ONU adiciona Israel à lista negra de violência sexual em 2025

A ONU incluiu Israel na lista negra de violência sexual em conflitos em 2025, citando estupro e nudez forçada de detentos palestinos. Rússia também foi listada.

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As Nações Unidas colocaram Israel em sua lista negra anual de violência sexual relacionada a conflitos pela primeira vez, de acordo com o relatório de 2025 do Secretário-Geral da ONU, António Guterres. A decisão, anunciada pelo embaixador israelense Danny Danon nas redes sociais, gerou uma ruptura diplomática, com Danon declarando o rompimento de laços com Guterres. O relatório, que ainda não foi divulgado publicamente pela ONU, mas foi compartilhado antecipadamente por Israel, documenta um aumento acentuado nos casos globais de violência sexual em comparação com 2024.

O que é a lista negra da ONU para violência sexual em conflitos?

A lista negra é um anexo anual ao relatório do Secretário-Geral sobre violência sexual relacionada a conflitos, estabelecido pela Resolução 1888 (2009) do Conselho de Segurança. Ela nomeia atores estatais e não estatais onde há motivos críveis para acreditar que cometeram ou foram responsáveis por padrões de violência sexual em conflitos armados. A inclusão é uma forma de pressão diplomática; não há sanções automáticas. O relatório de 2025 lista 77 partes em 12 países, incluindo forças governamentais e grupos armados.

Principais conclusões do relatório da ONU de 2025

Segundo o relatório, as forças de segurança israelenses são acusadas de padrões documentados de violência sexual contra detentos palestinos em Gaza e na Cisjordânia, incluindo estupro, estupro coletivo, nudez forçada e violência genital. O relatório cita especificamente violações em várias instalações de detenção e uma base militar em 2024, detalhando 'violência contra os genitais, nudez forçada prolongada e revistas corporais repetidas'. A Rússia também foi incluída na lista pela primeira vez, com 310 casos verificados de violência sexual por suas forças contra prisioneiros de guerra e civis na Ucrânia. Outras entidades na lista incluem Hamas, Forças de Apoio Rápido (RSF) no Sudão, Estado Islâmico, Al-Qaida no Magrebe Islâmico, e grupos armados em Mianmar, Síria, Haiti e República Democrática do Congo.

Reação e negação de Israel

O embaixador Danon chamou a inclusão de 'campanha política' contra Israel, afirmando no X: 'Continuaremos a lutar pela verdade e expor a calúnia de sangue em todas as plataformas possíveis. A verdade prevalecerá.' Ele alegou que Israel forneceu 'evidências, documentos e respostas detalhadas a cada acusação' e convidou representantes da ONU para investigações in loco, mas eles 'escolheram não fazer'. No entanto, organizações de direitos humanos observam que Israel restringiu o acesso da ONU, incluindo a proibição da UNRWA e limitando o acesso de jornalistas a territórios ocupados e instalações de detenção.

Relatórios anteriores e alegações contínuas

As alegações não são novas. Em abril de 2025, a Save the Children publicou um relatório detalhando tortura, abuso sexual e fome de crianças palestinas em prisões militares israelenses. Relatórios anteriores da ONU também documentaram violência sexual contra detentos palestinos. O grupo israelense de direitos humanos Yesh Din compilou centenas de relatos de má conduta de soldados israelenses em Gaza em 2024, concluindo que os militares só investigam quando as evidências e a pressão internacional se tornam esmagadoras. Menos de 1% das queixas resultam em condenação, e as punições são frequentemente lenientes.

Contexto mais amplo: aumento global da violência sexual relacionada a conflitos

O relatório de 2025 observa um aumento significativo nos casos verificados de violência sexual relacionada a conflitos em todo o mundo em comparação com 2024. A ONU documentou 310 casos por forças russas na Ucrânia, juntamente com padrões de violência sexual por forças israelenses e atrocidades contínuas de grupos como o RSF no Sudão. O relatório também inclui novamente acusações contra o Hamas por violência sexual durante o ataque de 7 de outubro de 2023, embora muitos detalhes não pudessem ser verificados de forma independente devido às restrições de acesso impostas pelo grupo.

Impunidade e falta de responsabilização

Organizações de direitos humanos há muito criticam a falta de responsabilização pela violência sexual em conflitos. Em Israel, um caso notável envolveu nove soldados israelenses acusados de estupro na instalação de detenção de Sde Teiman. Imagens de segurança mostraram soldados protegendo a vítima com grandes escudos, e relatos indicam que a vítima foi esfaqueada no ânus com um objeto pontiagudo. A prisão dos soldados provocou protestos de grupos de extrema-direita que invadiram a base militar. Em março de 2025, os últimos cinco suspeitos foram absolvidos. A general da IDF Yifat Tomer-Yerushalmi, que divulgou as imagens, foi presa, colocada em prisão domiciliar e posteriormente removida de seu cargo.

O que significa a inclusão na lista negra?

A inclusão na lista negra da ONU é principalmente uma ferramenta diplomática para envergonhar e pressionar as partes a cumprirem o direito internacional. Pode afetar a posição internacional de um país, o acesso a certos programas da ONU e as relações bilaterais. Para Israel, a inclusão aumenta o isolamento internacional crescente devido à sua conduta nos territórios palestinos. O gabinete do Secretário-Geral da ONU declarou estar aberto ao diálogo com Israel sobre as conclusões do relatório.

Perguntas Frequentes

Por que Israel foi adicionado à lista negra da ONU?

Israel foi adicionado devido a padrões documentados de violência sexual por suas forças de segurança contra detentos palestinos, incluindo estupro, nudez forçada e violência genital, conforme detalhado no relatório de 2025 do Secretário-Geral da ONU.

Quais as consequências de estar na lista negra?

Não há sanções automáticas, mas a inclusão serve como pressão diplomática, potencialmente afetando a reputação de um país, a ajuda internacional e as relações com outros estados e órgãos da ONU.

A Rússia também está na lista?

Sim, a Rússia foi incluída na lista pela primeira vez em 2025 por 310 casos verificados de violência sexual por suas forças contra prisioneiros e civis na Ucrânia.

Israel já foi acusado de violência sexual antes?

Sim, vários relatórios da Save the Children, da ONU e de grupos israelenses de direitos humanos como Yesh Din documentaram violência sexual contra detentos palestinos em anos anteriores.

A ONU verificou as alegações contra o Hamas?

O relatório inclui alegações contra o Hamas por violência sexual durante o ataque de 7 de outubro de 2023, mas muitos detalhes não puderam ser verificados de forma independente devido a restrições de acesso.

Fontes

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