Conferência da Casa Branca intensifica tensões sobre a Groenlândia
Durante uma conferência de imprensa inesperada na Casa Branca, na véspera de sua visita a Davos, o presidente Donald Trump se recusou a recuar de sua controversa busca para adquirir a Groenlândia. Isso estabelece o cenário para um confronto tenso com aliados europeus durante o Fórum Econômico Mundial. O presidente continuou a insistir que a adição da Groenlândia ao território americano é essencial para a segurança dos EUA e internacional, apesar da oposição esmagadora dos groenlandeses, da Dinamarca e dos parceiros da OTAN.
'Acho que chegaremos a uma solução com a qual a OTAN ficará muito feliz e nós ficaremos muito felizes,' disse Trump a repórteres na sala de imprensa lotada. 'Mas precisamos dela para nossa segurança.' Quando confrontado com o fato de que 85% dos groenlandeses rejeitam uma aquisição americana de acordo com pesquisas recentes, Trump descartou as preocupações: 'Acho que eles ficarão entusiasmados quando eu falar com eles.'
Reação europeia e ameaças de guerra comercial
A União Europeia está preparando medidas de retaliação que podem custar aos EUA até €93 bilhões se a crise da Groenlândia não for resolvida diplomaticamente. Trump já ameaçou com tarifas de importação de 10% sobre exportações de oito países europeus - Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia - a partir de 1º de fevereiro, com possível escalada para 25% em junho.
O presidente francês Emmanuel Macron pediu a ativação do 'bazuca comercial' da UE - o Instrumento Anti-Coerção que pode restringir o acesso ao mercado americano na Europa. 'Aplacamento é sempre um sinal de fraqueza,' advertiu o primeiro-ministro polonês Donald Tusk em uma postagem nas redes sociais que traçou paralelos históricos com a diplomacia dos anos 30. 'A Europa não pode se dar ao luxo de ser fraca, nem contra seus inimigos nem contra um aliado. O que é necessário agora é uma Europa assertiva e confiante.'
Importância estratégica e contexto histórico
Os EUA há muito consideram a Groenlândia estrategicamente crucial para a defesa do Ártico, com discussões sobre aquisição remontando a 1867, quando o secretário de Estado William H. Seward propôs a ideia pela primeira vez. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA ocuparam a Groenlândia para evitar o uso alemão, e hoje o país mantém a Base Aérea de Thule (agora Base Espacial Pituffik) como sua instalação militar mais ao norte.
O governo autônomo da Groenlândia declarou repetidamente que o território não está à venda, com o primeiro-ministro Múte Bourup Egede reafirmando o compromisso da Groenlândia com o Reino da Dinamarca. As vastas riquezas minerais e a localização estratégica no Ártico tornaram o território cada vez mais valioso à medida que as mudanças climáticas abrem novas rotas de navegação e oportunidades de extração de recursos.
Confronto em Davos e implicações para a OTAN
Todos os olhos estão agora voltados para Davos, onde Trump fará um discurso especial e se reunirá especificamente sobre a Groenlândia. A controvérsia ameaça desfazer décadas de cooperação transatlântica, com alguns líderes europeus alertando que 80 anos de atlantismo podem chegar ao fim.
De acordo com uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, 86% dos americanos são contra a conquista militar da Groenlândia, enquanto 55% rejeitam a compra do território. Apesar dessa oposição doméstica, Trump parece determinado a buscar o que chama de 'expansionismo americano' em seu segundo mandato, criando uma das maiores crises diplomáticas de sua presidência.
O Parlamento Europeu já congelou a ratificação de um acordo comercial UE-EUA devido às tensões, e os mercados apresentaram volatilidade, com o S&P 500 registrando seu pior dia em três meses após as ameaças tarifárias de Trump. Enquanto líderes mundiais se reúnem em Davos, o conflito da Groenlândia representa não apenas uma questão territorial, mas também um teste fundamental das relações transatlânticas em um mundo cada vez mais multipolar.
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