Grande Acordo de Compra de DAC Sinaliza Maturidade do Mercado de Remoção de CO2

Um grande acordo de compra (offtake) para Captura Direta de Ar (DAC) inclui preços detalhados vinculados a insumos energéticos e cronogramas claros de projeto, sinalizando maturidade de mercado para tecnologia de remoção de CO2 e fornecendo segurança financeira para expansão.

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Acordo de Compra de Captura Direta de Ar Assinado: Um Ponto de Virada para a Remoção de CO2

Em um desenvolvimento significativo para a indústria de remoção de carbono, um grande acordo de compra (offtake) foi assinado, contendo disposições detalhadas sobre preços, insumos energéticos e cronogramas de projeto. Este acordo representa um passo crucial rumo à comercialização da tecnologia de Captura Direta de Ar (DAC) e ao estabelecimento de um mercado robusto para créditos de remoção de CO2 de alta qualidade.

A Estrutura do Acordo e Condições-Chave

O acordo, celebrado entre uma instituição financeira líder e um proeminente desenvolvedor de DAC, envolve a compra de 50.000 toneladas métricas de créditos de remoção de CO2 ao longo de um período de 10 anos. O que torna este acordo particularmente notável é sua estrutura abrangente, que inclui mecanismos de preços específicos vinculados aos custos de energia e marcos claros de projeto.

'Isso não é apenas sobre comprar créditos de carbono—é sobre construir uma infraestrutura de mercado que possa escalar,' disse Charlotte Garcia, uma analista de inovação que acompanha o setor. 'A inclusão de preços de insumos energéticos e compromissos de cronograma mostra o quão sofisticados esses acordos estão se tornando.'

O acordo é estruturado de forma semelhante aos acordos de compra de energia (PPAs) no setor de energia renovável, com pagamentos escalonados vinculados às fases de desenvolvimento do projeto e à entrega real da remoção de CO2. Esta abordagem ajuda a mitigar riscos para ambas as partes, enquanto o projeto recebe o financiamento necessário durante seu ciclo de desenvolvimento.

Insumos Energéticos e Dinâmica de Preços

Um dos aspectos mais inovadores do acordo é como ele aborda os insumos energéticos—um fator crítico na economia da DAC. A tecnologia DAC requer energia significativa para capturar CO2 do ar ambiente, com os processos atuais consumindo entre 1.500 e 2.500 kWh por tonelada de CO2 capturada, dependendo da tecnologia específica utilizada.

O acordo inclui disposições para fontes de energia renovável e mecanismos de preços que consideram as flutuações dos preços da energia. Isso é especialmente importante porque os custos de energia podem representar 40-60% do custo operacional total da DAC. Ao estabelecer acordos de preços de energia, o acordo oferece maior certeza de custos tanto para o desenvolvedor quanto para o comprador.

'A energia é o maior custo nas operações de DAC,' explicou um desenvolvedor de projeto familiarizado com o acordo. 'A definição clara de preços de insumos energéticos em nossos acordos de compra nos dá a confiança para investir na expansão de nossa tecnologia.'

Cronograma do Projeto e Ambições de Escalonamento

O cronograma do projeto delineado no acordo mostra planos ambiciosos de expansão, com operações iniciais começando em 2025 e capacidade total esperada até 2027. A instalação de DAC, que estará entre as maiores do mundo quando concluída, foi projetada para capturar 500.000 toneladas de CO2 anualmente em escala total.

Este cronograma se alinha com projeções mais amplas da indústria que mostram crescimento exponencial na capacidade de DAC. De acordo com dados recentes, espera-se que a capacidade global de DAC aumente 873% apenas em 2025, impulsionada em grande parte por grandes projetos entrando em operação. A capacidade global atual de DAC é de pouco mais de 10.000 toneladas anuais, mas mais de 130 novas instalações estão em desenvolvimento em todo o mundo.

Contexto de Mercado e Implicações para a Indústria

Este acordo surge em um momento crucial para o mercado de remoção de carbono. Embora a tecnologia DAC esteja em desenvolvimento desde 1999, ela só recentemente começou a fazer a transição de projetos piloto para escala comercial. Os altos custos atuais da DAC—em média cerca de US$ 646 por tonelada—continuam sendo uma barreira significativa, mas especialistas da indústria acreditam que os custos cairão dramaticamente à medida que a tecnologia for escalada.

'Estamos vendo o mercado de remoção de CO2 amadurecer diante de nossos olhos,' observou Garcia. 'Acordos de compra como este fornecem a segurança financeira que os desenvolvedores precisam para investir na expansão de suas operações, o que, por sua vez, reduz custos por meio de economias de escala.'

O acordo também reflete o crescente interesse corporativo em soluções de remoção de CO2 de alta qualidade. Grandes empresas estão cada vez mais reconhecendo que compensações de carbono temporárias são insuficientes para atingir metas de emissões líquidas zero e, em vez disso, estão recorrendo a soluções de remoção permanente, como DAC com armazenamento geológico (DACCS).

Inovação Tecnológica e Perspectiva Futura

A tecnologia DAC funciona usando processos químicos ou físicos para extrair dióxido de carbono diretamente do ar ambiente. As duas principais abordagens são DAC com adsorvente sólido (S-DAC), que utiliza processos de baixa temperatura, e DAC com solvente líquido (L-DAC), que pode operar em diferentes temperaturas. Ambos os métodos envolvem capturar o CO2, separar o meio de captura usando energia (tipicamente calor) e, em seguida, comprimi-lo para armazenamento ou uso.

O setor está passando por uma rápida inovação, com empresas desenvolvendo processos mais eficientes em termos energéticos e explorando a integração com operações industriais. Alguns desenvolvedores buscam designs modulares que possam ser implantados de forma mais flexível, enquanto outros se concentram na geração de co-produtos para melhorar a economia do processo.

Olhando para o futuro, observadores da indústria esperam mais acordos de compra sofisticados que não apenas incluam créditos de remoção de CO2, mas também potenciais fluxos de receita do uso do CO2. À medida que estruturas regulatórias, como o Quadro de Certificação de Remoção de Carbono da UE, tomam forma, o mercado para remoção de CO2 de alta qualidade provavelmente se expandirá significativamente.

'Este acordo representa um novo capítulo na ação climática,' concluiu Garcia. 'Ele mostra que a remoção de CO2 está passando de discussões teóricas para soluções práticas e comercialmente viáveis que podem fazer uma diferença real no combate às mudanças climáticas.'

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