O Tribunal de Apelação do Reino Unido anulou em 7 de outubro de 2026 as condenações por manipulação da Libor e da Euribor de cinco ex-operadores do Barclays, outra grande reversão nas ações penais sobre benchmarks que se seguiram à crise financeira de 2008. Jay Vijay Merchant, Jonathan Mathew, Philippe Moryoussef, Alex Pabon e Colin Bermingham haviam sido condenados por associação criminosa para fraude.
O que foi o escândalo da Libor?
A Libor era o benchmark usado para fixar custos de empréstimos em todo o sistema financeiro global. Entre 2005 e 2010, operadores de grandes bancos, incluindo o Barclays, foram acusados de enviar taxas falsas para lucrar com posições de negociação. O escândalo de manipulação da Libor gerou investigações criminais em três continentes e cerca de 9 bilhões de dólares em multas; o Barclays pagou 290 milhões de libras em 2012.
Os cinco foram processados pelo Serious Fraud Office (SFO). Merchant, Mathew e Pabon foram condenados em 2016; Moryoussef e Bermingham, em 2018 e 2019. As penas variaram de dois a oito anos e quatro deles cumpriram prisão. Moryoussef foi sentenciado à revelia após a França recusar sua extradição.
Por que as condenações foram anuladas?
A decisão decorre do julgamento da Suprema Corte britânica de julho de 2025, que anulou as condenações de Tom Hayes e Carlo Palombo. O tribunal concluiu que os juízes deram aos jurados orientações "legalmente imprecisas e injustas", sugerindo que qualquer interesse comercial tornaria o envio de uma taxa desonesto. Também rejeitou a teoria da "taxa mais barata única", segundo o registro do caso na Suprema Corte.
Isso abriu caminho para a Criminal Cases Review Commission reavaliar outras condenações; o órgão encaminhou os cinco casos em janeiro de 2026. O juiz Andrew Edis afirmou que o raciocínio da Suprema Corte determinava essas apelações, e o SFO não se opôs, concluindo que novos julgamentos não atendiam ao interesse público.
O que disseram os operadores
Jonathan Mathew disse que a decisão corrigiu uma injustiça de uma década. Philippe Moryoussef descreveu o resultado como "recuperar minha alma", após perder carreira e reputação. Seus advogados argumentaram que foram processados por práticas comerciais comuns à época.
Impacto na repressão a condutas financeiras
A decisão é outro golpe para o SFO e levanta questões sobre a repressão a condutas financeiras em mercados complexos. Após o caso Barclays, restaram dois condenados: Christian Bittar, do Deutsche Bank, cuja apelação estava prevista para 9 de outubro de 2026, e o denunciante Peter Johnson, que pretende recorrer.
As reversões não equivalem a absolvição. A Suprema Corte reconheceu haver amplas provas de intenção de distorcer taxas. As decisões se baseiam em erro jurídico — as instruções sobre desonestidade e definições de benchmark — e não em se houve manipulação.
A Libor já foi substituída
A Libor foi extinta no fim de 2024, substituída por taxas livres de risco como a SONIA no Reino Unido e a SOFR nos EUA. A reforma dos benchmarks de juros permanece como legado central do escândalo.
Perspectivas de especialistas
Analistas jurídicos afirmam que os casos expuseram a dificuldade de aplicar a lei penal de fraude a condutas de mercado sutis. "A Suprema Corte reenquadrou o que os jurados deveriam ter ouvido", disse um advogado envolvido nas apelações.
Perguntas frequentes
Por que o tribunal anulou as condenações?
Aplicou o entendimento de 2025 de que as instruções aos jurados foram imprecisas e injustas, tornando os veredictos inseguros.
Quem são os cinco ex-operadores do Barclays?
Jay Vijay Merchant, Jonathan Mathew, Philippe Moryoussef, Alex Pabon e Colin Bermingham.
O que aconteceu com Tom Hayes?
Sua condenação de 2015 foi anulada em julho de 2025, junto com a de Carlo Palombo, por erro jurídico.
Isso significa que a Libor não foi manipulada?
Não. Havia amplas provas de intenção, mas as condenações não podiam subsistir por erros processuais.
Quantas condenações restam no Reino Unido?
Apenas Christian Bittar e Peter Johnson; a apelação de Bittar estava prevista para dois dias depois.
Conclusão
O colapso dos processos mostra como uma única decisão da Suprema Corte pode desmontar uma década de enforcement. A atenção se volta para a apelação de Bittar e o recurso de Johnson, enquanto o SFO enfrenta novas perguntas sobre sua abordagem à repressão a crimes de colarinho branco.
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