Um juiz federal em Boston rejeitou na quinta-feira a ação por antissemitismo movida pelo governo Trump contra a Universidade Harvard, desferindo um duro golpe na campanha do governo contra universidades de elite. O juiz distrital Richard G. Stearns decidiu que os supostos assédios a estudantes judeus e israelenses foram 'isolados e episódicos demais' para sustentar alegações de que Harvard violou sistematicamente as proteções de direitos civis do Título VI. A decisão, emitida em 13 de agosto de 2026, representa uma grande derrota para o Departamento de Justiça, que buscava bilhões em cortes de financiamento federal e amplas mudanças políticas na universidade.
O que a administração Trump alegou?
O Departamento de Justiça entrou com a ação em março, acusando Harvard de não proteger estudantes judeus e israelenses durante protestos pró-Palestina no campus nos anos letivos de 2023-2024 e em março de 2025. A denúncia citava incidentes de 'hostilidade, assédio e intimidação' e exigia que Harvard adotasse reformas internas. O governo argumentou que a suposta inércia de Harvard violava o Título VI da Lei de Direitos Civis, que proíbe discriminação em programas que recebem dinheiro federal.
Por que o juiz rejeitou o caso
O juiz distrital Richard G. Stearns decidiu que os incidentes citados pelo governo eram 'incidentais e anedóticos por natureza' e não comprovavam violações sistemáticas de direitos civis. 'O tribunal conclui que a suposta discriminação é isolada e episódica demais para sustentar uma alegação de indiferença deliberada', escreveu Stearns. Ele também observou que a denúncia carecia de alegações factuais ocorridas depois que o governo notificou formalmente Harvard sobre a suposta não conformidade. A decisão ecoa um veredicto federal anterior que considerou que o governo Trump usou indevidamente alegações de antissemitismo como parte de um 'ataque ideologicamente motivado' a universidades.
A rejeição é o mais recente revés para a campanha do governo Trump contra universidades de elite por suposto antissemitismo e viés de esquerda.
Parte de uma campanha mais ampla contra universidades
A ação é uma peça de um esforço mais amplo da administração Trump para cortar subsídios e pressionar instituições por aquilo que o presidente chama de política excessivamente de esquerda. Trump argumentou repetidamente que universidades de prestígio são liberais demais e que pontos de vista conservadores são sub-representados no campus. Críticos rebatem que a campanha mina a liberdade acadêmica no ensino superior. Em julho, mais de 10.000 ex-alunos de Harvard assinaram uma carta alertando que as universidades só podem permanecer fiéis a seus valores fundamentais se usufruírem de plena liberdade acadêmica. Anteriormente, o governo retirou financiamento de pesquisa de Harvard, mas um juiz considerou essa medida ilegal.
Como outras universidades responderam à pressão
Enquanto Harvard lutou contra o governo nos tribunais, outras instituições cederam parcialmente. A Universidade Columbia fez um acordo com o governo Trump para evitar perder centenas de milhões em subsídios federais. A Universidade Cornell também concordou em mudar políticas para restaurar seu financiamento. Harvard, uma das universidades mais ricas do país, obtém grande parte de sua renda de doações e dotações, o que lhe confere mais alavancagem financeira para resistir à pressão governamental.
Respostas das universidades comparadas
| Universidade | Resposta | Resultado |
|---|---|---|
| Harvard | Lutou na justiça | Ação rejeitada |
| Columbia | Fez acordo com o governo | Evitou cortes de financiamento |
| Cornell | Concordou em mudar políticas | Financiamento restaurado |
O que vem a seguir para Harvard e a administração Trump?
O Departamento de Justiça disse que discorda da decisão e está avaliando próximos passos. A Divisão de Direitos Civis do departamento continua com uma investigação separada sobre antissemitismo. Há também uma apelação pendente envolvendo estudantes internacionais, depois que o governo tentou revogar seus vistos. Um juiz federal bloqueou esse esforço em junho do ano passado, mas o governo recorreu. O resultado desse caso poderá moldar ainda mais a alavancagem da administração sobre universidades e suas políticas de visto para estudantes internacionais.
Perguntas frequentes
O que o juiz federal decidiu?
O juiz Richard G. Stearns rejeitou a ação do governo Trump, decidindo que os supostos incidentes de antissemitismo foram isolados demais para provar que Harvard violou o Título VI.
Por que o governo Trump processou Harvard?
O governo acusou Harvard de não proteger estudantes judeus e israelenses de assédio durante protestos pró-Palestina, violando seus direitos civis.
O que é o Título VI?
O Título VI é uma lei federal de direitos civis que proíbe discriminação com base em raça, cor ou origem nacional em programas que recebem fundos federais.
Harvard perdeu algum financiamento federal?
Um juiz decidiu anteriormente que a retirada de financiamento de pesquisa de Harvard pelo governo foi ilegal, portanto o financiamento foi restaurado.
O governo vai apelar da rejeição?
O Departamento de Justiça disse que discorda da decisão e está avaliando próximos passos, portanto uma apelação é possível.
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