Supremo Tribunal da China anula sentença de morte de canadense
Em um importante desenvolvimento diplomático, o Supremo Tribunal Popular da China anulou a sentença de morte do cidadão canadense Robert Schellenberg. Schellenberg havia sido condenado em 2018 por tráfico de drogas. A decisão vem algumas semanas após a visita de quatro dias do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim, que visava restaurar as tensas relações bilaterais entre os dois países.
Um caso entrelaçado com a geopolítica
Robert Schellenberg, de 38 anos, de Abbotsford, Colúmbia Britânica, foi preso em 2014 sob suspeita de conspirar para contrabandear 222 quilos de metanfetamina da China para a Austrália. Ele recebeu inicialmente uma sentença de 15 anos de prisão em 2018, mas, em uma reviravolta dramática, foi julgado novamente e condenado à morte em janeiro de 2019.
Esta revisão ocorreu apenas um mês após o Canadá prender a CFO da Huawei, Meng Wanzhou, em Vancouver a pedido das autoridades americanas, o que desencadeou uma grande crise diplomática entre Ottawa e Pequim. 'O momento da sentença de morte de Schellenberg foi amplamente visto como retaliação política,' observou uma fonte diplomática canadense anônima.
Missão diplomática de Carney dá frutos
A visita do primeiro-ministro Mark Carney à China em janeiro de 2026 foi a primeira viagem de um primeiro-ministro canadense a Pequim desde 2017. Durante seus encontros com o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang, Carney buscou restaurar as relações que haviam se deteriorado significativamente desde o incidente da Huawei.
O avanço diplomático parece estar produzindo resultados tangíveis. 'Esta decisão reflete o relacionamento em melhoria entre nossos dois países,' disse a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Mélanie Joly, em um comunicado. 'Continuaremos a defender a clemência para todos os canadenses que enfrentam a pena de morte no exterior.'
Acordos comerciais e decisões judiciais
Além do caso Schellenberg, a visita de Carney rendeu acordos comerciais concretos. A China concordou em reduzir as tarifas sobre a canola canadense de cerca de 85% para 15% até março de 2026, enquanto o Canadá permitirá a entrada de até 49.000 carros elétricos chineses sob tarifas normais, em vez das sobretaxas punitivas de 100%.
Essas concessões econômicas parecem fazer parte de um pacote diplomático mais amplo. 'A anulação da sentença de morte de Schellenberg mostra como a China pode usar seu sistema jurídico para fins de política externa,' observou a Dra. Sarah Park, especialista em relações China-Canadá da Universidade de Toronto.
O que vem a seguir para Schellenberg
A decisão do Supremo Tribunal significa que Schellenberg terá um novo julgamento perante o Tribunal Superior de Liaoning. Ainda não foi definida uma data para o procedimento, e não está claro se o julgamento será público ou resultará em uma sentença revista sem audiência.
Schellenberg sempre manteve sua inocência, alegando ser apenas um turista enredado em uma conspiração de seu tradutor. Sua família no Canadá expressou alívio cauteloso com a notícia. 'Somos gratos por este desenvolvimento, mas continuamos profundamente preocupados com a situação de Robert,' disse sua irmã à mídia canadense.
Implicações mais amplas para as relações Canadá-China
A reviravolta no caso Schellenberg ocorre em meio a uma mudança estratégica do Canadá para diversificar suas relações comerciais, reduzindo a dependência excessiva dos Estados Unidos. Com as tensas relações entre EUA e Canadá devido às tarifas de importação do presidente Trump, Ottawa busca laços econômicos mais fortes com Pequim.
Especialistas alertam, no entanto, que a relação permanece complexa. 'Embora este seja um passo positivo, o Canadá deve equilibrar oportunidades econômicas com preocupações sobre direitos humanos e segurança nacional,' observou o professor James Chen, do programa de Estudos da China da Universidade McGill.
O caso também destaca o uso da China da 'diplomacia de reféns', na qual estrangeiros são detidos ou processados para pressionar seus países de origem. Dois outros canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, foram detidos pela China em 2018 sob acusação de espionagem logo após a prisão de Meng, embora tenham sido libertados em 2021.
Fontes
The New York Times: China anula sentença de morte em gesto diplomático
CBC News: Supremo Tribunal da China anula sentença de morte de Schellenberg
BBC: Visita crucial de Carney à China busca redefinir relações
Instituto da China da SOAS: Redefinição do Canadá com a China e implicações comerciais
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