Problemas de Artilharia da Ucrânia Agravados por Escassez Crescente de Munição
À medida que o conflito na Ucrânia entra em seu quarto ano, analistas militares alertam para uma escassez crítica de munição de artilharia que ameaça minar a defesa da linha de frente ucraniana. Com as tropas russas exercendo pressão em várias frentes, o ritmo e a consistência das entregas de munição tornaram-se o fator determinante para a capacidade da Ucrânia de manter território.
A Estratégia de Abastecimento dos Quatro Pilares
As capacidades de artilharia da Ucrânia atualmente dependem de quatro fontes principais: a iniciativa 'Ponte de Projéteis' liderada pela República Tcheca, novas instalações de produção europeias, estoques americanos via mecanismo PURL e a própria produção doméstica da Ucrânia. De acordo com o especialista militar Mykhailo Samus: 'Embora a Ucrânia tenha recebido cerca de 1 milhão de projéteis de artilharia até agosto de 2025 e possa atingir 1,8 milhão até o final do ano, o principal desafio para 2026 é manter ritmos de entrega consistentes, em vez de apenas aumentar os números totais.'
A iniciativa tcheca tem sido particularmente crucial, com cerca de 1,5 milhão de projéteis em 2024 e números semelhantes para 2025. O primeiro-ministro tcheco Petr Fiala anunciou recentemente que o programa entregou um milhão de projéteis de artilharia pesada à Ucrânia apenas em 2025, com expectativas de atingir 1,8 milhão até o final do ano.
Desafios de Produção e Riscos Políticos
Apesar desses esforços, desafios significativos permanecem. As fábricas europeias estão aumentando a produção, mas gargalos na produção de pólvora e escassez de componentes prejudicam a produção. A alemã Rheinmetall está colaborando em uma nova fábrica de projéteis na Ucrânia, que deve produzir centenas de milhares de projéteis por ano a partir de 2026, mas isso representa capacidade futura em vez de alívio imediato.
Incertezas políticas adicionam uma camada extra de complexidade. Com os EUA reduzindo o financiamento militar sob a administração Trump, a Europa está sob pressão crescente para desenvolver estratégias inovadoras. Como observado em um relatório do CEPA, a política ocidental tem sido reativa e fragmentada devido a preocupações com escalada, com problemas de sustentabilidade no financiamento de longo prazo e vontade política em declínio.
Impacto na Linha de Frente e Consequências Operacionais
A escassez de munição tem consequências diretas no campo de batalha. A artilharia ucraniana atualmente dispara cerca de 5.000+ projéteis de 155mm por dia—aproximadamente 2 milhões por ano—mas esse ritmo é insustentável sem um fornecimento consistente. 'Esse fluxo constante determina se a artilharia ucraniana pode travar combates eficazes de contra-bateria e sustentar a defesa da linha de frente dia após dia,' explica Samus.
A situação é ainda mais complicada por problemas de interoperabilidade. As tropas ucranianas usam 17 tipos diferentes de obuses de 155mm de países da OTAN e não-OTAN, com quase 50 modelos de projéteis altamente explosivos com diferentes cargas propulsoras e espoletas. Esses problemas de compatibilidade levaram a danos materiais, baixas fatais entre as tripulações e eficácia de combate reduzida.
Perspectivas para 2026
Para 2026, o foco muda da quantidade para a consistência. O Grupo STV da República Tcheca planeja aumentar a produção anual para 300.000 projéteis até 2026, incluindo projéteis de artilharia de 155mm, por meio de novas linhas de produção que abrirão em 2025. No entanto, os riscos permanecem, incluindo mudanças políticas na República Tcheca, gargalos de produção persistentes e incerteza em Washington.
A missão NSATU da OTAN, estabelecida em 2025, visa coordenar assistência de segurança, com recomendações para um fundo plurianual de US$ 100 bilhões e harmonização de doações de armas para garantir a interoperabilidade da Ucrânia com a OTAN até 2035. No entanto, um analista de defesa observa: 'A lacuna entre as necessidades de munição da Ucrânia e a capacidade de produção ocidental continua sendo a maior vulnerabilidade no conflito.'
Os próximos meses testarão se as iniciativas europeias podem compensar totalmente o apoio americano reduzido. Como a Ucrânia perdeu cerca de 200 dos 900 obuses recebidos, está substituindo-os por canhões fabricados localmente a uma taxa de 20 por mês. Essas iniciativas europeias separadas de munição devem mais do que compensar a perda de apoio americano para garantir que a artilharia ucraniana permaneça operacional contra a pressão contínua da Rússia.
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