Por Isabella Kowalska
Em 1º de janeiro de 2026, a China lançou o primeiro yuan digital remunerado do mundo, reclassificando o e-CNY de M0 (dinheiro digital) para M1 (moeda de depósito). O Banco Popular da China (PBOC) permite que dez grandes bancos paguem cerca de 0,05% de juros anuais sobre carteiras verificadas, liberando pagamentos de salários, subsídios e liquidação comercial transfronteiriça em escala.
O que é o yuan digital chinês com juros?
O e-CNY foi lançado em 2014 como alternativa ao Alipay e WeChat Pay, mas a adoção do yuan digital estagnou sem juros. Agora, carteiras verificadas das categorias 1–3 rendem juros com liquidação trimestral e cobertura do seguro de depósito; as anônimas não recebem nada.
De M0 a M1: a reclassificação explicada
Bancos comerciais podem manter o e-CNY como passivo e usá-lo para criação de crédito. O vice-governador do PBOC, Lu Lei, disse que o yuan digital passará de dinheiro digital a moeda de depósito digital. Diferente dos modelos tradicionais de moeda digital de banco central, sem juros, a China quer competir com as plataformas privadas.
Principais mudanças em resumo
- Juros: ~0,05% ao ano; liquidação trimestral
- Reclassificação: M0 → M1
- Seguro de depósito cobre saldos
- Carteiras elegíveis: categorias 1–3 e contas corporativas; anônimas não
- mBridge: US$ 55,5 bilhões liquidados
Escala: 16,7 trilhões de yuans e Projeto mBridge
Até novembro de 2025, o e-CNY havia processado 16,7 trilhões de yuans (US$ 2,3 trilhões) em 3,48 bilhões de transações, segundo o Conselho de Estado da China. A plataforma transfronteiriça multi-CBDC mBridge liquidou US$ 55,5 bilhões no início de 2026 — alta de cerca de 2.500 vezes ante o piloto de 2022 —, com o e-CNY respondendo por cerca de 95% do volume, conforme o Blockchain Journal. Isso cria uma alternativa ao dólar e ao SWIFT.
Pressão global sobre BCE, Fed e outros bancos centrais
A medida quebra o consenso de que CBDCs não pagam juros. O euro digital do Banco Central Europeu está planejado sem juros para 2029; os EUA proibiram CBDC de varejo. Com 137 países explorando o tema, a corrida global das CBDCs agora envolve poupança estatal e desafia o dólar.
Privacidade e vigilância: questões em aberto
Os juros exigem identidade real, e o PBOC mantém supervisão centralizada. O debate sobre a arquitetura de vigilância segue aberto: carteiras anônimas não rendem juros, empurrando usuários para contas identificadas e ampliando o controle estatal sobre dados financeiros.
Perguntas frequentes
O que é o yuan digital chinês com juros?
É o e-CNY, que desde 1º de janeiro de 2026 paga cerca de 0,05% ao ano sobre carteiras verificadas e foi reclassificado de M0 para M1.
Por que a China tornou o yuan digital remunerado?
Para reativar a adoção, competir com Alipay e WeChat Pay e posicionar o e-CNY como instrumento de poupança e liquidação transfronteiriça.
Quanto o yuan digital já processou?
Até novembro de 2025, o e-CNY processou 16,7 trilhões de yuans (US$ 2,3 trilhões) em 3,48 bilhões de transações; o mBridge soma US$ 55,5 bilhões.
Como isso afeta o dólar?
Reforça uma alternativa ao SWIFT e pressiona BCE, Fed e outros bancos centrais a reagirem.
Há preocupações com privacidade?
Sim: apenas carteiras com identidade real rendem juros, intensificando o debate sobre vigilância estatal.
Conclusão
Ao pagar juros e virar M1, Pequim criou a primeira grande CBDC que disputa pagamentos e poupança. Resta saber se os bancos centrais ocidentais seguirão o modelo ou se o dólar perderá espaço na liquidação global.
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