O que está por trás dos protestos escolares na França?
Os protestos nas escolas francesas se intensificaram nesta quarta-feira, quando a polícia disparou gás lacrimogêneo contra manifestantes diante de uma escola secundária no nordeste de Paris e em outra concentração em Marselha. O movimento nacional denuncia escolas sem recursos e o que os participantes chamam de repressão policial. Iniciado em meados de setembro nos subúrbios pobres de Seine-Saint-Denis, o protesto agora reúne sobretudo adolescentes, bloqueou centenas de escolas e provocou 18 investigações internas sobre supostas brutalidades policiais — incluindo o caso de um menino de 15 anos que perdeu a mão por uma granada de atordoamento.
Reivindicações dos estudantes
Os alunos exigem turmas menores, professores substitutos, prédios funcionais e alívio do estresse ligado ao sistema de admissão Parcoursup. No Lycée Saint-Exupéry, em Marselha, relataram professores ausentes, banheiros sem água e ratos. Ryad Rani, presidente do sindicato Union Syndicale Lycéenne (USL), citou um aluno que passou sete meses sem professor de francês em um ano com exame da disciplina. O movimento segue outras mobilizações estudantis francesas de 1990, 2005 e 2018, mas turmas de 32 a 36 alunos e salas a até 40°C ampliaram seu alcance. Sindicatos de estudantes e professores convocaram greve nacional para 13 de outubro, exigindo €10 bilhões adicionais para a educação.
Gás lacrimogêneo e investigações de brutalidade
Em 8 de outubro, a polícia de choque usou gás lacrimogêneo no colégio Hélène Boucher, no nordeste de Paris, e em Marselha, onde cerca de 3.900 pessoas se manifestaram. As autoridades abriram 18 inquéritos internos. O caso mais grave envolveu um jovem de 15 anos em Lens que perdeu a mão ao pegar uma granada de atordoamento; o ministro do Interior, Laurent Nuñez, suspendeu o uso dessas granadas em manifestações escolares, mas rejeitou as acusações de repressão e defendeu a resposta como proporcional. A Anistia França chamou a suspensão de primeiro passo importante e pediu proibição permanente. O uso da força policial contra menores tornou-se o principal ponto de tensão.
Dimensão da onda de protestos
Segundo o Ministério do Interior, mais de 266.000 pessoas se manifestaram em 6 de outubro, incluindo 56.000 em Paris, enquanto os sindicatos falaram em 450.000. Até quarta-feira, 429 dos 3.700 lycées e 80 campi universitários estavam bloqueados. Em duas semanas, a polícia fez mais de 6.500 prisões, cerca de 85-90% de menores, e o governo registrou 24 escolas incendiadas ou saqueadas. Houve 215 adolescentes, 89 funcionários e 761 policiais feridos; as aulas foram suspensas em 891 escolas.
- 266.000+ manifestantes em 6 de outubro
- 6.500+ prisões, em sua maioria menores
- 891 escolas afetadas ou fechadas
- 18 investigações internas
A crise de financiamento da educação envolveu pais, universitários e sindicatos do setor público, transformando uma disputa local em um teste político nacional.
Resposta do governo e próximos passos
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu negou que a polícia tivesse ordens para confrontar estudantes e prometeu um plano de ação até o fim de outubro; o ministro da Educação, Édouard Geffray, deve anunciar medidas concretas para substituir professores ausentes. Os alunos seguem descrentes, gritando Queremos ações. O governo acusou ativistas de extrema-esquerda de incitar a violência, enquanto a Liga Francesa de Direitos Humanos condenou o uso excessivo da força contra menores. Com a eleição presidencial de 2027 no horizonte, os protestos se tornaram tema central para o governo Macron. A crise política francesa tende a se intensificar com novas manifestações na quinta-feira e a greve nacional de 13 de outubro.
Perguntas frequentes
Qual é o motivo dos protestos?
Falta de professores, turmas superlotadas, prédios deteriorados e o estresse do Parcoursup; os alunos pedem €10 bilhões adicionais.
Por que a polícia usou gás lacrimogêneo?
Para dispersar multidões em Paris e Marselha; as autoridades dizem que a resposta foi proporcional.
Há investigação sobre brutalidade policial?
Sim, 18 inquéritos internos. Um jovem de 15 anos perdeu a mão em Lens, levando à suspensão das granadas de atordoamento.
Quantos estudantes foram presos?
Mais de 6.500 em duas semanas, cerca de 85-90% de menores, segundo o Ministério do Interior.
O que acontece agora?
Greve nacional em 13 de outubro, novas manifestações e um plano do governo prometido para o fim de outubro.
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