Conversa Putin-EUA não gera avanços, negociações de paz continuam travadas

O encontro de Putin com enviados dos EUA não gerou avanços. Conversas tripartidas começam em Abu Dhabi enquanto a Ucrânia enfrenta grave crise energética. O controle territorial permanece o principal obstáculo.

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Diplomacia de alto nível sem resultados concretos

O encontro noturno entre o presidente russo Vladimir Putin e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner não produziu um avanço para encerrar a guerra na Ucrânia. A maratona de quase quatro horas no Kremlin, descrita por um conselheiro de Putin como 'conversas úteis e honestas', não conseguiu superar a lacuna fundamental sobre o controle territorial.

Questão de Donbas permanece sem solução

O cerne do impasse é a exigência russa de controle total sobre a região ucraniana de Donbas, que Moscou ocupa desde o início da invasão. De acordo com relatórios da CNN, a Rússia atualmente controla cerca de 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente, incluindo partes significativas das regiões de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.

O principal diplomata Yuri Ushakov disse após o encontro: 'Enquanto não resolvermos a questão do território, não há perspectiva de uma solução de longo prazo.' Esta posição está em oposição direta à do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que continua a enfatizar que a Ucrânia não abrirá mão de seu território soberano.

Conversas tripartidas começam em Abu Dhabi

Enquanto a conversa Putin-Witkoff terminou inconclusiva, um esforço diplomático potencialmente mais importante começou nos Emirados Árabes Unidos. Pela primeira vez desde a invasão russa em larga escala de 2022, representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reúnem em Abu Dhabi para conversas de paz tripartidas.

A BBC relata que o negociador ucraniano Rustem Umerov lidera a delegação de seu país, enquanto a equipe russa é liderada pelo chefe da Diretoria Principal de Inteligência, Almirante Igor Kostyukov. Zelensky chamou essas conversas de 'um passo - espero que em direção ao fim da guerra.'

Crise humanitária na Ucrânia se aprofunda

Enquanto diplomatas conversam, a Ucrânia enfrenta o que a Reuters descreve como o 'inverno mais amargo' desde o início da guerra. As tropas russas intensificaram os ataques à infraestrutura energética ucraniana, deixando milhões sem aquecimento, eletricidade ou água confiáveis em temperaturas abaixo de zero.

O prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, relatou que quase 2.000 edifícios na capital ainda não têm aquecimento, com temperaturas que não devem ultrapassar -6°C nos próximos dias. A situação tornou-se tão grave que Klitschko pediu aos residentes que pudessem sair que o fizessem, o que, segundo a France 24, levou a uma enorme crise de deslocamento, com quase meio milhão de residentes fugindo da capital.

Apoio internacional continua

Em resposta à crise energética, a Holanda anunciou €23 milhões adicionais em ajuda energética para a Ucrânia, elevando a contribuição total para 2026 para €133 milhões. De acordo com o NL Times, os fundos serão usados para três objetivos principais: compra de gás nos mercados internacionais, reparos de emergência em usinas de energia danificadas e fornecimento de materiais energéticos essenciais de empresas holandesas.

A Secretária de Estado Aukje de Vries, que anunciou a ajuda durante uma visita à Ucrânia, viu com seus próprios olhos como os ataques russos atingiram a infraestrutura energética ucraniana, deixando milhões sem luz e aquecimento durante um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.

O que vem a seguir?

As conversas em Abu Dhabi representam a principal oportunidade diplomática em meses, mas especialistas alertam que a divergência fundamental sobre o território permanece o principal obstáculo. Com a Rússia controlando cerca de 90% da região de Donbas, de acordo com dados da Wikipedia, e a Ucrânia se recusando a ceder seu território soberano, o caminho para a paz permanece incerto.

Como observou um diplomata ocidental que pediu anonimato: 'Vemos mais atividade diplomática do que em anos, mas até que alguém ceda na questão territorial, essas conversas são apenas uma formalidade.'

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