Patrick Branco Ruivo, diretor-geral da SETE, empresa que opera a Torre Eiffel, anunciou que deixará o cargo no final de 2026 após uma investigação interna confirmar que funcionárias foram excluídas durante uma visita de uma delegação religiosa hindu em 5 de setembro de 2026. O escândalo da exclusão de funcionárias na Torre Eiffel provocou um debate nacional sobre laicidade, discriminação laboral e igualdade de género em França.
O que aconteceu durante a visita da BAPS?
Em 5 de setembro de 2026, cerca de 100 membros da Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS), movimento hindu global, visitaram o monumento para assinalar a abertura de um novo templo perto de Paris. Funcionárias afirmaram ter sido instruídas a evitar certas áreas e a abandonar os seus postos, sendo substituídas por colegas homens. A SETE reconheceu depois que a delegação pediu para limitar “interações com mulheres”, condições que a empresa diz que nunca deveriam ter sido aceites.
O incidente foi comparado com outros casos de discriminação laboral em França, onde empregadores seculares têm de equilibrar acomodação religiosa com obrigações de tratamento igualitário.
Conclusões da investigação e resignação de Ruivo
A SETE lançou um inquérito independente depois de o jornal Le Parisien revelar o acordo. Os investigadores concluíram que as funcionárias foram postas de lado devido a “falhas e deficiências operacionais”, descrevendo a situação como “inaceitável”. Ruivo, diretor-geral desde 2018, escreveu numa carta ao pessoal obtida pelo Le Monde que não ordenou a exclusão, mas reconheceu que as mulheres não estavam presentes durante a visita e assumiu responsabilidade. Permanecerá no cargo até ao final de 2026 para garantir uma transição suave na época festiva. O conselho de administração aceitou a demissão e elogiou a sua decisão como responsável.
Greve, reação política e pedido de desculpas da BAPS
Em 7 de setembro, o pessoal fez uma greve de um dia que fechou o monumento. O sindicato CGT afirmou que as mulheres foram “postas de lado, substituídas e tornadas invisíveis por causa do seu sexo”. O presidente da câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, considerou as condições inaceitáveis, e a ministra francesa da Igualdade de Género, Aurore Bergé, disse que a igualdade de género em França é “não negociável”. BAPS pediu desculpas mas negou ter solicitado que as mulheres fossem escondidas ou excluídas, citando votos religiosos dos monges que proíbem contacto com mulheres. A polémica reavivou também os debates sobre a laicité francesa e os limites da acomodação religiosa em instituições públicas.
Impacto na laicidade e igualdade no trabalho
O presidente da SETE, Ariel Weil, apelou a reformas, incluindo um departamento de protocolo dedicado e formação obrigatória em igualdade de género. O caso evidencia a tensão entre acomodar práticas religiosas e defender os valores seculares estritos de França, podendo originar novas diretrizes para monumentos públicos que recebem delegações religiosas. A controvérsia também atraiu atenção na Índia, onde a BAPS está ligada ao partido no poder, e suscitou discussões sobre normas de género na prática religiosa hindu. Responsáveis franceses reiteraram que as instituições públicas devem defender o princípio da laicité. Observadores dizem que o impacto ecoa debates sobre legislação de igualdade de género na União Europeia.
FAQ: Exclusão de funcionárias na Torre Eiffel
Porque resignou o diretor da Torre Eiffel?
Patrick Branco Ruivo demitiu-se após um inquérito interno concluir que funcionárias foram excluídas durante a visita da delegação hindu BAPS em 5 de setembro de 2026.
O que é a BAPS e porque visitou a Torre Eiffel?
A BAPS é uma organização hindu global. Cerca de 100 membros visitaram o monumento para assinalar a abertura de um novo templo perto de Paris.
As funcionárias foram convidadas a esconder-se?
Trabalhadoras relataram ter sido instruídas a deixar os seus postos e evitar certas áreas, sendo substituídas por homens. A SETE admitiu que a delegação pediu interações limitadas com mulheres.
Que mudanças está a SETE a implementar?
Ariel Weil anunciou um departamento de protocolo e formação em igualdade de género para evitar incidentes semelhantes.
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