Em 1º de janeiro de 2026, a China lançou a atualização mais significativa de seu yuan digital (e-CNY), reclassificando saldos de carteiras como passivos de depósito, permitindo que bancos comerciais paguem juros e integrando operações de moeda digital do banco central (CBDC) nos protocolos de reserva. Com transações cumulativas superiores a 16,7 trilhões de yuans (US$ 2,3 trilhões), o e-CNY evolui de um substituto de dinheiro para um sistema de depósito digital completo. Esta mudança estratégica posiciona a China para desafiar os sistemas de pagamento denominados em dólar, acelerar a desdolarização em liquidações transfronteiriças via Projeto mBridge e pressionar outros bancos centrais — especialmente o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve — a acelerarem seus prazos de CBDC.
O que mudou em 1º de janeiro de 2026?
O Banco Popular da China (PBOC) anunciou o novo marco regulatório do e-CNY no final de 2025. Sob o novo marco, o yuan digital em carteiras de bancos comerciais é agora classificado como depósito, não equivalente a dinheiro. Os bancos devem pagar juros sobre saldos conforme regulamentações e esses saldos estão protegidos pelo sistema de seguro de depósitos. O PBOC integrou operações do yuan digital ao sistema de reservas. Instituições de pagamento não bancárias que administram yuan digital devem manter 100% de reservas contra esses saldos. Um novo Comitê de Gestão do Yuan Digital supervisionará operações nacionais e transfronteiriças. O quadro regulatório de CBDC agora espelha a supervisão bancária tradicional.
A escala do experimento CBDC da China
Até novembro de 2025, a China registrou 3,48 bilhões de transações cumulativas no valor de 16,7 trilhões de yuans (US$ 2,37 trilhões). O uso abrange pagamentos de varejo, serviços públicos, saúde, educação, turismo e liquidações internacionais. A atualização do modelo 1.0 (dinheiro digital) para o modelo 2.0 (moeda de depósito digital) representa uma década de pesquisa desde 2014. A linha do tempo da moeda digital chinesa mostra progressão metódica da pesquisa interna à integração operacional.
Projeto mBridge: desafiando o domínio do dólar
O Projeto mBridge, plataforma envolvendo China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, processou mais de US$ 55,5 bilhões em transações cumulativas — um aumento de 2.500 vezes desde 2022. O yuan digital responde por aproximadamente 95% do volume de liquidação, com mais de 4.000 transações transfronteiriças. O BIS saiu do mBridge em 2024 e focou no Projeto Agorá, alternativa ocidental. Embora a escala atual não ameace diretamente o domínio do dólar, analistas observam que ela corrói incrementalmente o papel do dólar no comércio regional. As tendências de desdolarização no comércio global aceleram.
Efeitos globais: pressão sobre BCE e Fed
A atualização coincide com o Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Econômico Mundial, que identifica confronto geoeconômico como principal risco de curto prazo. O BCE concluiu sua fase de preparação do euro digital em outubro de 2025, mas enfrenta um prazo mais longo: se a legislação for aprovada em 2026, pilotos podem começar em 2027, com emissão possível em 2029. O BCE estima investimentos de €4,0–€5,8 bilhões em quatro anos. O Fed continua o mais cauteloso, sem decisão sobre CBDC, enquanto a Associação de Banqueiros Americanos levanta preocupações sobre desintermediação e privacidade. O debate sobre política de CBDC nos EUA permanece paralisado.
FAQ
O que é o yuan digital (e-CNY)?
O yuan digital é a CBDC da China emitida pelo PBOC, com valor equivalente ao renminbi físico.
O que mudou na atualização de 2026?
Desde 1º de janeiro de 2026, saldos em carteiras de bancos comerciais são reclassificados como depósitos, com juros obrigatórios, seguro e integração ao sistema de reservas.
Qual o tamanho do experimento CBDC da China?
Até novembro de 2025, foram 16,7 trilhões de yuans em transações (US$ 2,37 trilhões) em 3,48 bilhões de transações.
O que é o Projeto mBridge?
Plataforma multi-CBDC para pagamentos transfronteiriços envolvendo China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, com mais de US$ 55,5 bilhões processados, sendo 95% em yuan digital.
Como isso afeta o euro digital e a CBDC dos EUA?
A atualização pressiona BCE e Fed a acelerarem. O euro digital pode ser lançado até 2029; os EUA ainda não decidiram.
Conclusão
A reforma do yuan digital em 2026 marca uma mudança decisiva da experimentação para a realidade operacional. Ao tratar o e-CNY como depósito digital, Pequim criou um instrumento mais atraente para poupança e grandes transações, fortalecendo sua política monetária. Combinado com o crescimento do mBridge, o novo marco desafia o domínio do dólar e pressiona bancos centrais ocidentais. A evolução do yuan digital será uma das histórias financeiras definidoras de 2026.
Fontes
- Governo Chinês: PBOC anuncia novo marco do e-CNY
- Digital Watch: Novas regras para o yuan digital em 2026
- JSM Publications: China apresenta novo marco para o yuan digital
- Finance Feeds: mBridge da China atinge US$ 55 bilhões em pagamentos transfronteiriços
- WEF: Relatório de Riscos Globais 2026
- BCE: Progresso do euro digital
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