A Revolução da Artilharia da Europa: Atendendo às Necessidades de Combate da Ucrânia
À medida que a Ucrânia entra no seu quarto ano de conflito com a Rússia, os aliados ocidentais iniciaram uma transformação industrial sem precedentes para enfrentar as críticas escassez de munição que têm dificultado as forças ucranianas. A guerra expôs fraquezas fundamentais nas capacidades de produção de defesa da OTAN, forçando os países europeus a repensar fundamentalmente as suas estratégias militar-industriais.
A Dimensão do Desafio
As forças ucranianas disparam aproximadamente 5.000 projéteis de artilharia de 155 milímetros por dia – cerca de 2 milhões por ano – criando uma procura massiva que inicialmente sobrecarregou as capacidades de produção ocidentais. 'Subestimámos o enorme volume de artilharia necessário para a guerra moderna,' admite um alto funcionário da OTAN que prefere permanecer anónimo. 'Os pressupostos em que construímos os nossos stocks eram de uma era diferente.'
A investigação da Reuters revelou que anos de erros de cálculo por parte de funcionários americanos e da OTAN colocaram a Ucrânia em grave desvantagem, com erros estratégicos como acumulação insuficiente de stocks, atrasos nas entregas de armas e pressupostos errados sobre a duração e intensidade da guerra.
Aumento da Produção Europeia
A empresa de defesa alemã Rheinmetall tornou-se a pedra angular da resposta de artilharia da Europa. A empresa está a expandir drasticamente a produção na sua instalação de Unterlüß, na Alemanha, para 350.000 projéteis padrão OTAN de 155mm por ano, face aos 200.000 anteriormente planeados, com um investimento de 600 milhões de euros. A sua aquisição da empresa espanhola Expal Systems acrescenta capacidade para até 450.000 projéteis por ano, criando a maior instalação de produção de artilharia da Europa.
'Estamos a ver uma mudança estrutural nas capacidades de defesa europeias,' diz a analista de defesa Maria Schmidt. 'O que era uma indústria de tempo de paz está a transformar-se numa máquina de produção de guerra.'
A análise por satélite do Financial Times mostra que a produção de defesa europeia triplicou desde a invasão russa, com cerca de 7 milhões de metros quadrados de nova capacidade industrial focada na produção de munições e mísseis em 150 instalações de 37 empresas europeias.
A Iniciativa Checa: Estratégia de Aquisição Global
Enquanto a produção doméstica ganha ritmo, a República Checa desenvolveu uma estratégia inovadora de aquisição global. A iniciativa de munição checa entregou 1,8 milhões de projéteis de artilharia à Ucrânia em 2025, cumprindo um compromisso fundamental. Isto segue-se aos 1,5 milhões de projéteis entregues em 2024, com mais de 80% a consistir em munição padrão OTAN de 155mm.
'Isto não é apenas sobre produção checa – estamos a aproveitar a nossa experiência na indústria de defesa para adquirir munição globalmente,' explica o presidente checo Petr Pavel. A iniciativa agrega contribuições financeiras de vários países doadores para comprar projéteis de países terceiros, com apenas 2% financiados pela própria República Checa.
Inovações e Desafios Logísticos
A guerra forçou inovações na logística militar. A Estónia lançou a sua própria iniciativa que visa 1 milhão de projéteis em 12 meses, enquanto a Alemanha já enviou quase meio milhão de projéteis e está a expandir a produção doméstica. A Noruega está a apoiar as capacidades de produção ucranianas existentes e a Coreia do Sul está a fornecer projéteis através dos EUA.
No entanto, os desafios persistem. O plano da Rheinmetall para construir uma fábrica de munições de artilharia na Ucrânia sofreu atrasos significativos, com prazos realistas de produção adiados para 2027 devido a obstáculos burocráticos e regulatórios. Mais de 2,5 anos passaram desde a assinatura do contrato sem progresso tangível, destacando os desafios de implementação.
Implicações Estratégicas e Perspetiva Futura
O relatório do CEPA alerta que a Ucrânia enfrenta uma posição precária em 2026, com a política ocidental a permanecer reativa e fragmentada. Os EUA estão a reduzir o financiamento militar sob a atual administração, levando a Europa a desenvolver estratégias inovadoras, incluindo a utilização de ativos russos congelados e a realização de contribuições regulares através de iniciativas como a PURL.
A OTAN estabeleceu a missão NSATU em 2025 para coordenar a assistência de segurança, com recomendações para um fundo plurianual de 100 mil milhões de dólares e a harmonização de doações de armas para garantir a interoperabilidade da Ucrânia com a OTAN até 2035.
'A crise da munição foi um alerta para a defesa europeia,' conclui o estratega militar Dr. Erik Johansson. 'Não estamos apenas a fornecer à Ucrânia – estamos a reconstruir a nossa própria base industrial de defesa para um mundo mais perigoso.'
Enquanto a Ucrânia continua a produzir 20 novos obuses por mês para substituir perdas, as linhas de abastecimento redundantes criadas pelas iniciativas europeias asseguram que as operações de artilharia continuam apesar do apoio americano reduzido. A transformação representa mais do que apenas o aumento da produção – é uma reavaliação fundamental de como as democracias se preparam para e sustentam a guerra moderna.
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