Pelo menos 68 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na colisão ferroviária mais mortal em Espanha desde 2013, depois de um comboio de alta velocidade Renfe AVE embater na traseira de um Iryo parado na linha Madrid–Sevilha, perto de Toledo, a 28 de outubro de 2026. O acidente, entre Mora e Orgaz, fez descarrilar duas carruagens por uma ravina e levou o governo a declarar três dias de luto nacional.
O que aconteceu na colisão de trens em Espanha?
O Iryo 6076 partiu de Madrid Atocha às 07h54 (CET) com 147 pessoas a bordo; seis minutos depois seguiu o AVE 2080, com 397 passageiros, ambos com destino a Sevilha–Santa Justa. Às 08h54, o AVE embateu na traseira do Iryo, que parara após uma falha do sistema de sinalização. Duas carruagens caíram por uma encosta e as equipas de emergência retiraram 24 vítimas apenas do comboio da Renfe. As autoridades elevaram o balanço de 64 para 68 mortos, número que deverá subir.
Cronologia da colisão
- 07h54 – O Iryo 6076 parte de Madrid Atocha com 147 passageiros
- 08h00 – O AVE 2080 parte com 397 passageiros
- 08h30 – Falha do computador de sinalização paralisa cerca de seis comboios num troço de 63 km
- 08h54 – O AVE embate no Iryo parado, perto de Los Yébenes e Urda
Porque aconteceu a colisão?
As conclusões preliminares apontam para erro humano após a queda do sistema automático de sinalização. A ADIF, gestora estatal das infraestruturas, indicou que um operador do centro de controlo autorizou o AVE a retomar a velocidade normal enquanto o Iryo continuava parado à frente. «Uma falha informática paralisou seis comboios e o centro de controlo deu depois uma ordem inexplicável para retomar a marcha sem restrições de velocidade», afirmou o ministro dos Transportes, Óscar Puente. A AITAT abriu um inquérito formal.
Analistas de segurança dizem que o incidente confirma alertas antigos sobre a segurança da alta velocidade em Espanha e a falta de manutenção no corredor Madrid–Andaluzia.
Vítimas e operações de socorro
Entre os 68 mortos confirmados está a antiga ministra do Emprego Fátima Báñez, que viajava na última carruagem do Iryo. Pelo menos 58 pessoas foram hospitalizadas, 15 delas em estado grave, e mais de 100 receberam assistência médica. No total, 544 passageiros seguiam nos dois serviços.
As equipas de emergência transformaram o pavilhão desportivo de Urda em abrigo e o centro de transfusões de Madrid lançou um apelo urgente à doação de sangue. A Renfe abriu uma linha telefónica para familiares e criou uma zona de acolhimento na estação de Atocha.
Desastres repetidos na alta velocidade espanhola
O acidente segue-se ao desastre ferroviário de Adamuz, em janeiro de 2026, que matou 46 pessoas na mesma linha Madrid–Sevilha, e ao descarrilamento de Santiago de Compostela em 2013, com 79 mortos. Os sindicatos alertavam há meses para riscos negligenciados na sinalização e na manutenção.
Impacto e resposta
Os serviços de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia foram suspensos, com mais de 80 comboios cancelados no primeiro dia. O primeiro-ministro Pedro Sánchez decretou três dias de luto, de 29 a 31 de outubro, e prometeu expor qualquer negligência. O rei Felipe VI e a rainha Letizia apresentaram condolências aos feridos e às famílias.
O desastre relança questões sobre os sistemas europeus de sinalização ferroviária e sobre a possibilidade de a privatização e o aumento da procura terem superado o investimento em segurança.
FAQ: colisão de trens em Espanha
O que causou a colisão?
Uma falha informática na sinalização obrigou ao funcionamento manual e um operador da ADIF autorizou a marcha à velocidade normal com outro comboio parado à frente.
Quantas pessoas morreram?
Pelo menos 68, e as autoridades esperam que o balanço aumente à medida que o socorro avança.
Onde aconteceu?
Perto de Los Yébenes e Urda, província de Toledo, entre Mora e Orgaz, na linha de alta velocidade Madrid–Sevilha.
Os serviços serão suspensos?
Sim, a Renfe e a Iryo suspenderam as ligações Madrid–Andaluzia, com mais de 80 comboios cancelados; não há data de reposição.
Como se compara o historial de segurança?
Espanha tem a maior rede de alta velocidade da Europa, mas este é o segundo acidente mortal em nove meses, o que motivou uma investigação independente.
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