
Reinicialização Nuclear: O Renascimento de Three Mile Island
O acordo mais simbólico desta nova era energética é o contrato de compra de energia de 20 anos da Microsoft com a Constellation Energy para reiniciar a Unidade 1 de Three Mile Island, na Pensilvânia. A usina, que fechou em 2019 devido a perdas operacionais, adicionará 835 megawatts de energia livre de carbono — toda direcionada para data centers da Microsoft. A Constellation está gastando aproximadamente US$ 1,6 bilhão para reformar a instalação. O acordo estimulou acordos semelhantes em todo o setor, posicionando a energia nuclear como uma solução crítica para as enormes demandas energéticas da IA. A