Em março de 2026, o conflito no Oriente Médio virou crise global de fertilizantes, afetando a segurança alimentar do Chifre da África ao Brasil. Interrupções no Estreito de Ormuz, após ataques dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, paralisaram um terço do comércio marítimo de fertilizantes na época do plantio de primavera no Hemisfério Norte, segundo a CNBC.
O Estreito de Ormuz: um gargalo para o alimento global
O estreito transporta 30% das exportações globais de ureia, 25% de amônia e quase 50% do enxofre comercializado. Kpler registrou 23 navios de fertilizantes parados no Golfo em março, sem trânsito de cargas desde o dia 7. “A indústria está paralisada”, disse um analista ao The New York Times. QatarEnergy declarou força maior e a China restringiu exportações, apertando a cadeia global de suprimentos de fertilizantes.
África Subsaariana e Brasil sofrem o golpe mais duro
A África Subsaariana importa mais de 90% de seus fertilizantes, sendo a região mais exposta. O Brasil, maior importador mundial, obtém 85% de suas necessidades no exterior e enfrenta “risco extremamente alto” de escassez para a safra 2026/27, segundo The Rio Times. Entregas de ureia e fosfato estão semanas atrasadas, ameaçando milho, arroz e trigo, com efeitos sobre soja, milho e açúcar globais.
Dos fertilizantes à inflação alimentar: o impacto em cascata
Os preços dispararam: ureia FOB no Egito saltou de US$400–490 para ~US$700/t, e amônia subiu 20%, segundo CNBC. Como o nitrogênio não pode ser pulado, o estrago pode superar o choque Rússia-Ucrânia. O Commodity Markets Outlook 2026 do Banco Mundial mostra que Ormuz eleva preços dos alimentos via energia, fertilizantes e frete, reacendendo a inflação global de alimentos 2026.
Rússia e El Niño tornam um ano ruim ainda pior
O choque não é isolado: a Rússia usa exportações de alimentos como arma e ataques a portos interrompem um quarto do comércio global de grãos. Um padrão climático El Niño iminente pode trazer seca. A Oxford Economics projeta alta de 12% nos preços dos alimentos em 2026 e 5% em 2027, com fertilizantes 22% mais caros, segundo Common Dreams.
O que dizem os especialistas
O diretor-geral da FAO, QU Dongyu, alertou que a escassez de fertilizantes reduzirá safras e apertará suprimentos até 2027. “Atrasos de semanas forçam cortes de uso, reduzindo rendimentos permanentemente”, disse, segundo a FAO. Seu plano pede diversificação e agricultura sustentável. O alerta de fertilizantes da FAO ecoa analistas que apontam falta de reserva estratégica de ureia.
FAQ
Por que o Estreito de Ormuz é importante para fertilizantes?
Ele transporta cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes, incluindo 30% das exportações de ureia e 25% de amônia.
Quais países são mais vulneráveis?
África Subsaariana (dependência superior a 90%), Brasil (85%), Índia, Bangladesh, Tailândia, Indonésia e Egito.
Quanto subiram os preços dos fertilizantes?
A ureia egípcia saltou de US$400–490 para cerca de US$700/t, e a amônia subiu 20% até o final de março de 2026.
O abastecimento de alimentos se recuperará se o conflito terminar?
Não rapidamente. Janelas perdidas de aplicação de fertilizantes não podem ser recuperadas, então perdas de produtividade persistirão até o final de 2026 e 2027.
O que acontece a seguir
Mesmo que o estreito reabra, o dano à safra 2026 já está consolidado. Governos tentam diversificar, mas leva anos. A crise alimentar global de 2026 segue como ameaça viva, medida em rendimentos, orçamentos e fome.
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