Ucrânia enfrenta a pior crise de inverno desde o início da guerra
A Ucrânia enfrenta a crise energética mais grave desde a invasão russa em 2022, com o país a conseguir gerar apenas 60% da sua necessidade de eletricidade devido aos ataques russos contínuos à infraestrutura energética. O ministro da Energia, Denys Shmyhal, revelou a situação precária num discurso parlamentar e alertou que 'não há uma única central elétrica na Ucrânia que não tenha sido atacada', enquanto as temperaturas noturnas descem para -20°C.
Situação crítica nas grandes cidades
As áreas mais afetadas são Kyiv, Kharkiv, Odesa e localidades da linha da frente, onde os habitantes passam dias sem aquecimento ou eletricidade durante o inverno mais frio dos últimos anos. De acordo com relatórios da Al Jazeera, o presidente da câmara de Kyiv, Vitali Klitschko, afirmou que a capital tem apenas metade da eletricidade necessária para os seus 3,6 milhões de habitantes, sendo a primeira vez na história da cidade que a maioria dos residentes não tem aquecimento durante um frio rigoroso.
O presidente Volodymyr Zelensky revelou que a capacidade de produção de eletricidade em 15 de janeiro era de apenas 11 gigawatts, enquanto o país precisa de 18 gigawatts para funcionar normalmente. 'A intensidade dos ataques só está a aumentar,' disse Shmyhal aos parlamentares, enfatizando que o direcionamento sistemático das instalações energéticas pela Rússia é uma estratégia deliberada para quebrar a resistência ucraniana durante os meses de inverno.
Reação internacional e medidas de emergência
O governo britânico comprometeu-se com um financiamento adicional de 20 milhões de libras (cerca de 23 milhões de euros) para a recuperação da infraestrutura energética, anunciado durante uma visita por ocasião do ano de parceria entre o Reino Unido e a Ucrânia. A Noruega ofereceu uma subvenção de 200 milhões de dólares para a emergência, enquanto a Ucrânia aumentou significativamente a importação de eletricidade de países da UE.
No entanto, a Ucrânia enfrenta limitações, com a capacidade máxima de importação de apenas cerca de 2,3 gigawatts, insuficiente para cobrir o enorme défice. O país implementou medidas de emergência, incluindo centros públicos de aquecimento, recolheres obrigatórios mais curtos, férias escolares prolongadas e apelou às empresas para economizarem eletricidade.
Esforços diplomáticos e garantias de segurança
À medida que a crise energética se aprofunda, uma delegação ucraniana viaja para Washington para conversações cruciais sobre garantias de segurança e um pacote de reconstrução pós-guerra de 800 mil milhões de dólares. De acordo com relatórios do The Star, o presidente Zelensky espera que os acordos possam ser assinados na próxima semana durante o Fórum Económico Mundial em Davos.
Zelensky pediu repetidamente mais munições de defesa aérea aos aliados ocidentais e revelou que alguns sistemas de defesa aérea ucranianos ficaram sem mísseis até chegarem entregas recentes. 'Os ataques russos à nossa infraestrutura energética mostram que a Rússia não quer paz neste momento,' declarou Zelensky, criticando as alegações de Moscovo sobre a vontade de negociar a paz.
Impacto humanitário e desafios do inverno
As Nações Unidas alertaram que os ataques russos privaram milhões de ucranianos de eletricidade, aquecimento e água, com idosos, crianças e pessoas com deficiência a serem os mais afetados. O Comité Internacional da Cruz Vermelha descreveu este como o inverno mais difícil desde que o conflito escalou, com temperaturas previstas para permanecer entre -8°C durante o dia e -20°C à noite durante semanas.
Kharkiv sofreu um ataque particularmente devastador que destruiu uma grande instalação energética, deixando 400.000 pessoas sem eletricidade. As reservas de combustível da Ucrânia são, segundo relatos, suficientes apenas para 20 dias, aumentando a urgência da situação enquanto o país se apressa a instalar até 2,7 gigawatts de nova capacidade de produção até ao final do ano.
Nederlands
English
Deutsch
Français
Español
Português