Em 2026, o bloco BRICS lançou a 'Unidade', um token digital de liquidação com lastro em ouro que está remodelando as finanças globais. Lastreada em 40% por ouro físico e 60% por uma cesta de moedas dos membros, e construída na blockchain Cardano, a Unidade representa o passo mais concreto na campanha de desdolarização do bloco. Combinado com a expansão do BRICS Pay e estruturas de CBDC interoperáveis conectando SPFS (Rússia), CIPS (China) e UPI (Índia), o comércio intrabloco em moedas locais atingiu aproximadamente 67%.
O que é a Unidade BRICS?
A Unidade BRICS é um token digital de liquidação para comércio transfronteiriço entre nações do BRICS, anunciado em dezembro de 2025 pelo instituto IRIAS da Rússia. É um instrumento institucional, não uma moeda de varejo. Seu valor deriva de lastro híbrido: 40% em ouro físico e 60% em uma cesta de moedas nacionais (real brasileiro, yuan chinês, rupia indiana, rublo russo e rand sul-africano). Opera em uma versão permissionada da blockchain Cardano, permitindo swaps atômicos e liquidação quase instantânea sem depender da rede SWIFT.
Infraestrutura por trás da mudança
BRICS Pay e integração de sistemas de pagamento
O BRICS Pay, com lançamento operacional total na cúpula de 2026 na Índia, integra sistemas nacionais: SPFS, CIPS, UPI e Pix (Brasil). A rede CIPS da China conecta mais de 1.500 instituições em 117 países. O sistema BRICS Pay visa incorporar CBDCs, reduzindo a dependência do dólar.
Interoperabilidade de CBDC
O Projeto mBridge, plataforma multi-CBDC, atingiu US$ 55,49 bilhões em transações até 2025. A Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS (BCBPI) busca unificar essas estruturas. O yuan digital chinês ultrapassou US$ 2,38 trilhões em transações. Esta estrutura de interoperabilidade de CBDC permite liquidação instantânea entre bancos centrais sem intermediação do dólar.
Comércio intrabloco em moedas locais: 67% e crescendo
Segundo o ministro russo Sergey Lavrov, 67% das transações intra-BRICS são em moedas locais, ante menos de 30% há uma década. Rússia e China liquidam cerca de 90% do comércio bilateral em rublos e yuans. A Unidade serve como âncora de liquidação, reduzindo volatilidade cambial. O BRICS representa 45% da população mundial e 36% do PIB global (mais de US$ 27 trilhões). No entanto, a Índia afirmou não ter política para substituir o dólar.
Status de reserva do dólar: recorde baixo, mas ainda dominante
A participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu para 56,3% no 2º trimestre de 2025, a menor desde 1995. Desde o pico de 72% em 2001, perdeu quase 16 pontos percentuais. Contudo, 92% da queda deveu-se a movimentos cambiais, não a vendas ativas. O dólar ainda liquida 88-89% das transações forex globais. Bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro anualmente por três anos consecutivos, elevando a participação do ouro nas reservas de 13% em 2017 para ~30% em 2025. O declínio da hegemonia do dólar é mais uma perda de monopólio do que um colapso iminente.
Implicações para sanções e estabilidade financeira
O congelamento das reservas russas em 2022 mudou o cálculo dos gestores de reservas. A Unidade e os sistemas associados oferecem alternativa resistente a sanções. Para Rússia e Irã, é existencial; para outros, oferece opcionalidade. No entanto, a fragmentação dos sistemas de pagamento cria riscos: custos mais altos, interoperabilidade reduzida e pressão geopolítica. As implicações da política de sanções são profundas, pois a eficácia das sanções diminui quando os alvos têm alternativas viáveis.
Perspectivas de especialistas
A Unidade é uma abordagem híbrida pragmática que pode levar a um sistema monetário internacional com lastro em ouro, observa Nathan Lewis na Forbes. Pesquisas do J.P. Morgan destacam que a desdolarização é mais visível nas reservas dos bancos centrais e nos mercados de commodities. O presidente russo Putin afirmou que criar uma moeda única do BRICS ainda é prematuro.
FAQ
O que é a Unidade BRICS?
É um token digital de liquidação com lastro em ouro para comércio transfronteiriço entre nações do BRICS, lastreado 40% em ouro e 60% em uma cesta de moedas, operando na blockchain Cardano.
Indivíduos podem comprar ou usar a Unidade?
Não. É um instrumento institucional para governos e bancos centrais, não para varejo.
Como a Unidade difere de uma criptomoeda?
Ao contrário de criptomoedas descentralizadas, a Unidade é um token permissionado e com lastro em ativos, governado pela Unit Foundation.
O dólar está perdendo seu status de moeda de reserva?
A participação do dólar caiu para ~56%, mas ainda domina transações forex (88-89%) e não há alternativa em escala. A mudança é para um sistema multipolar.
Quais os riscos da desdolarização para a estabilidade global?
A fragmentação pode aumentar custos e reduzir interoperabilidade, mas a diversificação gradual pode reduzir o risco sistêmico da dependência excessiva de uma única moeda.
Conclusão: Mudança estrutural ou alternativa limitada?
A Unidade BRICS e a infraestrutura associada representam o esforço de desdolarização mais operacional até hoje. Com 67% do comércio intrabloco em moedas locais, um token de liquidação ativo e redes de pagamento em expansão, 2026 marca o ano em que a desdolarização passou do discurso para a infraestrutura operacional. No entanto, a liquidez profunda do dólar e seus efeitos de rede garantem seu domínio por enquanto. O resultado mais provável é um mundo multipolar, onde o dólar divide influência com o euro, o renminbi, o ouro e ativos digitais. A Unidade BRICS é um símbolo poderoso e uma ferramenta funcional, mas ainda não um 'matador do dólar'.
Fontes
- Lançamento da Unidade com lastro em ouro do BRICS
- Forbes: A nova moeda Unidade do BRICS
- Economic Times: Participação do dólar nas reservas atinge menor nível em 30 anos
- Informed Clearly: Dólar abaixo de 57% das reservas
- Cointribune: BRICS aceleram transição para moedas locais
- J.P. Morgan: Pesquisa sobre desdolarização
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